Os Lusíadas

Tive duas edições escolares de Os Lusíadas: uma de capa encarnada, que usava no colégio e herdara dos meus irmãos (já muito coçada e com a lombada descolada) e outra de capa verde-clara que alguém me recomendou: anotada, explicando as influências, as referências, a mitologia, as alusões, etc. A primeiríssima edição de Os Lusíadas é valiosa, claro, e houve um exemplar dessa edição recentemente comprado pela Livraria Lello. Mas há outros exemplares da primeira edição, que estão em bibliotecas, diferentes desse, apesar de todos referirem a mesma data e  mesma casa impressora; mas, nuns exemplares, a gravura que ornamenta o frontispício tem um pelicano com a cabeça virada para a esquerda, e noutros exemplares virada para a direita, além de que, entre as diferenças, certas capitulares não são iguais e o papel é diferente em dois exemplares supostamente da mesma edição. Porém, como nunca podemos ver à lupa dois exemplares ao lado um do outro, a dúvida prolongou-se e só agora, com a ajuda da investigação realizada por Rita Marnoto e publicada na sua recente Edição Crítica, com mais de mil páginas, sabemos que houve contrafacção e os exemplares são efectivamente de duas edições impressas em datas distintas. E agora? Quem comprou a primeira edição comprou mesmo a primeira edição?

Comentários

  1. Ainda tenho o que julgo ser melhor trabalho sobre "Os Lusíadas", em edição escolar para jovens, da autoria de Adolfo Simões Muller.
    Não sei se ainda usam, pois tal como a obra original, esta adaptação é um clássico!
    Do resto não sei... porque como traça dos livros, o que faço é apenas acumular e se os numero e arrumo com critério pelas diversas estantes, confesso que não sou um bibliófilo daqueles que ligam a determinados detalhes como a edição.
    Portanto nada tenho a recear quanto a isso.
    Conheço quem seja bibliófilo e procure primeiras ou determinadas edições de livros.
    Enfim, cada um com a sua.

    Votos de boas edições cá desde a Cidade Morena.

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  2. Adolfo Simões Muller - Ó Paxeco quem conhece hoje este vulto da Literatura infantil e da cultura portuguesa? É que nem este nem outros...
    Nesta época em que cada vez há mais informação, em contrapartida, há cada vez mais ignorância (vejam o Joker do tuga Palmeirim e arrepiem-se com a absoluta ignorância que por ali grassa e, curiosa e lamentavelmente, sobretudo licenciados e até professores universitários, mas tudo gente muito viajada cujo sonho é ir à Austrália se ganhar os cinquenta mil, antes sonhavam com um automóvel melhor do que o vizinho, agora é fazer uma viagem mais longa do que o vizinho-é o ADN do Tuga.)
    Olho para a CMTV e vejo a realidade do país em que as gentes adoram e orgulham-se que lhe chamem TUGA...

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