Ainda a ortografia
Dizem-me que as pessoas sempre deram muitos erros de ortografia, que não é só de hoje; mas, por acaso, na escola primária que frequentei (na qual se aprendia pela Cartilha Maternal de João de Deus) dar erros era uma humilhação e, quando uma menina tinha mais de três erros num ditado, era mesmo uma escandaleira e uma vergonha. Talvez fosse só ali, na escola João de Deus, por o patrono ter criado um método de aprender a ler que foi muitíssimo popular e eficaz, mas, naquela escola ou nas outras onde andei, procurei sempre escrever com correcção. Hoje, muitos dos que me mandam livros para publicar preocupam-se estranhamente pouco (ou nada) com a questão ortográfica, o que fica muito mal a um escritor. E há dois erros que se repetem em quase todos os originais: o «eminente» por «iminente» (o que está para acontecer, «iminente», nada tem que ver com a elevação e a importância do «eminente»); e o «edílico» por «idílico». Será que a pessoa estará sob algum transe «etílico» e só considera que existe «idílio» quando há álcool à mistura? Bem, desculpem lá mais um post pedagógico, mas há erros que já cansam e, assim, se os perpetradores lerem o meu blogue, pode ser que aprendam de uma vez por todas.
Bom dia
ResponderEliminarEstará o português destinado a ser uma língua morta? Não pela morte dos falantes mas pela adopção de línguas francas (ingliche obeviuzeli) ou pelo seu irreconhecível abastardarmento? Ficam as dúvidas e um lugar possível para o defunto https://leiturasimprovaveis.blogs.sapo.pt/sobre-o-decoro-24459
Boas leituras
Pois claro que tem muita razão... não podemos "controlar" (contornar) este assunto, de supina relevância!
ResponderEliminarHá quem a desvalorize, porém a preservação da nossa língua deve ser um desígnio tão forte quanto manter a nacionalidade.
Julgo eu, na minha boa-fé e ignorância, que, todos damos erros sejam eles ortográficos ou de construcção de frases.
Não sou capaz de dizer, o meu atrevimento não chega a tanto, quais serão os piores?
No entanto, já me atrevo a sugerir que entre os responsáveis pela "erração" esteja à cabeça esta globalização mediática em que estamos imersos? Além do acordo ortográfico recente que lançou uma tremenda confusão, ainda somos submetidos ao contacto com o português de diversas origens com os seus particulares que potenciam ambos os tipos de erros.
Quando andei na escola primária, fosse na D. Maria Pombo (casada com o temido Dr. Ferro, professor do liceu Nacional Sá da Bandeira) fosse nas "filhas do Manel da Praia", designação que as Donas Maria Adelaide, Maria Gertrudes e Maria Amélia (Santos), não conseguiam evitar naqueles tempos em Santo Amaro de Oeiras, as cópias eram uma constante para treinar a letra mas também para aprender a escrever correctamente. Idem para os ditados que eram o teste à ortografia. Erros valiam umas boas e pedagógicas reguadas, além de sermos depois obrigados a fazer a correcção.
No Liceu Nacional de Oeiras, na disciplina de português, já não se faziam cópias nem ditados mas muitas redacções, e, os erros eram corrigidos nos pontos ou nos trabalhos influenciando a nota dos mesmos. Idem para geografia, ciências ou história, disciplinas onde normalmente se escrevia. Acredito que os métodos utilizados pelos professores eram eficazes na prevenção dos erros e ajudavam a escrever correctamente.
Mais tarde, na Universidade de Évora, tive uma cadeira semestral de "Estilística Prática" onde o Prof. Sousa e Costa nos completou o ensino da redacção, se bem que mais dirigida para relatórios ou trabalhos, quer na forma como no estilo e também no uso da linguagem escrita.
Não sou perfeito, dou erros certamente e até por vezes já aqui tenho sido corrigido - o que sempre agradeço - porém, noto que de facto os erros campeiam por essas páginas afora e um pouco por toda a parte. O meu pessoal escreve mal que se farta... gente com formação universitária, alguns com a desculpa de terem estudado nos EUA, Inglaterra, Bélgica ou Espanha, no entanto escrevem com erros!
Não sei se diga como o outro "habituem-se"?
É um facto. Ainda me causa alguma urticária, mas, que fazer? Não é coisa que esteja ao meu alcance combater e nem me parece que algum ministro da educação se preocupe com isso. Se calhar é o primeiro a dar erros... quem sabe.
Saudações errantes (vou viajar, pois temos feriado "pontuado") cá da Cidade Morena.
Extraordinário Leitor
ResponderEliminarAinda não li o artigo que refere, porém atrevo-me a dizer que o português não será por essas razões uma língua morta, pois que o que define língua viva é precisamente essa mudança ou evolução?
Os neologismos, estrangeirismo e outros, contribuem para fazer dela uma língua viva, ainda que substancialmente diferente do português original. Quem leia os nossos clássicos do século XIX, sem ser preciso ir mais atrás a Fernão Lopes ou padre Vieira, percebe que sendo embora a mesma língua é substancialmente diferente.
Há aqui entre os Extraordinários quem me confirme ou contrarie, e, com muito mais propriedade e saber.
Aguardemos por algum sempre interessante comentário, aliás como o seu.
Saudações cá da Cidade Morena.
Hão de haver sempre erros, eu parece-me.
ResponderEliminarSou dislexia, tenho uma preocupação incrível com a ortográfica ao ponto de esconder durante anos o que escrevia. Hoje publico pequenas frases, textos mas sempre com um medo terrível de cometer erros.
ResponderEliminarGosto de a ler sempre
Minha Cara e Extraordinária Maria Antónia: sofrer de dislexia não sendo embora opção sua, não deve, porém, ser motivo para deixar na gaveta aquilo que escreve!
ResponderEliminarTenho uma boa amiga que sofre do mesmo problema, o que não a impediu de escrever vários livros. Sendo pessoa muito educada, culta e viajada, com vivências multiculturais interessantíssimas é uma aventureira de mão-cheia, que colocou em livro uma boa parte dessa vida aventurosa e mesmo se dedicou ao romance histórico.
Resolve o problema da escrita, pedindo aos amigos certos que lhe façam a revisão e correcção mesmo antes de enviar ao Editor. Já tive o privilégio de a ajudar!
Portanto nada que não tenha solução, como diz o provérbio "viver não custa, custa é saber viver!" .
Cumprimentos aqui da Cidade Morena.
Tamém é o que m'a mim parece!
ResponderEliminarMinha Cara Maria Melo, peço desculpa por a tratar com a familiaridade que usei, que estimo seja tomada por cumplicidade entre frequentadores deste blog, com a permissão da Nossa Extraordinária Anfitriã.
ResponderEliminarRenovo os meus cumprimentos e a saudação.
Não se ensina ou repete em demasia. Porque nunca todos ouvem tudo. Portanto, pode que a Rosário ensine muita gente e não só os que lhe enviam romances ou o que seja. A carapuça, garanto, serve a qualquer. Fica mal a um pretenso escritor dar erros? Fica mal a todo o português (mais a um escritor, concordo; mas se for apenas uma confusão como as que assinalou, breve se desfaz e não desmerece a obra por tal razão (João Tordo disse em entrevista pública que a Maria do Rosário lhe corrigia os erros; e é um rapaz com imaginação). Nas escolas, os alunos têm uma carga horária em português que não é brinquedo. E mais apoios pedagógicos se for o caso. Mas a verdade é que no actual ensino básico (antiga primária) os erros não importam. Ninguém deixa de progredir por essa razão. Aliás, reter um aluno dá uma trabalheira tal que é preferível passá-los. E, portanto, no ensino público, chegam ao décimo ano e lêem mal e escrevem mal. A base está a falhar. Será que nenhum ministro/a vê isto?! Ou talvez os governos zelem pelos colégios particulares. Depois, muitos são os eleitos mas poucos os escolhidos. E não é difícil saber quais.
ResponderEliminarBoa tarde. Se me permites, uma sugestão para um publicação neste blogue seria: além dos erros gramaticais, que outros erros ou falhas ou inadequações se encontram geralmente nos originais, por exemplo, em relação ao estilo ou à estrutura etc? Creio que muito ajudaria os seus leitores aspirantes a escritores. Um abraço.
ResponderEliminarAinda fui dos que fizeram exame da quarta classe (4°ano) e ai de quem desse mais de 3 erros no ditado. Era certo que teria que repetir a quarta classe.
ResponderEliminarA desvalorização da ortografia é apenas um dos aspectos que revelam a falta de rigor do que se diz e pensa e é claramente visível em programas de TV e até em discursos de governantes.
E pelos exemplos, terei de concluir que não temos a geração mais preparada mas apenas a geração mais diplomada.
A ausência de um pensamento reflexivo é algo confrangedor.