Amor, ciência, comida e muito mais

Já aqui falei de Os Dias de Saturno, de Paulo Moreiras, um romance escrito há uns anos que o autor quis aperfeiçoar e que regressou às prateleiras das livrarias no mês passado pintado de fresco. Como tudo aquilo a que o Paulo Moreiras nos habituou, não só a história é admirável, cheia de peripécias e reviravoltas surpreendentes e tragicómicas, misturando personagens reais e fictícias, amor e comida, como a linguagem é incrivelmente cuidada, com expressões deliciosas que ele resgata da literatura pícara e das centenas de dicionários que consulta. Amanhã será o lançamento desta nova versão em Lisboa, e a apresentação caberá a um outro escritor, João de Melo, que é um autor que, ao contrário de muitos, sempre leu as gerações de escritores que lhe sucederam, e é também um excelente orador, pelo que vamos ter de certeza um bom momento! Vemo-nos lá? Aqui fica o convite.


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Comentários

  1. António Luiz Pacheco13 de março de 2024 às 08:54

    É lá, isto hoje demorou!!! T'ávaver que não... eheheh! Hum, isto será expressão pícara? Ou apenas calão?

    Bom, ontem foi o Gabriel García Márquez (escrevi bem em castelhano?), hoje é o Paulo Moreiras, portanto dois dos autores que leio sempre com muito prazer.
    Algo os une, diria eu, a saber: os personagens dos seus escritos, de quem nos tornamos comparsas.
    Para mim é algo de muito importante num romance, o meu envolvimento com os personagens, ir com eles, andar com eles, acompanhá-los na idéia como que físicamente e estabelecer laços. Depois, quando chegamos ao fim do romance, ficamos com pena... é como se perdêssemos um amigo, ou amigos, temos saudades e até nos lembramos deles em diversas ocasiões ou situações, como se fossem pessoas de carne e osso. É até frequente reconhecermos pessoas conhecidas, amigos, parentes, nos personagens, e, não menos raro identificarmo-nos com eles, mas o importante é estabelecer esse laço de amizade, essa ligação. Considero que começa aí a genialidade do autor.
    Paulo Moreiras tem esse dom, para lá das descrições e devo realçar que aliás faz-me identificar bastante com ele mesmo e repito, tenho a certeza que passaríamos tardes bem passadas a seguir a uma valente almoçarada, dizendo parvoíces, a rir e contar histórias, bebendo uns copos, como fazem os amigos!
    Só estou à espera de portador para me trazer o livro que a minha mulher já comprou, leu e gostou, já comentou que é mesmo o meu género, eheheh!

    Votos de um lançamento animado e seguramente que bem conversado, só tenho pena de não poder ir.
    Grande abraço ao Paulo Moreiras, cá desde a Cidade Morena... há por aqui cada personagem... nem se imagina!

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  2. Nunca encontrei ninguém que parecesse em concreto a personagem deste ou daquele romance lido. Mas já tenho encontrado personagens de romance, que vivem naturalmente, ignorantes de que são personagens de romance.

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  3. António Luiz Pacheco13 de março de 2024 às 13:34

    Vai perdoar e estimo que não tome por impertinência aquilo que vou responder, porém, se nunca encontrou ninguém que lhe parecesse fconcretamente uma personagem de romance, ou, lê muito poucos romances - o que não me parece de todo - ou, conhece poucas pessoas... e isso já não sei. Mas imagino que também não... pode ser apenas uma questão de desatenção.
    Repito, não é impertinência, mas entenda que ao contrário de si, eu, estou constantemente a encontrar personagens de romances nos meus conhecimentos. Aliás e deixe-me explicar-lhe, acho extraordináriamente divertido fazê-lo, é uma espécie de desafio até. Não é invenção minha, foi um exercício que em tempos fizémos na aula de francês com a professora do 3º ao 5º ano, a Dra Irene Mendes (?), a propósito de Moliére. Gostei tanto das comparações que foi coisa que mantive até hoje.
    Experimente e vai ver que é estimulante tanto para a imaginação quanto para a nossa memória literária!

    Saúdo-a com consideração, cá desde a Cidade Morena.

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  4. Os meus cumprimentos à cidade morena:). É mais ou menos o que disse: o meu imaginário anda por outros caminhos, e senta-se muita vez. Não lhe ocorre comparar personagens com gente viva, real. Talvez seja respeito, mas pode ser por falta de interesse. Contudo reconheço em alguns romancistas a excepcional qualidade de, com palavras, desenhar em corpo e mente uma personagem.

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  5. Bom dia! Agora, só falta a reedição d' O Ouro dos Corcundas, esgotado em todo o lado e que aguardo ansiosamente. Obrigada por tudo o que partilham. Já fazem parte do meu dia a dia.

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  6. Ah! Já me esquecia. Quem lê Eça reconhece, com certeza, personagens com as quais nos cruzamos todos os dias, ao vivo ou pela televisão, só com um figurino mais contemporâneo.

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