Os concursos
Embora ainda sem computadores, e quase sempre com perguntas directas, e não com a hipótese de escolha múltipla, também havia concursos de cultura geral na televisão quando eu era nova. Só que, nessa altura, não me parece que o prémio fosse nada de especial e, como tal, eram apenas as pessoas que tinham cultura que concorriam, porque as outras preferiam não passar vergonhas, nem acertar ao calhas. Hoje, como se promete um prémio chorudo e as pessoas já não se importam da triste figura pública que fazem se levarem o dinheirinho para casa, toda a gente que sabe ou não sabe participa. E, como o Facebook não se cansa de mostrar, os dislates são realmente em grande número; mas, como são dadas as hipóteses e uma delas é a resposta certa, também é possível alguém ter a sorte de ganhar sem saber absolutamente nada. Em todo o caso, isso não aconteceu a um concorrente espanhol a quem perguntaram qual era a escritora espanhola que tinha sido recentemente indicada ao Prémio Nobel da Literatura. O vídeo, como agora se diz, tornou-se viral nas redes sociais: depois de pensar muito e perante a insistência do apresentador para que respondesse depressa pois o tempo estava a acabar, o concorrente, muito nervoso, disse: «Sara Mago.» A viúva do nosso Nobel, que é espanhola, não deve ter gostado.
Em 1998, perguntaram a Esperanza Aguirre, na altura Ministra de Educação, Cultura e Desporto do governo espanhol de Aznar, qual era a sua opinião sobre Saramago, que acabava de ganhar o Nobel. Resposta: "Sara Mago? Não conheço essa escritora". Era, repito, Ministra de Educação, Cultura e Desporto. A sua ignorância parece-me ainda mais lamentável...
ResponderEliminar"... é possível alguém ter a sorte de ganhar sem saber absolutamente nada." Sem saber absolutamente nada da cultura vigente. Saberá de outras matérias...
ResponderEliminarQuase todos os dias, ao assistir ao JOKER na RTP1, somos confrontados com a ignorância, absoluta ignorância, nomeadamente de professores, alguns professores universitários, que nos deverão fazer pensar.
ResponderEliminarc
ResponderEliminarNo devido tempo gostava muito de jogar à enciclopédia... eram noites passadas nisso, lá na quinta, na grande mesa da casa de tijolo, nas férias com os primos. Que saudades!
ResponderEliminarMais tarde, já no tempo da televisão, era espectador assíduo desses concursos de cultura geral na fórmula pergunta-resposta, por escolha múltipla ou não. Por vezes eram apresentados por verdadeiros canastrões, outras vezes o apresentador era alguém de qualidade (que ainda havia... depois perdeu-se) e uma mais-valia no entretenimento e havia até um júri, ou a famosa "voz off". Os concorrentes tanto quanto me recordo eram gente anónima mas que possuiam quase sempre conhecimentos gerais bastantes para fossem bem disputados. Os concursistas que permaneciam gozavam até duma certa popularidade.
Veio depois o Trivial Porsuit, um jogo de sociedade que também teve o seu tempo, era eu recém-casado, e, chegámos a juntar-nos dois ou três casais amigos para passar com ele um serão de Sexta ou Sábado.
O tema "escritores" era sempre presente!
Se bem me recordo, houve mesmo um desses concursos em que um dos concorrentes, jovem, era mesmo um "sabão" e permaneceu semanas a fio, juntando um bom pecúlio, até que não soube dizer o nome do autor já não me recordo de que obra. Bom, o seu adversário, um sujeitinho careca, pequenino, empertigado e de mais idade, portanto lembrava-se e respondeu enfáticamente, "Júlio Dantas!". Numa imagem que não me esquece, além da pena e da injustiça sentida pelo derrubar do jovem que de facto tinha uma cultura geral invulgar.
Nunca mais vi e nem sabia que ainda existem estes concursos, pelo que não posso comentar. Sei que um dos mais populares é "O preço certo", mas não é um programa de cultura geral.
Já tinha lido por aí essa da Sara Mago, que é como soe dizer-se "de cabo de esquadra".
Saudações cá da Cidade Morena.
A propósito dessa "de cabo de esquadra".
ResponderEliminarHá umas dezenas de anos, aqui na minha zona, praias vareiras, foi chamada a GNR para serenar um desaguisado entre vizinhos já com algum vinho, injúrias e ofensas corporais. O Cabo GNR elaborou o relatório da ocorrência e a determinada altura do texto descreveu as ofensas da seguinte forma: "Após os insultos proferidos pelo A contra o B, este disse que lhe partia os cornos, o que efectivamente fez, pelo que se chamou ambulância dos bombeiros para levar o A ao hospital."
A expressão "o que efectivamente fez" também é de cabo de esquadra.
ResponderEliminarInfelizmente a incultura grassa por ai...