Um romance multipremiado

Espero que tenham passado bem esta semana. Hoje, às 18h30, realiza-se a última mesa das Correntes d'Escritas no Instituto Cervantes, em Lisboa. Entre os participantes, estará Pilar Adón, a escritora espanhola do multipremiado De Bestas e Aves, que conta a história de uma pintora que conduz em plena noite sem saber que está prestes a chegar a Betânia – uma espécie de território fora do mundo, habitado por cabras, cães e mulheres que, no entanto, parecem estar à sua espera Ela não contou a ninguém para onde ia, nem levou telemóvel porque não pensava demorar-se. Detém-se ali apenas porque se perdeu e precisa de gasolina para regressar a casa. Desconhece, porém, que, para lá do portão a que bate, as mulheres se vestem e comportam de forma bizarra, que há entre elas uma menina sem pais que não vai à escola, que um estranho aparece de vez em quando a reclamar a casa, que um lago delimita as fronteiras do terreno, sobrevoado por aves de rapina. Não quer estar ali, mas algo lhe diz que aquele pode ser o último lugar da sua vida. Num romance em que, de forma super-inventiva, nunca ninguém responde ao que é perguntado, mas dá uma resposta mesmo assim, o leitor é convidado a descobrir uma escrita «em estado puro», segundo o jornal ABC. O romance foi galardoado em Espanha com o Prémio Nacional de Ficção, o Prémio da Crítica, o Prémio Francisco Umbral/Melhor Livro do Ano e o Prémio Cálamo, na categoria «La outra mirada», tendo ainda sido finalista do Prémio Dulce Chacón de Romance e nomeado para o Prémio Bienal de Romance Mario Vargas Llosa.


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Comentários

  1. Mas nos dias de hoje, alguém vai a algum lado sem levar o telemóvel?

    No lo creo...
    Saudações palúdicas cá da Cidade Morena, ás vezes lá me calha...

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  2. O livro parece interessante, mas cada vez me chateiam mais as sinopses que contam a história quase toda (válido também para os trailers dos filmes). Um dos livros que mais gostei de ler no ano passado, A Breve Vida das Flores, tinha um spoiler monumental na sua lombada - daqueles que estragam mesmo a leitura, até quase ao final. Tanto que, quando o emprestei recentemente, colei um papel sobre essa sinopse, com uma nota para não o descolar, sob pena de estragar o prazer da leitura. Na fossanguice de vender livros, alguns editores perdem completamente o respeito pelos leitores.
    Filipa

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  3. A atribuição de um prémio literário não significa que seja um indicativo relevante, mas se forem vários já o caso muda de figura. A ver.

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  4. Sinto exactamente o mesmo. Tanto, que não leio as sinopses dos livros que vou ler. E antigamente, fazia-o.

    Continuação de excelentes leituras para todos!

    Celeste Silveira

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  5. Fiquei interessado... somei à lista... o que ajudou a introdução à história.
    Também gosto da capa.
    Boa semana!

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