Adaptações

Um dia destes fui, muito curiosa, ver o filme Zona de Interesse. Tinha lido o maravilhoso romance homónimo de Martin Amis em que a película se baseia e queria ver como o cineasta Jonathan Glazer o transformara numa outra linguagem. Acho que preferimos quase sempre o livro, mas respeitamos uma metamorfose bem feita; neste caso, fiquei desiludida, pois o humor britânico de Amis (tão criticado por se tratar de um livro sobre um assunto demasiado sério: a gestão dos campos de extermínio), presente desde logo na invenção de um nazi que tem uma vida de dandy paredes-meias com o campo de Aushwitz, não aparece quase nunca no filme, que se desenha completamente germânico e frio, se calhar como convém ao realizador. Outro filme que me deixou curiosa e deve ter estreado há dias foi O Vento Assobiando nas Gruas, da realizadora suíça residente em Portugal Jeanne Waltz, que nos leu e avaliou muitos originais na Temas e Debates quando eu era lá editora e publicava então muita ficção portuguesa. Desta feita, trata-se de um romance de Lídia Jorge que decorre nos anos 1990 e conta uma história de amor. Vamos ver?

Comentários

  1. Bom dia

    Apesar de bastante puído, a temática de Zona de Interesse (autoritarismo, holocausto) parece ter, infelizmente, voltado a ser algo estupidamente actual. Amigos meus também não apreciaram. Porém, permanece na minha lista de desejos (mórbidos?).

    Assoberbados pelo cinema americano - não será isso uma forma de colonização suave? - e ainda por cima em época de Óscares, O vento assobiando nas gruas passaria despercebido sem estas chamadas de atenção. Vou ensaiar a missão quase impossível de ir vê-lo com a minha prole, devotos de Holywood e de pipocas (excepto quando acompanhados pelo o "pai tirano")

    Boas leituras!

    PS: Já que falamos de cinema, e para quem se interessa sobre o tema - cada vez mais complexo - da educação, sugiro A sala de professores. Deixo aqui a minha opinião https://leiturasimprovaveis.blogs.sapo.pt/a-sala-de-professores-41681 para quem tiver tempo, interesse e pachorra.

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  2. Também gostei bastante mais do livro. O filme fechou-se um pouco demais na família do comandante do campo. Julgo que a componente do livro que mostrava a dialética entre as duas faces da mesma guerra para a Alemanha, exterminar os judeus ou utilizá-los como escravos no trabalho industrial das fábricas ligadas ao esforço de guerra, ambas presentes em Auschwitz, foi uma componente abandonada no filme e que foi uma mais-valia do livro. Como era possível, paredes-meias do holocausto conversar-se sobre a disposição de vidas humanas daquela forma, quase com uma lógica de Estado, que infelizmente foi o que permitiu a tantos homens cumprir funções tão abjetas.
    Miguel Henriques

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  3. É importante, e mesmo fundamental, que obras como «A Zona de Interesse» - tanto o filme como o livro em que se baseia - continuem a ser produzidas e divulgadas. Vem juntar-se a uma longa lista de trabalhos artísticos - que inclui, precisamente, «A Lista de Schindler» - que desde o final da Segunda Guerra Mundial serviram, mais do que para entreter, também para recordar e denunciar os horrores cometidos contra o povo judeu. Infelizmente, e para muitos, «quem esquece a História está condenado a repeti-la», e actualmente assiste-se, com espanto e indignação, a manifestações de anti-semitismo que há pouco tempo se diria serem impossíveis, e que se insurgem contra o direito - e o dever - de Israel se defender de autênticos neo-nazis, porque é isso que o Hamas e todas as organizações terroristas de extremistas muçulmanos são, que não hesitam em agredir, torturar, violar e matar pessoas, inocentes, que seguem outras religiões, e que, ao mesmo tempo, não se incomodam em fazer dos seus próprios compatriotas escudos humanos, lançando ataques e atentados a partir de escolas, hospitais e instalações de agências humanitárias. E, quais aprendizes de Joseph Goebbels, mentem constante e descaradamente, pelo que nenhuma «informação» vinda deles, sobre números de vítimas ou qualquer outro tema, é minimamente digna de crédito.

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