Araucária
Lá em casa raramente vemos televisão (o futebol... enfim, notícias às vezes, pouco mais); mas um dia destes, já não sei bem porquê, estive a assistir com muito agrado a um pequeno documentário sobre a Capicua, que é uma pessoa que fala... e escreve... muito bem; então, lembrei-me de a mencionar aqui no blogue, pois não é todos os dias que uma rapper escreve livros com cabeça, tronco e membros e, sobretudo, sai da sua zona de conforto para escrever um disco inteirinho para uma fadista. Pois é, no dia 22 saiu Metade-Metade, de Aldina Duarte, um álbum que fala muito da natureza (que é também tema de algumas das obras de Capicua) e no qual, sobre as melodias do Fado Tradicional, ressaltam poemas belíssimos que dá gosto ouvir (e ler). O single de promoção está no link abaixo, e é também muito bom ver como é límpida e perfeita a dicção da fadista (são raros os cantores que dizem assim os versos das canções), uma amiga que adora a literatura e está sempre a inventar coisas magníficas, como um disco de fado escrito por uma rapper... Eu, que adoro árvores, fiquei rendida.
https://youtu.be/3-j7TKIgoXw?si=X2wbSiOTjr0if-9I
Bom-dia gostei de começar por ouvir a sugestão musical que dispõe bem!
ResponderEliminarConcordo com a apreciação que faz de Aldina Duarte, que tem de facto uma voz límpida e perfeita dicção, além de ser harmoniosamente musical - evidentemente.
Gosto muitíssimo de fado! Acho que actualmente faz e canta-se muito bom fado. Contrariando os puristas, parece-me que este género musical evoluiu e abriu-se a um público mais alargado o que o popularizou e preservou, permitindo o espectáculo em vez de o fechar no ambiente soturno e gótico que o caracterizou, sem o desprezar, é claro.
Uma sessão de fados num jantar depois de uma corrida de toiros, entre artistas e convidados, naquele ambiente peculiar, é algo que nem todos experimentaram mas deveria ser vivido, pois a autenticidade e o clima são inigualáveis.
Já a Capicua... enfim, o rap não é o meu género musical preferido, se bem que não me pareça que ela cante mesmo rap, pelo menos puro e duro. Mas faz parte das sonoridades que não são a minha opção. Há misturas de jazz/rap/hip hop de que gosto muitíssimo, mas rap mesmo, confesso que até que me agride. Tal como não gosto de lieder... agride-me igualmente e na minha ignorância musical coloco-os no mesmo patamar sonoro.
Araucaria é uma árvore mágica pelo seu tamanho e por alguns sítios onde estavam e me marcaram de algum modo. Igualmente me leva sempre para um dos meus livros preferidos de Emilio Salgari, "A Estrela de Araucania", que associo à árvore mesmo pouco tendo a ver, apenas a região geográfica.
Isto para falar de livros!
Saudações musicais e nostálgicas cá da Cidade Morena.
Bom dia
ResponderEliminarFui investigar, pois o single de promoção caiu-me no goto.
Encontrei esta frase, numa das lojas que vendem o disco:
"Este disco é uma declaração de amor à natureza, à liberdade e à poesia. E, também, uma grande incerteza sobre o futuro da Humanidade; a urgência de nos reencontrarmos com a nossa forma de inteligência comunitária, de reaprender o nosso lugar no planeta, [mudando a visão antropocêntrica danosa], temos de nos salvar de nós próprios: o corpo humano não aguenta temperaturas acima dos 50° e não sobrevive sem água, por exemplo. Não é o planeta que tem de ser salvo é a espécie humana. Não somos feitos para a virtualidade ou para a solidão, precisamos dos outros para nascer, crescer e morrer. O sentimentalismo e a censura em vez da solidariedade e da coragem é uma desvalorização do melhor que somos capazes: pensar, sentir e criar. O dinheiro em vez do poder do conhecimento. A fama em vez da competência. A consciência em vez da negação."
Certo que muita gente concorda com o que atrás foi citado, e que a arte nas suas variadas formas fazem a análise e a crítica da sociedade, a grande questão continua a ser como desatar o nó górdio, como mudar paradigmas. (Outro exemplo muito menos poético, mas nem por isso mais certeiro, aqui https://leiturasimprovaveis.blogs.sapo.pt/hola-buenas-noches-50825)
Tal como no Titanic, pode sempre servir de consolo ouvir a orquestra, se nos conseguirmos abstrair do contexto.
Boas leituras!