Amor, amor

Ando, como sabem, sempre à volta de palavras e de relações entre elas, tantas vezes do que parecem ser e não são. E um dia destes aprendi algo que não sabia. Apanhei já não sei em que texto que estava a ler uma referência aos «agapantos», uma palavra que não parece, vão desculpar-me, nome de flor, muito menos de uma flor leve, empoleirada num caule fininho, que parece desintegrar-se a qualquer momento se uma rabanada de vento sobre ela soprar. Fui à procura da origem deste nome e descobri que «agapanto» significa «a flor do amor» porque «agape» em latim é amor e «anthos» flor. Confusa sobre a explicação do «ágape» que, para mim, era um banquete bem fornecido, encontrei a justificação: é que «ágape» não é simplesmente uma comezaina, como eu pensava, mas uma refeição de confraternização, ou seja, um banquete entre amigos, gente fraterna, que os primeiros cristãos faziam juntos: um banquete, em suma, onde há amor. Gostei de saber, claro.

Comentários

  1. António Luiz Pacheco20 de março de 2024 às 02:16

    Amor e comida estão intrínsecamente relacionados, sem dúvida no que a mim diz respeito.
    O caminho para o coração do homem (e da mulher, diga-se) passa pelo estômago. Diz o adágio e é bem verdade, pois que "com papas e bolos, se enganam os tolos".
    Jantares românticos! Quantas relações amorosas não começam por um convite para jantar, sempre cheio de significado. Aliás é um clássico na literatura.
    Uma refeição pode constituir um acto de amor, e, tantas vezes o precede como está provado à exaustão, mesmo e sobretudo na vida real.
    A comida é objecto de amores profundos, havendo muitos cultores desse amor. Epicuro bem entendeu que através do prazer se atinge a felicidade, o que implica, portanto, os prazeres da mesa, no que me parece bem verdade, pois poucas coisas dispõem tão bem como uma boa refeição que apela mesmo à generosidade e aos bons sentimentos.
    Claro que há quem coma apenas para se alimentar, mas normalmente é entre os que comem por prazer que se encontra essa reunião de bons sentimentos. O que não significa que os ascetas não os possuam igualmente, mas estes são raros e o seu alimento é outro, o do espírito.
    Reparem que é tão velho quanto a humanidade, juntarmo-nos para "refeiçoar". Por exemplo, é tradicional os grupos de trabalhadores à hora do almoço, que desde sempre tendem a juntar-se e comer farnéis em conjunto, em cavaqueira e num momento de descontracção. O momento diário de se sentarem à mesa os membros da família, em reunião e comunhão, na partilha de alimentos mas também de espírito.
    Há tantos motivos para almoços e jantares, comemorativos, de trabalho, de convívio, de celebração, de boas-vindas, de despedida, familiares, sei lá eu, que deveras não espantará ninguém esta associação entre o amor e a comida.
    Aqui em Angola a comida é algo de muito sério. Usa-se por cá a habitual "sentada", que é uma refeição alargada e prolongada, entre familiares e amigos, pelo simples motivo de se reunirem e celebrarem em conjunto a amizade, o amor e a comida.
    Portanto é também algo de Extraordinário, e, veja-se o quanto é tema e é usado na nossa bem-amada literatura!

    Bom-proveito, são os meus votos cá desde a Cidade Morena.

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  2. Maria do Rosário Pedreira e António L. Pacheco, bom dia, bom início de estação colorida!
    Gostei mt dos post de ambos... a florir a manhã, a darem o mote para os dias que crescem.

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  3. O anónimo gosta de se chamar Terra de Mel, nome retirado de uma tema que faz parte do álbum com o mesmo nome, de Eugénia Melo e Castro... a chamada canção das nossas vidas. Não gosto de me expressar sem identificação. Fica a correcção. Terra de Mel (josé M. Reis).

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  4. A palavra existia em latim, mas é de origem grega. Ainda existe hoje, no grego moderno, com o significado de amor.

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  5. Olá, Ana Teresa Alves,

    Há que acrescentar que os gregos tinham imensas palavras para o amor. Ágape (transliterado) é uma delas, que designa, se bem me lembro, o amor a membros da família, o amor relacionado com a empatia. Há muitos mais amores, pelo menos dos que me lembro de um trabalho científico que fiz, na área da psicologia, e além do ágape: Eros (o amor-paixão, o amor erótico, Ludus, Philos (o amor a si mesmo), Mania, Philia (muito próximo do conceito de amizade), Pragma (o amor-companheirismo, Storge... Enfim, dizer que ágape significa amor é muito reducionista, na minha opinião. Será algo como amor compassivo, um amor entre familiares, etc...

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  6. e faltam bué de parênteses no que escrevi atrás :)

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