Palavras racistas

Lisboa é negra há muito tempo, pelo menos desde o século XVI, mas o Norte de Portugal, em comparação, é branquinho como a neve. Não sei se há mais racistas na capital ou nas cidades a norte, mas a língua que falamos é a mesma em todo o País (embora, claro, uma meia dúzia de portugueses se expresse por teimosia em mirandês e haja muitos regionalismos, alguns com um sabor tão doce e vivo que deveriam ser adoptados em toda a parte). Reparou, porém, uma escritora nas Correntes d'Escritas que, de norte a sul, usamos palavras «racistas» há muito tempo; e, para exemplificar, falou de «esclarecer» e «denegrir», associando o que é positivo (tornar claro) aos brancos e o que é negativo (escamotear) aos negros, olhando com atenção para as raízes destas duas palavras (claro/negro). Não sei se a opinião não será um pouco forçada, e a criação dos vocábulos nada tenha que ver com gente, e sim com claridade e escuridão, mas que tem o seu mistério, lá isso tem... E dizer que alguém que fez uma coisa horrível devia «pintar a cara de preto», pensando bem, ainda é mais esquisito.

Comentários

  1. Estamos tão cansados do "politicamente correcto", e daqueles que se queixam do "racismo" quando as mais das vezes são esses os verdadeiros racistas... já "percebemos" que a culpa é somente do "Homem branco"!



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  2. O mais negro é que cada vez mais os portugueses se expressam pior, frases curtas (sim/não/bué); é uma dôr d'alma ouvi-los na TV bolsarem asneiras.

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  3. Bom dia, MRP.
    Não fazer judiarias (demonstração) remete para o todo que é um povo e será uma forma de o injuriar. Como esta frase e palavras existem tantas outras cuja conotação é daninha, conforme todos sabemos. Porém, acho que não podemos ser extremistas e esmiuçar todo o uso de linguagem... por exemplo, no seu texto exemplificativo, sinto que as conotações se endereçam à luz, espiritual, metafísica, ao receio e ao medo que a escuridão em si encerra, versus o seu contrário que indicia vida. Podemos e devemos fazer estudos das coisas, debruçarmo-nos sobre elas e as questões que levantam, mas não estaremos a ser demasiado detalhistas numa parte desta problemática actual? Pois não sei, mas sinto que se está a cair demasiado em radicalismo, nalguma "tontaria". Um modo de evoluir não seria educar, explicar, ir ao cerne da nossa evolução, sem deixar cair aquilo que é? Não podemos apagar os factos e negar que existe (exemplo) gente de tez branca, amarela, preta? Porquê tantas pinças à volta do termo para designar o Africano (exemplo): negro, preto, afro. Julgo que todos nós humanos possuímos brio naquilo que é, nas nossas origens, na nossa terra que por vezes é pequeníssima e sem graça. Porquê as pinças se deveríamos sim canalizar todas as forças, efectuar uma análise, estudar, explicar, colocarmo-nos no lugar do outro e vice-versa. Tudo, sem receio das palavras, apenas da desinformação, das histórias mal contadas, das injustiças, do quão maus somos uns para os outros. É um tema melindroso, tanto mais quando colocado em meia dúzia de palavras que serão lidas por quem não nos conhece... um tema complexo. "Pintar a cara de preto", ainda que a sua raíz até possa não ter surgido do humano Africano, é ou tornou-se sim uma amostra de racismo, termo perigoso, a erradicar. Essa limagem vai ser demorada mas um dia será conquistada, espero que com inteligência. Entretanto, outras questões vão surgir, continuaremos a complicar o quotidiano e as nossa relações, e estou a lembrar-me da questão do género...

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  4. A novilíngua de Orwell transposta para a realidade. As palavras são o que fazemos delas, o seu contexto, a sua origem e o que queremos dizer com elas. As línguas e a Língua Portuguesa está sempre em evolução e mutação, mas não devemos nem podemos ser censores, preconceituosos. Não somos donos de nenhuma língua. Ela vive por si através de quem lhe dá uso. Não há palavras más nem boas. Todas são essenciais e todas devem permanecer, mesmo que estejam em desuso ou esquecidas. As palavras são importantes para nomear a história, para entender a sua origem. Personalizar as palavras, dando-lhes caracterisicas negativas creio que é um mau caminho sem luz, para não dizer das trevas...

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  5. Um carro, uma faca, uma substância química, entre outras coisas, não foram criadas para matar, mas matam. Palavras e frases, salvo excepções, não terão sido criadas para ofender e humilhar, mas ofendem e humilham. Depende sempre da intenção do utilizador, e todos estamos familiarizados com a perversidade do ser humano. Veja-se como se refere o P AVieira aos indios, e como não faz o mesmo para com os negros. Quanto a mim, depende sempre da intenção do utilizador. Só fala com uma camisa de forças, ou melhor, com açaime, quem não está à vontade. É tudo matéria de educação, formação e informação ( casa, escola e sociedade) cada um repete o que ouviu, e viu "normalizar". Outro exemplo, atual: o Sr Passos Coelho repetiu há dois dias uma mentira recorrente que o amigo dele do Chega tornou mote para assustar e amedrontar ignorantes, quando, na verdade, quem tem muitas e boas razões para se sentir amedrontado são os imigrantes. Lá vem aquela da mentira muitas vezes repetida. É nestes momentos, lembrando o pais de emigração que fomos e somos, que, mais do que vergonha, começo a sentir medo, não só de certas palavras.

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  6. Qual foi a suposta «mentira recorrente» que Pedro Passos Coelho repetiu há dois dias, e que o alegado «amigo dele do Chega (André Ventura?) tornou mote para assustar e amedrontar ignorantes»?

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  7. Lamento a distração. É só ir às notícias. A discussão tem sido diária. Associar a falta de segurança (que as estatísticas desmentem) aos 'imigrantes' (a perseguição aos judeus, na Alemanha de Hitler, começou assim, com mentiras muitas vezes repetidas), não só é uma falsidade, com um objetivo muito claro (diabolizá-los, e criar, isso sim, um clima de medo - Xenofobia é isto), como o que temos visto são sucessivas agressões a imigrantes (já tivemos o PR a pedir desculpas a um; temos dois GNR's presos; os casos de tratamento indigno e exploração somam-se...). Fingir que que isto não está a acontecer, e que esse é um dos argumentos fortes do Chega é estar do lado errado da história e da humanidade.

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  8. Desde criança que as referências ao Preto se inserem como escuridão, abismo ou perigo.
    Tive dois alunos Negros e um dia envolvem-se à pancada, um deles de cada soco, gritava " toma lá ó preto" eu disse; porque chama preto ao colega?. Respondeu; Prof. mas ele é preto ou não é!
    Claro que a emigração está a tornar-se perigosa.
    Há dias subia as longas escadas do metro isoladamente e atrás me mim vinham 5 indianos de turbante. Perturbou-me.
    Há uns tempos há noite na Baixa vinha de metro e ás tantas oiço pontapés e gritos " estamos em maioria" eram 3 brancos e 5 Negros.
    Passei até por casos com ciganos, nos CTT e no Centro de Saúde.
    Por aqui me fico...

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  9. Pessoalmente, do alto da minha ignorância, julgo só existir biologicamente uma raça de homens: a humana.

    Tudo o resto são construções sociais que impedem a nossa atenção para outros problemas bem mais prementes (bem como de uma sã convivência entre os membros da dita raça).

    Boas leituras (sejam elas de que cor forem)!

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  10. " tempos há noite na Baixa" Há e sempre houve.

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  11. Se um branco chamar a um preto "preto de m**da" é racismo. E se for um preto para outro preto?

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  12. A questão das palavras "racistas" na é complexa e exige cautela na análise. É inegável que a história colonial de Portugal moldou a linguagem de maneira profunda, impregnando-a de marcas que refletem a desigualdade racial. No entanto, é preciso cuidado ao atribuir conotações racistas a vocábulos e expressões sem considerar sua origem e evolução histórica.
    No caso dos exemplos mencionados ("esclarecer" e "denegrir"), a hipotética carga racializada destas palavras parece ser um efeito colateral do tempo e da perda do latim. A palavra "esclarecer", por exemplo, deriva do latim "exclarare", que significa "tornar claro", sem qualquer ligação direta à raça branca. Da mesma forma, "denegrir" deriva do latim "denigrare", que significa "tornar negro/escurecer", não se referindo necessariamente à raça negra.
    A linguagem é um organismo vivo em constante transformação. O significado das palavras muda com o tempo, e o que era considerado aceitável num determinado período pode ser inaceitável noutro. Cabe a cada indivíduo, portanto, estar atento à carga simbólica das palavras que utiliza e buscar alternativas menos carregadas de preconceitos.
    No caso da expressão "pintar a cara de preto", é evidente o potencial de conotação negativa associada à raça. Digo “potencial”, porque não estou certa de que a origem da expressão remonte a práticas racistas do passado. Ainda assim, e atendendo ao “blackface” e à potencialidade de más interpretações, evito-a.
    Faço o que posso para não perpetuar estereótipos e reforçar a desigualdade racial, sem deixar de acreditar que a língua é um ser vivo e o que o mais importante é falar português claro (oops!).

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  13. Concordo plenamente com a sua análise. A tal "mentira recorrente" associa, infundada e perigosamente, a imigração à criminalidade. Essa estratégia, utilizada por partidos populistas, visa criar um clima de medo e divisão na sociedade, instrumentalizando a ignorância e o preconceito, distorcendo a realidade com pinceladas de desinformação.
    Faz bem em relembrar que as estatísticas desmentem categoricamente a ideia de que os imigrantes representam uma ameaça à segurança pública. Na verdade, são frequentemente vítimas de crimes e violência, como demonstram os sucessivos casos de agressões que têm vindo a público.
    Ao negar a realidade e branquear a xenofobia, muitos se colocam do lado da intolerância e do ódio. É urgente desmascarar essa falácia e defender a verdade, que é clara como a luz do dia: a imigração não é um problema, mas sim uma oportunidade para construir uma sociedade mais justa e plural.
    É hora de dissipar as "nuvens negras" da manipulação e do medo e olhar para a realidade com clareza. Os imigrantes, seres humanos com sonhos, esperanças e desejos como qualquer um de nós, merecem ser tratados com o respeito e a dignidade que lhes são devidos. A demonização do "outro", sustentada em estereótipos e mentiras, é um caminho perigoso que nos leva de volta, como muito bem refere, aos tempos mais sombrios da história.
    Cabe-nos a todos, cidadãos conscientes, defender a verdade e os valores humanitários, combatendo a xenofobia e a intolerância em todas as suas formas. As palavras têm um imenso poder, e usá-las de forma responsável e consciente não é assim tão difícil e é fundamental para construir um futuro mais justo e inclusivo para todos.

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  14. " potencialidade de más interpretações, evito-a." Pois eu evito tudo. Explico-me. Ignoro a etimologia de quase todas as palavras. Por isso qualquer palavra para mim, com origem no Latim ou no Sânscrito ou no que falavam os pré romanos da península, pode ter tido há milénios significado racista, homofóbico, sexista, islamófobo, ou exprimir alguma fobia hoje desconhecida. Por isso evito tudo, isto é, quando tenho muita gente à minha volta, não falo, pode sair uma grande asneira. Quando estou com poucos e amigos e conhecidos então é um desbragar na linguagem porque detesto o wokismo ou lá o que é. Só sei que não é bom falar na presença de desconhecidos. E eu sou um Zé Ninguém, se fosse Ministro então é que ninguém me arrancava uma palavra. Nem entre amigos, as paredes têm ouvidos.

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  15. Parece que se têm dado passos para empregar a suposta correlação entre imigração e segurança como uma arma branca contra a verdade.

    Não sei quem tirou este coelho da cartola, mas sei que não podemos passar um bilhete em branco a quem confunde percepção com correlação.

    Donde veio a Pedro falar galego?

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  16. Será o populismo o novo ouro negro?

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  17. As palavras são como os espíritos da floresta. Cada palavra tem o seu próprio poder, a sua própria história. As palavras podem ser usadas para curar, para proteger, para ensinar. Mas também podem ser usadas para amaldiçoar, para ferir, para destruir.

    É importante usar as palavras com cuidado. As palavras podem ser como flechas envenenadas. Se forem usadas de forma errada, podem causar muito dano.

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  18. O camarada clama por uma "evolução" descontrolada da língua. Ignora o poder sublime da linguagem como ferramenta de controle e manipulação. As palavras, como bem sabemos, não são meros instrumentos de comunicação, mas sim armas poderosas na luta pela pós-verdade. A Pós-Fala, com a sua precisão cirúrgica e a sua lógica impecável, é a única arma capaz de combater o pensamentobifronte e a subversão.

    As palavras são o que o Partido diz que elas são. O seu contexto, a sua origem e o seu significado individual são irrelevantes. As palavras não carregam consigo o peso da história, mas sim o significado que lhes concedemos no presente. A etimologia é fútil. A verdade reside na vontade do Partido, e a Pós-Fala é a ferramenta perfeita para moldar essa verdade.

    A evolução e a mutação são ilusões burguesas. A língua não se desenvolve por si mesma, mas sim sob a tutela vigilante do Partido. Através da constante simplificação e purificação do léxico, eliminamos ambiguidades. Esta censura necessária, longe de ser um ato de repressão, é um exercício de purificação linguística. Eliminar palavras "más" e "perigosas" é essencial para evitar o contágio ideológico e garantir a clareza de pensamento e a ortodoxia.

    As palavras "em desuso" e "esquecidas" não representam nada além de relíquias de um passado decadente. Preservá-las seria negar o progresso dialético da Pós-Fala. A língua exige simplificação e padronização. Através do controle da linguagem, o Partido controla a memória e, consequentemente, o futuro.

    Caminho sem luz? Trevas? Mais uma vez, a desinformação burguesa se manifesta. A Pós-Fala é a luz que guia o proletariado para o paraíso pós-verdadeiro. É a ferramenta que garante a coesão social e a vitória final do Partido.

    Lembre-se, cidadão: Ignorância é força! Abrace a Pós-Fala e denuncie qualquer desvio ideológico. A verdade está com o Partido, e a Pós-Fala é a sua voz.

    Viva o Grande Líder!

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  19. O seu texto representa um desafio tanto semântico quanto de sensibilidade.

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  20. Outro dia, estava eu a subir as escadas rolantes do shopping, quando, para meu absoluto espanto, percebi uma família de cinco, todos vestidos de super-heróis. O pai, claramente na vanguarda como Capitão América, seguido pelos seus três pequenos Homens-Aranha e, por fim, a mãe, gloriosa, como a Mulher Maravilha. Perturbou-me profundamente... que não tivesse trazido a minha capa do Batman.

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  21. No Agosto do ano passado, estava eu a apanhar sol na praia de Ofir, tranquilamente, descansadinha da Silva. Como quem não quer a coisa, tirei a TV Guia da minha bolsa e olhei para a capa, onde em letras garrafais se lia: “De Cabeça Perdida”. Eis senão quando, um grupo de 5 bodyboarders musculados se instalou à minha frente. Perturbou-me.

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  22. Pois eu estava um dia na biblioteca, num momento de profunda contemplação, absorvendo o néctar intelectual emanado das veneráveis lombadas empoeiradas, quando um bando de cinco energúmenos, ostentando óculos de realidade virtual mais chamativos do que as cores de um periquito, irrompeu por ali adentro como um tsunami de adrenalina.
    Falavam entusiasmados sobre dragões apocalípticos e feitiços de arrepiar a espinha. Fiquei muito perturbado. Não por medo, mas por uma súbita inveja de não estar a lutar, ao lado deles, contra o dragão virtual.

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  23. Certa vez, estava eu a dar uma volta num museu, naquela vibe contemplativa, quando, de repente, me deparo com cinco mímicos a seguirem-me como patos na lagoa. Pareciam clones meus, a imitar tudo o que eu fazia: se eu coçava a cabeça, eles coçavam a cabeça; se eu bocejava, eles bocejavam; se eu fingia que estava a cheirar um quadro, eles cheiravam o quadro também.
    Tipo, que raio está se a passar aqui?
    Comecei a fazer poses ridículas só para ver o que eles faziam. Fiz uma cara de espanto, eles fizeram uma cara de espanto. Fiz uma pose de jovem conservador de esquerda, eles fizeram uma pose de jovem conservador de esquerda. Até fingi que estava a comer um hambúrguer imaginário e eles lá se puseram a mastigar o ar.
    Nada. Tudo o que fizesse, eles continuavam a imitar-me, sem ligarem patavina ao museu.
    Perturbou-me... a revelação de que, naquele instante, eu era a peça de arte mais intrigante do museu, segundo o critério dos mímicos.

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  24. Numa tarde ensolarada de verão, enquanto me aventurava por uma trilha na floresta, encontrei-me seguido por uma comitiva de cinco esquilos, cada um carregando uma noz como se fossem pequenos tesouros. Perturbou-me a possibilidade de ter sido confundido com um esquilo gigante, um potencial usurpador de nozes, no olhar atento daqueles pequenos guardiões da floresta

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  25. Ontem, houve madrugada para mim, e regressei mais cedo a casa. Ao entrar no metro ao meio-dia, deparei-me com um grupo de cinco monges, cada um com uma auréola de careca reluzente, que refletia as luzes fluorescentes do vagão de maneira quase divina. Perturbou-me, confesso, não por medo, mas pela súbita urgência de encontrar um bom protetor solar, temendo nunca estar tão bem preparado para enfrentar o brilho do destino.

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  26. Palavras racistas... é mais uma das muitas imbecilidades que campeiam por aí, entre os adeptos do negregado (palavra racista?) políticamente correcto e fazem as delícias dos modernos, dos ultras e dos jornaleiros vendidos às noveis tendências que pretendem dominar o pensamento e controlar o que se diz, a nova santa inquisição.

    O racismo é natural no homem, tão velho quanto a humanidade e começa logo no racismo social... os que têm dinheiro, podem e mandam são desde logo os maiores racistas tenham a raça que tiverem, sejam pretos, brancos ou amarelos, hindus (os das castas), etc.

    Assisto diáriamente, até sofro, com o racismo, a começar pelo polícia que me manda parar só para chatear e exibir a sua superioridade ao "pula" (branco) que depois manda seguir com ar triunfante e ufano de se ter imposto apesar de nada ter que apontar, até à patroa que humilha a empregada (sendo ambas negras), ou ao funcionário bancário que despreza o cliente ao balcão da agência (ambos da mesma raça). Tudo isso aqui em Benguela. Portanto não me venham com tretas. Racismo é cultura imaterial da humanidade! Tem muito menos a ver com a raça do que aquilo que se diz. Tem a ver com poder, por pouquinho que seja e com a satisfação pessoal, creio que orgásmica, de quem o pratica.

    O racismo foi criado pelos cientistas e pelos académicos, curiosamente nórdicos e anglo-saxónicos quem mais é contra ele na actualidade... os cientistas que se enganam muito e mudam de opinião constantemente. Querem culpados? Procurem-nos nas academias dos séculos anteriores e próximos, para justificarem a imposição do colonialismo baseado na superioridade religiosa e rácica, e não é na Universidade de Coimbra que o devem procurar, notem!
    O racismo existirá sempre, os próprios anti-racistas são racistas contra os racistas e são-no desde logo ao afirmarem-se anti-racistas que é uma forma paternalista de se exibir uma superioridade moral, porque reconhecerem afinal que há raças o que é um contra-censo de quem quer negar aquilo em que acredita.
    Pela minha parte, sou não-racista! Ou seja, não ligo à raça, há estupores de todas as raças quanto há gente boa.

    Notei uma grande afluência de comentários, parece que finalmente, gente que nunca comenta hoje teve oportunidade... o que é deveras Extraordinário e nem sequer houve uma única citação dos nossos LIVROS. Não se falou no "Exterminem todas as bestas", n' "O sonho do celta", n' "O coração das trevas"... o que me admira, ou nem por isso, parece que a política levou a melhor sobre a literatura!
    Vão dar banho ao cão!
    Aguardo que a ciência e a academia nórdicas peçam perdão pelo que criaram.
    Saudações não-racistas cá da Cidade Morena.

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  27. Há dias bebia sozinho uma mini num café dos Olivais e ao meu lado sentam-se 5 indivíduos conturbados. Perturbou-me.

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  28. Numa visita a Riverside, Atlanta, deparo-me com 5 homens vestidos com túnicas brancas compridas e pontiagudas, com capuzes a cobrir-lhes a cabeça e o rosto, deixando apenas os olhos à mostra. Nisto olho para o lado e vejo um cameraman. Perturbou-me. Eram apenas figurantes.

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  29. Tenho a dizer que o João nem entrou mudo, nem saiu calado desta discussão.
    Mas o João tem que convir que a diatribe sobre o doutoramento em etimologia, apesar da argúcia, não invalida que se tenha algum tento na língua.
    Eu cá gosto de legumes no wok, mas não é por isso que deixo de mandar umas postas de pescada.
    Olhe, concordo consigo que isto não é tudo a preto e branco. Se é verdade que um tipo hoje em dia se vê grego para não ferir susceptibilidades, também não vem mal ao mundo prestar alguma atenção ao teor da linguagem.
    Fale, homem, fale. É a falar que a gente se entende.

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  30. Discordo de muita coisa do que disse. Até porque a negação da existência de um problema, a crença da existência de atributos intrísecos distintos baseados na raça, não parece coadunar-se com a leitura de Lindqvist, ou Conrad.
    Mas, de algum modo, acredito que o seu não-racismo é genuíno.
    Onde estou totalmente de acordo consigo é nesta verdade insofismável: "Há estupores de todas as raças quanto há gente boa."
    Bem-haja por esta grande tirada.

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  31. Há uns tempos, já noite, estava em Negrões, Montalegre, e às tantas ouço uma algazarra e gritos "Estamos em maioria!". Eram 3 negreiros e 5 albicastrenses. Perturbou-me o barulho.

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  32. Meu caro, permita-me discordar:
    Os "estudos" que concluem não haver ligação entre a imigração e o aumento da sensação de insegurança das pessoas, são como sempre estudos "encomendados" ou que concluem aquilo que se quer ouvir!
    Deve saber que assim é e temos de ter essa noção.
    Como faço muito trabalho de consultoria, sei-o perfeitamente, pois também tenho encomendas desse tipo, embora na área da economia ou da agro-pecuária e pescas. Ministérios, bancos, empresários pedem-nos.
    Portanto dou sempre pouco crédito a esses "estudos". Pode criticar-me por o fazermos na empresa para quem trabalho, mas é isso mesmo: trabalho encomendado.

    É por demais evidente que há uma ligação entre ambas as situações. Quem o negue está a mentir a si mesmo. Sabe-se que grupos criminosos brasileiros estão a entrar e instalar-se em Portugal, onde praticam assaltos violentos a casas e estabelecimentos (suponho que esteja informado disso), também estão a usar o nosso país como porta de entrada para droga e não menos importante, criam redes de prostituição. A PJ sabe, tem acompanhado com preocupação e articulada com a polícia brasileira. Igualmente máfias nepalesas e paquistanesas estão a entrar e estabelecer-se, trazendo trabalhadores que exploram e cobrando "protecção" aos comerciantes seus concidadãos.
    Não há insegurança? Como não? Não aumenta a criminalidade... porque não há queixas, e porque aumentando o número de pessoas diminuem os crimes, é fácil de ver... os criminosos serão tanto menos quanto mais cidadãos não-criminosos houver.
    Tudo isto devido a uma permissividade excessiva do governo e dos partidos de esquerda que acham que "abrir portas e braços" a quem queira vir, de forma irresponsável, é que mostra um país aberto, moderno e inclusivo, de forma irresponsável.
    Olhe o que se está a passar no Algarve, e um pouco por todo o país.

    Sou emigrante, trabalho fora do meu país há muito tempo, mas para aqui estar, tenho de obter antes um visto de trabalho que renovo anualmente, originado por um comprovativo de que faço falta e não existe alternativa nacional, acompanhado de um contrato de trabalho, um CV e respectivas habilitações para aquilo que venho fazer, um certificado de registo criminal, declarações de respeito pelas leis do país e compromisso de regresso, mais uma caução de repatriamento, seguro de saúde... isto num país africano, porém organizado em termos de imigração, note.
    Aí em Portugal como está a entrada de imigrantes, trabalhadores ou nem por isso?
    É um regabofe, a ponto de a UE já ter chamado a atenção ao governo.
    Vêm sem se saber porquê nem para quê, e entra muita bandidagem sim.
    Se os estudos o ignoram, é porque são mal-feitos. A própria atribuição de nacionalidade é feita à toa e busca apenas angariar votos, como também tem sido denunciado.

    Nós portugueses não somos nem nunca fomos xenófobos, recebemos e até tratamos melhor os estrangeiros que os nossos conterrâneos, é bem sabido.
    Mas há limites...

    Cumprimentos cá da Cidade Morena.

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  33. Pedro Marco van Harten29 de fevereiro de 2024 às 03:10

    Há dias, descia com uns 8 colegas num elevador, em silêncio, eles a pensarem nos seus estudos e eu a repassar mentalmente o meu paper "Engenharia Alimentar Molecular: Otimização Nutricional e Funcional Através da Química Precisa". Nisto, um dos 2 miúdos à minha frente diz: "É pá, adoro estes iogurtes do Pingo Doce". Perturbou-me.

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  34. Não sei se o anónimo que me respondeu é o «José Cunha» a quem eu... respondi. Ao contrário de mim ele não indica uma ligação que comprove a sua identidade. O mesmo, aliás, continua a fazer em relação à questão que suscitei: a de qual a «mentira» que Pedro Passos Coelho terá proferido. Eu não tenho de «ir às notícias» coisa nenhuma. Quem faz uma acusação deve explicitá-la e demonstrá-la se e quando interpelado nesse sentido, fornecendo (um)a fonte respectiva. E, se não o faz, mais não é do que um caluniador.

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  35. Certíssimo!
    Mas ser anónimo permite essas atitudes, é como atirar a pedra e esconder a mão...
    Saudações caro Octávio!

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  36. Ouro negro???? Racismo metálico...eheheh!

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  37. Retribuo as saudações, caro António. E subscrevo integralmente o que escreveu acima.

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  38. Que há muitos imbecis é sabido. Se tivesse um filho que há saída da Gulbenkian tivesse uns marmanjos e lhe encostassem um navalhão á barriga, perdia as peneiras. Ou um colega dum seu filho com 20 anos nos corredores do metro da Rotunda o trancassem e lhe desfizessem a cara para roubar 20 €. Perdia a gabarolice. Tenho mais exemplos...

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  39. Não seja tolo. Quando lhe acontecer ser assaltado como eu no Funchal, com toxicos empunhando seringas essa peneirisse passava-lhe. Conheço um caso de atleta forte que sucumbiu e foi parar ao hospital.

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  40. Pois deve estar num condomínio. HÁ vaidosos que mudaram apesar de se acharem uns valentões super inteligentes.
    UM amigo Advogado parou nos semáforos na Padre Cruz, do nada entra-lhe no carro com uma faca apontada um energúmeno que o obrigou a andar 100Km. Salvou-o outro semáforo onde estava um carro da polícia.

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  41. Mais um lírico do mesmo club. Tenho esperança que os lirismos lhes passem.

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  42. Mais outro guardião das letras subsidiado.

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  43. Ó palerma chapéus há muitos.

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  44. "que há saída da Gulbenkian" Há e sempre houve (ou prefere ouve?)

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  45. Caro Octávio. Sim, o "anónimo" sou eu, José Cunha, e peço desculpas pelo lapso, só agora reparei nesse pormenor, sem qualquer outra intenção. No entanto, parece-me, pelo teor da resposta só podia ser eu, o que não desculpa obviamente o ocorrido. A relação entre 'imigração' e 'segurança' foi feita por Passos Coelho no comício da AD, no Algarve, e tem sido mote do debate político em PT, em tudo quanto é rádio, jornais e televisões, por políticos, jornalistas e comentadores, daí o meu espanto na sua observação. Discorda? Ok! A esmagadora maioria do que tenho ouvido corrobora a leitura que faço do que eu ouvi (a intervenção de Passos foi transmitida em direto por alguns canais) e do que tenho ouvido e lido há um texto da Barbara Reis no 'Público' que faz uma análise, quanto a mim muito boa, do que aqui está em causa, a relação abusiva, e falsa, de uma perceção que de facto não existe, quando estudos conhecidos e publicados refutam tal ideia (o artigo da BR - que o encaminharei com todo o gosto, caso esteja interessado - indica-os, e todos os meios de comunicação social usam a mesma fonte para refutar tal perceção), por mais exemplos avulso que queiramos para aqui carrear. Espantar-me-ia que todos os meios de comunicação social estivessem alinhados numa espécie de conspiração para desmentir os argumentos de Passos Coelho e André Ventura e, pior, que estes estudos sejam todos coisas "encomendadas". Quando chegamos a este tipo de argumentos, desligo-me. Mais uma vez lamento o lapso e o meu email é puxim@outlook.com . Respeitosamente, não tenciono regressar a este fórum sobre este tema. Boa noite

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  46. José Cunha continua a não compreender - ou a fingir que não compreende - aquilo que eu solicitei: não uma alusão vaga, não uma generalização opaca sobre «imigração» e «segurança» mas sim (um)a frase concreta, (um)a citação directa, entre aspas, proferida por Pedro Passos Coelho, de preferência com suporte áudio-visual, para que melhor se possa aferir se é mentira ou não. Uma renitência que só por si é esclarecedora sobre a (reduzida, ou até inexistente) consistência da acusação.

    Note-se que também não é factor de credibilidade uma escrita com sucessivas anormalidades ortográficas: «atual», «distração», «objetivo», «direto», «perceção».

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  47. Assaltado por tipos empunhando seringas fui-o também à entrada do Instituto Superior Técnico ... em Junho ou Julho de 1995. Os gajos falavam com sotaque lisboeta - é pra ver como são unss espertalhõs esses imigrantes.

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  48. Meu caro, permita-me concordar de coração consigo.
    Isso é como os "estudos" que concluem não haver uma conspiração judaico-comunista que pretende dominar o mundo através da usura do grande capital e impor-se em todos os sectores da sociedade, desde Hollywood ao Parque Mayer. São como sempre estudos que saem melhor do que a encomenda, feitos pelos mesmos de sempre, ou que concluem aquilo que nos querem fazer crer!
    Ainda bem que como eu sabe que assim é e está a par disto.
    Querem-nos fazer crer que por serem só 0,2% da humanidade o seu poder não aumenta com o crescimento populacional. Ora isto está matematicamente errado e é só para tapar o sol com a peneira, pois se aumenta o número de habitantes do planeta, aumenta também a riqueza que vai parar ao bolso dessas elites. Só não se fala mais nisto… porque anda tudo ao deus-dará.
    Tudo isto é fruto da permissividade que tão bem identifica, feita pelos irresponsáveis partidários das criptomoedas, revisionistas que espalham vistos gold a torto e à direita, e revertem as políticas do rei D. Manuel I. São os mesmos que não têm a verticalidade de contestar os estudos a refutar que a Torre de Pisa foi deliberadamente inclinada para atrair mais turistas.
    Permita-me aproveitar a ocasião para lançar também uma visão céptica sobre os “estudos” que desmentem a existência de uma sociedade secreta de pinguins inteligentes que dominam a Antárctida e planeiam a conquista global através de pseudo-guerras climáticas com várias espécies de peixes da família dos escombrídeos, incluindo os peixes-judeu.
    Obviamente, são 'estudos' escorregadios encomendados por aves raras ou que deslizam exactamente para o que se quer ouvir! É de suma importância que as pessoas com perspicácia, como nós, tenham a inteligência de denunciar estas cavalas.
    A sociedade, embriagada como está com estudos de tudo e mais alguma coisa, impede os nossos concidadãos de alcançarem estados hipnoblepsíquicos que lhes permitam ter a clarividência infraconsciente de criar as suas próprias verdades. É muito triste que seja esta mesma sociedade que condena os lúcidos, como nós, por supostos temores supersticiosos. Valha-nos Deus!

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  49. A construção de uma correlação direta entre imigração e insegurança, sem uma devida análise causal detalhada, é uma falácia lógica. A complexidade dos fenómenos sociais exige uma abordagem que considere múltiplas variáveis e fatores interdependentes, algo que a simplificação expressa no discurso de Passos não contempla.
    Um princípio fundamental em estatística e ciência é que a correlação entre duas variáveis não implica que uma cause a outra. Por exemplo, um aumento da imigração e um aumento da percepção de insegurança podem acontecer em simultâneo por diversas razões, incluindo mudanças socioeconómicas, políticas públicas, cobertura mediática, entre outros fatores.
    É imperativo que as afirmações sejam acompanhadas por evidências empíricas robustas e por um raciocínio lógico que permita estabelecer relações de causalidade genuínas. A busca pela verdade e pelo entendimento não deve ser ofuscada por narrativas reducionistas.
    É sintomático que em temas emocionais a razão seja posta de lado de forma tão veemente, mesmo por indivíduos informados e as mais das vezes sensatos.

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  50. Na mais inesperada quarta-feira da minha existência, vi-me enredado numa fila na mercearia da minha vila, atrás de um indivíduo que comprava exactamente cento e trinta e sete latas de atum. Afigurava-se-me insólito, não só pela quantidade industrial de atum, mas também pelo meticuloso processo de contar cada lata, enquanto sussurrava para si mesmo: "o tesouro dos gatos, o tesouro dos gatos".
    A minha perturbação ascendeu a um grau ainda mais elevado quando, ao finalizar a sua compra, o indivíduo se virou para mim com um olhar esgazeado e proferiu: "Nunca se sabe quando os gatos irão dominar o mundo… Eu estarei preparado!".
    Confesso que, desde então, tenho olhado para os felinos domésticos com uma nova perspectiva. Por precaução, já tenho sete latas de sangacho de atum na ucharia.

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  51. Claro que a emigração está a tornar-se perigosa! Ontem, estava eu na fila para os Pastéis de Belém, quando um grupo de 5 turistas alemães louros, altos e espadaúdos passou por mim. Senti um calafrio na espinha. Apertei logo a carteira. E se fossem Vikings disfarçados, prontos para saquear a nossa pastelaria?! E se o Marcelo estivesse no Multibanco!?

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