Arte, cultura e humanismo
Na semana passada escrevi aqui um post sobre escritores da mesma família e, mais especificamente, pais e filhos escritores. Os Extrardinários fizeram o favor de me lembrar muitos exemplos que não me tinham ocorrido (e alguns sem desculpa, pois até conheço as pessoas), entre os quais os de Sophia de Mello Breyner e do seu filho Miguel Sousa Tavares ou da sua filha Maria Andresen. Mas o filho de Miguel, neto de Sophia, de seu nome Martim (Sousa Tavares), também acaba de publicar um livro, perpetuando os autores da família; intitulado Falar Piano e Tocar Francês (é mesmo assim, não julguem que me enganei) parte da sua experiência como divulgador cultural e músico para reflectir sobre como hoje, um tempo de ecrãs e leituras de cinco linhas, nos relacionamos com a arte nas suas mais diversas formas: uma cena de um filme, um poema, uma partitura... Lançado publicamente ontem, a obra fala do que, por exemplo, o olhar de alguém que visita um museu acrescenta à pintura que está na parede, da mesma forma que quem lê um poema lerá um poema diferente de cada vez que a ele volte e diferente do de outra pessoa que igualmente o leia. Uma obra de arte precisa, em suma, de dialogar, e são estes diálogos com os objectos artísticos da sua preferência que leremos neste livro de Martim Sousa Tavares que foi apresentado por Salvador Sobral.
E editado pela Zigurate, possuidora de um catálogo acutilante
ResponderEliminarBoas leituras!
O Martim Sousa Tavares, é pianista, clássico. Muito bem e nada contra o Jamie Cullum ou o Elton John, antes pelo contrário!
ResponderEliminarTal como o filho da nossa Extraordinária Cristina Carvalho (que vai desculpar-me trazê-la para esta conversa assim sem a consultar), o António Norton (é psicólogo) é músico (está para sair um novo álbum) e tem uma formação igualmente clássica o que se nota no seu trabalho - diga-se que o seu primeiro álbum, na área do jazz, é muitíssimo bom!
Talvez essa formação clássica, em alguns dos nossos artistas ou gente da cultura, faça a grande diferença, para aqueles que sabem olhar e apreciar um Pollock ou António Saúde; escutar a Carmina Burana ou "foi Deus"; sabem fazer a separação entre a música de "as danças guerreiras do príncipe Igor" francamente dançável e que nos encanta de uma espécie de ruído batido "indançável" ao som de que uns corpos se contorcem no palco... como olham para a "Catedral" de uma forma completamente diferente de uma amálgama de talheres torcidos e soldados montados numa peanha.
O que quero dizer é que há Arte e uma outra coisa a que uns alucinados chamam "arte" e nem sequer são geniais como o aludido Pollock, são apenas alucinados que vêm coisas que só eles entendem e não são capazes de expressar para toda a gente. Que fazem peças de teatro onde urinar num jornal no chão é considerado expressão artística - digam isso à Nina, a dashound da minha sobrinha! Muito bem, que o façam, mas não no-lo imponham como se de arte se tratasse, mantenham-se no alternativo para quem queira alinhar e não ocupem nem o espaço nem consumam os recursos que fazem falta aos Artistas.
Enfim. Estimo saber desta publicação e gostei da apresentação e breve análise que nos foi aqui trazida, porque precisamos de Arte e de coisas que nos encantem.
Saudações clássicas cá desde a Cidade Morena.
Lembrei-me de outro exemplo, pai, mãe e filho, todos escritores.
ResponderEliminarDiogo Freitas do Amaral, Maria Roma e Domingos Amaral.
Gostei muito da série de programas de rádio que produziu para a Antena 2, sendo dos raros autores que não interrompeu o trabalho quando a pandemia nos caiu em cima. O(s ) programa(s) que elaborou a partir do interior do seu automóvel, ultrapassando assim a impossibilidade de utilizar os estúdios da estação, resiste(m) como um ponto alto da rádio. Mas acima disso, muito apreciei o teor dos seus programas. Mais tarde segui a série que realizou para a televisão. Não gostei tanto porque, para mim. a imagem reduz a qualidade do que se faz. A pouco e pouco, quase deixei de ver cinema. Quanto ao livro agora anunciado, vou lê-lo pela certa. De tantas coisas que faz, até compor, do que mais gosto é de ouvir a música que produz quando dirige uma orquestra.
ResponderEliminarMuito grato pela partilha. O Martim tem feito um percurso ascendente - e, sobretudo, sem precisar de pergaminhos familiares para o seu reconhecimento público.
ResponderEliminarApenas corrijo que o lançamento será a 15 de Maio, e não anteontem. Anteontem foi, sim, dia de pré-venda online nas diferentes plataformas.