Erros gramaticais

Divido com algumas pessoas o horror aos erros ortográficos. Acho deplorável que os jornais e as televisões cometam erros nos rodapés dos noticiários e nas notícias escritas, pois serão lidos por milhares de pessoas que confiam na sapiência desses meios; e agora, que há liberdade para todos escreverem na redes sociais, pior ainda: os erros estão mesmo por todo o lado, vindos por vezes de personalidades que até imaginávamos cultas, mas... Porém, o mais incrível é quando quem quer ser escritor (ou já o é) dá erros de palmatória ou confunde «iminente» com «eminente» (estou constantemente a encontrar este erro). Sei que muita gente me acha uma exagerada, explicando-me que em todas as épocas houve sempre gente a escrever com erros; mas agora uma amiga solidária manda-me um artigo de uma revista francesa que explica que os erros gramaticais não só ferem os ouvidos como... estão preparados?... fazem mal ao coração! É um estudo britânico feito no mês passado que o sugere, mostrando que a frequência cardíaca se altera quando deparamos com este tipo de erros e que o nosso stress aumenta em conformidade. E, se não acreditam, aqui vai o link, com o qual se podem entreter no fim-de-semana. Até segunda!


Les fautes de grammaire n’écorchent pas seulement les oreilles, elles nuisent aussi à notre santé - Edition du soir Ouest-France - 04/03/2024

Comentários

  1. "Lorsqu’il y a des erreurs par rapport à ce qu’on avait prédit, cette faute-là va être perçue comme une anomalie par le cerveau." Isto, julgo eu, pode ser extrapolado para outras zonas do saber e da vida.

    Fossem só os erros gramaticais a aumentarem o nosso ritmo cardíaco estariamos nós bem (certo, a MRP dada a sua profissão está decerto mais exposta a eles)

    Boas leituras, bom descanso!

    PS: Não sei se contribui para explicar este "desarranjo" gramatical, mas os resultados deste ano do Concurso Palavra do Ano 2024 poderão fornecer uma pista sobre o assunto: https://leiturasimprovaveis.blogs.sapo.pt/concurso-palavra-do-ano-2024-45208

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  2. Igualmente deploravel e ouvir erros de palmatoria da boca dos nossos "jornalistas",quer no radio,quer na televisao.
    "Ele disse que...fez-se...
    "Pesa duzentas gramas
    "Penso de que
    Enfim.Tanto mais havia a dizer...

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  3. António Luiz Pacheco15 de março de 2024 às 02:58

    Há erros a mais, sem dúvida, sobretudo nas ditas notícias de rodapé como também nas cachas. A justificação pode ser o facto de serem escritas em directo e não haver tempo de revisão. Aceita-se ainda que "doa" ver...
    Todavia, falo por mim, pior do que erros ortográficos ou gramaticais, doem-me mais os erros na construcção das frases, onde vejo mais do que ignorância a nefasta influência do português de outras partes do Mundo, quando deveria ser ao contrário, isto é, o nosso português original a ditar a regra. Não confundir com o uso de outros termos vindos de idiomas falados originalmente nos países com quem nos "entrecolonizámos" (existe?), como chá, varanda, bué, jindungo, abacaxi, canoa, jacaré... que têm essa origem e fazem parte do nosso vocabulário de língua viva! Falo da construcção de frases como " se vai fazer", apenas para dar um exemplo. Esses sim fazem subir logo a tensão!

    Saudações ortográficas e cardíacas cá da Cidade Morena!

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  4. Para além dos vergonhosos erros gramaticais que constantemente se veêm nos rodapés das diversas televisões também os estrangeirismos me fazem doer o coração.
    Do mesmo modo misturarem nos textos em português, artigos longos (e comentários) em língua que não a portuguesa, como por aqui se vê muitas vezes neste excelente blogue; parece-me uma snobeira absolutamente desapropriada, principalmente para quem sabe apenas português...e mal.

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  5. Horrível! Horrível! É tanto erro, mas tanto erro que uma pessoa (eu) chega a pensar se o defeito é dela (meu) ou se isso, os erros, não têm mesmo a importância que se lhes dá.
    O mês passado, escrevi este "post" no FB:

    Ao escrever nas ditas redes tipo Facebook ou o que seja, haja um pouco mais de cuidado nessa escrita. Que se faça uma rápida revisão, uma curta reflexão e que haja o "trabalho" e a simpatia de se fazer as emendas necessárias.
    É que milhares de pessoas lêem e fixam e absorvem no seu inconsciente a imagem da letra, da frase mal escrita, cheia de erros.
    Haja mais respeito por quem lê.
    E o ar descontraído " ah, que é que isso interessa, isto é só uma publicação de Facebook"...
    Pois por isso mesmo!
    Sao estas as publicações, actualmente, de grande alcance e quem achar que não, está enganado. Não ter rigor nas pequenas, nas pequeníssimas coisas tipo "feicesbuques", é não ter rigor em quase nada.


    Haja respeito por quem lê - é o que se pede.

    E esta é uma das exigências da leitura: respeito.

    Cristina Carvalho

    E já agora, aprende-se a ler e a escrever na escola. Depois, ao longo da vida, a aprendizagem prossegue e prossegue com leituras, muitas. E interrogações. E esclarecimento de dúvidas.

    Cristina Carvalho

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  6. Se os erros ortográficos involuntários fazem mal ao coração, que dizer então dos deliberados, isto é, dos que decorrem da imposição do AO90? Pode dizer-se que em Portugal, único país em que a aberração está disseminada, se corre o risco de eclodir uma catástrofe sanitária generalizada, ao nível cardíaco mas não só? ;-)

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  7. Então deve ser por isso que desde o último acordo ortográfico anda tata gente stressada (o menu do comentário não tem opções para pôr a letra em itálico. Espero não fazer mal ao coração de ninguém!).

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  8. António Luiz Pacheco15 de março de 2024 às 13:11

    Caríssimo Octávio, pena não haver forma de falar consigo a sós e peço desculpa, mas, lá está: - Diz-se "se corre o risco", ou em bom português deve dizer-se "corre-se o risco"?
    Acontece a todos, bem sei e não me estou a furtar, comigo também sucede, porém não é esta forma de escrita, uma cedência ao português do Brasil, com o seu "se faz" em vez de "faz-se"?
    Grande Abraço.

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  9. Ao analisar como o coração reage a erros gramaticais, este estudo revela que a nossa reacção fisiológica pode, na verdade, indicar o nosso conhecimento linguístico implícito.
    Ou seja, mostra que o nosso batimento cardíaco varia ao ritmo das regras gramaticais - ou da sua ausência!
    Ao ouvir um erro gramatical, o nosso coração tropeça, reduzindo a Variabilidade da Frequência Cardíaca (VFC), como se dissesse: "Ó pá, isto não soa bem!".
    Quem diria que o coração tinha um ouvido tão crítico para a gramática!?
    Esta descoberta abre perspectivas fascinantes.... Considerando que a medição da VFC pode ser realizada com dispositivos portáteis e discretos, propõe-se a seguinte experiência com validação científica:

    Uma editora convoca aspirantes a escritores trimestralmente, enviando um convite enigmático:
    “Queres ser escritor? Comparece no dia [x] no edifício onde estamos sedeados. Reparaste no estímulo inesperado ou na necessidade de processamento cognitivo mais intenso que activou o teu sistema nervoso simpático?”.
    Serão automaticamente seleccionados para enviar um manuscrito para avaliação aqueles que responderem com propostas originais, como:
    - um romance sobre um entomologista fascinado por mariposas domésticas;
    - uma anedota envolvendo um ourives que utiliza uma escova de dentes para limpar jóias;
    - um conto centrado na sericicultura;
    - uma novela erótica ambientada nas Torres das Amoreiras…

    Os demais candidatos, que aparecerem na sede da empresa no dia indicado, serão acomodados numa secretária, com uma caneta numa mão e o outro braço estendido com a mão sob uma palmatória. Diante deles será colocada uma folha com o texto:
    “Há dez anos atrás um iminente editor desta casa leu uma cinopse de um romance sobre ervas daninhas e interviu logo, por que reconheceu o potencial de um autor que viria a ser consagrado como um dos mais óptimos da sua geração. Esta é a tua oportunidade de nos mostrares por que devemos apostar em ti! Escreve um texto livre sobre o tema “coca-bichinhos” no resto desta folha.”

    O cardiologista de serviço decidirá quem avança para a próxima fase…

    Inspirado em "Physiological responses and cognitive behaviours: Measures of heart rate variability index language knowledge": https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0911604423000544

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  10. Caríssimo António, provavelmente é, e eu não me apercebo dela(s), dessas «cedências». Que não me preocupam por aí além: sei que emprego expressões brasileiras desde há muito, mas não uso certamente a «ortografia» de Vera Cruz; mais importante para mim é não cometer erros, tanto os «normais» involuntários como os «acordistas». E, sendo eu também ficcionista, poeta e prosador, sou adepto de uma certa liberdade, flexibilidade e criatividade na linguagem.
    Entretanto, se quiser falar comigo «a sós», ou seja, contactar-me directamente, pode fazê-lo através do endereço de correio electrónico indicado no meu blog.

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  11. O erro ortográfico não decorre ( de maneira nenhuma) do AO. O novo acordo não fomenta o erro. A discussão sobre este tema não vem aqui para o caso. Erros ortográficos e de construção frásica sempre existiram.

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  12. António Luiz Pacheco16 de março de 2024 às 15:03

    Boa idéia... não me lembrava já dessa opção!
    Imagino que não "abrasileire" conscientemente a sua escrita, óbviamente, mas como eu disse, às vezes calha...
    Olhe para dar um exemplo de arrepiar, ainda há pouco ao ler as notícias vi o seguinte: "Ministério da Agricultura determina recolhimento de 10 marcas de azeite"! Recolhimento? Valha-nos Deus! E recolha? Será arcaísmo? Ou vão pôr as marcas de azeite nalgum retiro?
    Ainda ontem um técnico brasileiro numa fazenda a que damos assistência me dizia que já espalhou o estrume e ia fazer o "gradeamento" do terreno. O termo técnico é "gradar" (passar com a grade de discos), mas os brasileiros insistem em dizer gradeamento, como chamam colheitadeira à ceifeira, e desfareladora à tarara. Eu perguntei-lhe se ia fazer gradeamento para vedar o terreno? Ele ficou a olhar para mim muito admirado sem perceber...
    Abraço aí para a terra do Inverno!

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  13. Luísa Santos diz:
    '' Pode dizer-se que em Portugal, único país em que a aberração está disseminada, SE corre o risco de eclodir uma catástrofe sanitária generalizada, (...) excerto da frase em causa mais acima.
    Esta frase está correcta. Veja-SE: (ou não SE veja...olha, olha aqui a ocorrer o mesmo :) )
    1 - Em Portugal ''corre-SE o risco de'' ... Certo!
    2 - Pode dizer-se QUE em Portugal (...) ''SE corre o risco de ...'' Igualmente certo! e a culpa é do QUE ( alguém que venha agora acrescentar explicações, que eu quero ter um domingo descansado. :) :) ;) )
    Luísa Santos

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  14. ALP,

    na frase aludida, "Pode dizer-se que em Portugal, único país em que a aberração está disseminada, se corre o risco de eclodir uma catástrofe sanitária generalizada..." a posição do 'se' está óptima e não é nenhum brasileirismo. Talvez se a ler assim, sem o aparte, também chegue a essa conclusão: "Pode dizer-se que em Portugal (...) se corre o risco de eclodir uma catástrofe sanitária generalizada...". Já agora, o que não está muito bem embora seja tão aceite que talvez se aceite (falo assim, evito escrever assim) é o da sua frase 'não me estou a furtar': nesse caso o 'me' está relacionado com o furtar e, para sermos puristas, não deveria estar tão longe dele. Correcto, correcto, seria 'não estou a furtar-me'.

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  15. Tem muita razão, como eu aliás disse... por distracção todos cometemos esse erro (?) ou estrangeirismo?

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  16. «O novo acordo não fomenta o erro.»

    Tem a certeza? Veja os exemplos seguintes (apenas dois entre muitos possíveis), e depois diga se mantém a sua opinião.

    https://sigarra.up.pt/fep/pt/teses.tese?p_aluno_id=99527&p_processo=17056

    https://rr.sapo.pt/noticia/pais/2024/01/31/uma-semana-depois-arranca-interrogatorio-a-suspeitos-de-corrucao-na-madeira/364976/

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  17. Octávio dos Santos,

    Como eu disse atrás, prefiro o antigo ao novo acordo, embora peça emprestadas coisas do novo, porque mesmo antes de ele ser aplicado, havia coisas no antigo de que nunca gostei (por exemplo, nunca percebi porque se " há de escrever 'há-de' ", nem nos meus tempos de primária, no princípio dos anos 70 – e sempre fui teimoso o suficiente para escrever à minha maneira quando não concordo).

    Quanto a 'corrução' e 'diagnóstico' nem o antigo nem o novo acordo fomentam esse erro. São apenas uma estupidez de quem não percebeu os pressupostos do novo acordo.

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  18. 'corrução' e 'dianóstico' , quero escrever. São tão parvos, esses erros, que nem o corrector do sapo os deixa passar e esqueci-me de mal-escrever o segundo...

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  19. O purismo é por vezes pior que os erros. Há muitos exemplos acima.
    E a língua evolui tanto, que frequentemente é difícil dizer o que é erro.

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  20. Isso, Anónimo, tem o seu quê de verdade, mas o seu grande quê de desculpa dos que não sabem escrever... Prefiro ser purista. Quando um dia me publicarem, se acaso um dia me publicarem, e se eu já estiver morto, que assassinem a minha escrita, tendencialmente cuidadosa na ortografia, na semântica e na sintaxe. Ainda assim, sempre com um lapso ou outro, que hei de eu fazer (não 'hei-de', à antiga: não gosto). Preciso de escrever assim, ao menos na intenção. Note-se, não escrevi 'preciso fazer assim', que é como soa bem à maioria das pessoas, amigos inclusive, que me acham um dequeísta... Enfim, não gosto de errar de propósito.

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  21. «Quanto a "corrução" e "dianóstico" nem o antigo nem o novo acordo fomentam esse erro. São apenas uma estupidez de quem não percebeu os pressupostos do novo acordo.»

    Será que você não se apercebeu de que a segunda frase contradiz a primeira? É óbvio que os pressupostos - os estúpidos pressupostos - do AO90 fomentam os erros, precisamente porque são de difícil, ou até nula, compreensão.

    Eu indiquei-lhe acima dois erros, e fiz notar que há muitos mais. Pode confirmá-lo neste meu artigo no Público (em 2015)...

    https://www.publico.pt/2015/03/13/opiniao/opiniao/apocalise-abruto-1688911

    ... mas, se não conseguir ter acesso a ele, pode consultar uma lista ainda maior aqui:

    https://cedilha.net/ap53/caos/

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  22. ahaha...

    Chame-me burro, se quiser, mas continuo a não perceber como o novo acordo fomenta o erro... Fomenta-o como toda a regra mal entendida. E, repito, não uso o novo acordo, ou só uso o que ele tem de bom. Por exemplo, para dar mais um, detesto maiúsculas desnecessárias, não gosto delas nos meses, etc. Também não gosto do 'você', mas isso não tem que ver com o novo acordo, confesso que tem que ver com a minha tendência antiburguesa.
    À parte isto, parece-me que a discussão (discussão no sentido de troca de opiniões, entenda-se) vai-se tornando estéril. Nenhum de nós vai mudar de opinião. Continuarei a escrever como escrevo, o mesmo acontecerá consigo.

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  23. A discussão não tem que se tornar estéril nem limitar-se a troca de opiniões: pode, e deve, incluir factos, como aqueles que estão nas duas ligações que indiquei. Afinal, viu-as/leu-as ou não?

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  24. E o irritante “tem a haver com” em vez de tem “a ver com…” ?
    E outros erros que tais….

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