25 de Abril para todos

Na semana passada, uma das minhas sobrinhas mais novas, que anda (creio) no décimo ano, foi entrevistar o tio lá a casa sobre o 25 de Abril. Por muito que tivesse ouvido falar da Revolução, não a viveu na pele e não tinha noção de muitas coisas que se passaram antes desse dia. E, como precisava de fazer investigação para um trabalho escolar e os pais eram ainda demasiado novos em 1974, optou pelo tio, que assistiu em directo a esse «dia inaugural» e que, antes disso, tinha estado envolvido em lutas académicas e acções clandestinas. Ficámos contentes por saber que teve 18 valores no trabalho! Mas, para que os mais pequeninos possam saber o que foi realmente o 25 de Abril, há um livrinho ilustrado publicado na Dom Quixote muito útil e elucidativo chamado O Meu Primeiro 25 de Abril, da autoria de José Jorge Letria e com ilustrações de Helder Teixeira Peleja. O ilustrador já nasceu em Democracia (em 1978), mas o autor do texto era em 1974 jornalista e cantautor e viveu com grande emoção esses dias de alegria na cidade de Lisboa ao lado de pessoas como Zeca Afonso e conta neste livro aos meninos e meninas como tudo aconteceu. É uma boa introdução ao assunto para os piolhos. E aconselho-o porque estou farta de encontrar adolescentes que não fazem já a mínima ideia do que foi este dia tão importante para Portugal.


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Comentários

  1. Se fossem só adolescentes... Por vezes parece que os mais crescidos também se esqueceram... Mas mais importante que celebrar esta ou aquela data, sem dúvida importante para recordarmos as lições da história, é unirmos esforços para enfrentar juntos os desafios do futuro.
    Boas leituras! Boa Páscoa!

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  2. António Luiz Pacheco28 de março de 2024 às 04:43

    Eu não quero ser do contra, mas vejamos:
    - O 25 de Abril de 1974 aconteceu há 50 anos!
    É muito tempo, e, com o tempo dilui-se a importância do acontecimento que passa a histórico. Lamento desiludir alguém mas é assim mesmo, tempus fugit!
    Também eu vivi o 25 de Abril, tinha 19 anos. Mas para o meu filho e sobrinhos, é apenas uma data, mais uma, a história é feita de datas e todas elas importantes.
    Tão histórico é hoje o 25 de Abril como era para mim o 5 de Outubro, em relação aos meus avós, que viveram o acontecimento, eu só ouvindo falar nele.
    A implantação da república é no mínimo tão importante quanto o 25 de Abril ou foi antes disso o 1º de Dezembro!
    Portanto, que se festeje sim, mas só tem a importância que lhe damos enquanto forem vivos os que o fizeram ou viveram. Como faz sentido aliás, não é nem mais nem menos do que outras datas como os dois exemplos que citei, aliás e de todos, se calhar o 1º de Dezembro ainda é a data mais importante! Só que foi em 1640... a independência de Espanha não significa nacionalizar o El Corte Inglés ou fechar os Mercadona, faço notar.

    Entretanto, o 25 de Abril e suas comemorações passaram a ser mais um negócio!

    Votos de uma Extraordinária Páscoa a todos, comam chocolate e amêndoas, folar e borrego! Eu por cá me fico, na Cidade Morena, indo passar estes dias à fazenda do Carivo, onde calha andarem 3 onças (leopardos) a matar vitelos. Desde Janeiro já feriram ou mataram 20. Isto é África, convém não esquecer onde estamos...


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  3. Em que medida encontra que o 25 de Abril seja um negócio?! Acaso se faz negócio com o 1º de Dezembro de 1640?! Acho deveras triste que se vivam feriados sem qualquer conhecimento daquilo que significam; nomeadamente os que são feriados civis e nacionais. Parece um desapego terrível. O desejo do bem comum não tem nascimento espontâneo, temos de o ensinar e cultivar. Porque vivemos essa revolução, estamos moralmente comprometidos a ensinarmos o que significa sem esquecer os tantos que morreram ou sofreram para que a liberdade existisse. Para que hoje ainda possamos dizer que vivemos em democracia e fiquem todos com vontade de a defender. Sem isso, tal como estamos, o caminho democrático estreita cada vez mais. Gosto bastante das obras e José Jorge Letria, adquiri algumas. Mas, para o 25 de Abril, que não está tão longe como outros acontecimentos nacionais, o melhor é o contacto com quem o viveu, o exemplo. Se não for agora, quando será?! Quando só existam os livros para contá-lo. Há esquecimentos e omissões que me parecem criminosos.

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  4. António Luiz Pacheco28 de março de 2024 às 15:51

    Negócio, são por exemplo os muitos espectáculos a que dá motivo, ou as edições de livros, discos... nada de novo e nem critico, só constato.
    No resto, até nem discordo de si, mas veja-se que o 25 de Abril só vale para as gerações que o fizeram e viveram, óbviamente. Tal como o 5 de Outubro não valeu já nada para a minha e a sua geração, tendo embora valido muito para a dos meus avós. Para mim foi apenas história.
    É simples de entender. Acontece em tudo, por muito que lhe custe, mas é o que se está a passar e é a ordem natural das coisas.
    Para ter havido 25 de Abril, tiveram de haver conjurados... e hoje isso diz-lhe alguma coisa?
    Não estou a desprezar as datas e os acontecimentos, apenas constato o que é um facto: com o tempo perde-se o sentido do acontecimento.
    Enfim é a minha opinião, que sou capaz de dar valor ao 25 de Abril, pois sem ele não estaríamos aqui livremente a expressar opiniões. Mas explicar isso a quem já nasceu nessa condição?

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  5. Talvez o importante não seja quem viveu o 25 de Abril mas quem viveu o antes e pôde assistir a esse "golpe". Eu tinha 19 anos, havia começado a trabalhar para um patrão aos 12, saía de casa às 7,30 e regressava por volta da meia noite, depois das aulas nocturnas num externato (pago) para fazer o curso "dos liceus" que não tinham aulas nocturnas.
    Depois do 25 abril, durante meia dúzia de anos, envolvi-me em actividades políticas e sindicais.
    Ao longo destes anos conclui que da extrema esquerda à extrema direita há apenas interesses e para os manter os políticos vão alimentando o seu nicho de mercado.
    Atendendo à quantidade de arguidos ligados ao poder, devo concluir que aquilo que verdadeiramente mudou foi o acesso aos benefícios da corrupção, que se tornou mais democrático.
    A impunidade mantém-se.

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  6. Mas é claro que os conjurados me dizem muito, durante anos contei essa história de fio a pavio. Que o 5 de Outubro me diz bastante apesar da trapalhada que foram os primeiros tempos da República e de ter envolvido mortos que não eram espanhóis e lutas entre civis. É história? E depois, não vivemos todos dela e dessa gente intrépida que tomou gosto por mudar o estado das coisas?! Sem eles, quem e o que seríamos?

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  7. Este é um espaço de livros, sobre eles que nos contam histórias ora ficcionadas, ora reais. Por aqui, passam, devoradores de obras, amantes de vidas e narrativas contadas. Lá fora (do site) e aqui também, sabe-se e pensa-se sobre o que nos dizem os factos: do desconhecimento deste país passado, da desconexão, do desenraizamento, da desinformação que origina "grandes invenções" e grandes ideias idiotas, da fuga a construir uma nação num todo de forma a podermos ser mais unos, de não varrermos apenas até onde a porta se fecha e começa a rua... Contrariar tudo isto pode alicerçar-se por via do conhecimento, do reavivamento, sendo que parte dele está nos livros, nesse passe para a consciencialização, para a cidadania. Será que esse receio em passar o testemunho da história recente remete para os fantasmas enraizados, para as ideias pré-concebidas de quem julgamos nós próprios ser o bom, o mau e o vilão!? Que mal vem ao mundo de darmos a conhecer a história a que assistimos e a que muitos viveram antes da revolução? Talvez daí, do passar uma pano sobre realidades, de interesses históricos, nasça a ignorância, a má formação, a estupidez que nos leva a acreditar levianamente nas "histórias" que nos tentam fazer encaixar, e que levam 20% dos Portugueses a adquirir banha da cobra apregoada por feirantes sem mais valores que não sejam o do próprio umbigo. Sobre a culpa ser sempre dos políticos, é lerem a crónica de Miguel Sousa Tavares (sempre certeira) no Semanário Expresso deste fim‑de‑semana.

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