Machado & Fazenda na Lello
Há não muitos dias falei-vos da excelência dos livros de David Machado para crianças e jovens (e adultos, porque há muitíssimas pessoas de todas as idades que adoram lê-los). Um desses livros, o genial Esta História (sobre o qual escrevi aqui pouco depois de sair), foi publicado em Novembro último e tem ilustrações do premiadíssimo João Fazenda, que é um dos enormes ilustradores com que Portugal pode contar. Estes dois autores vão estar este mês a falar do seu trabalho e dos livros que fizeram juntos e separados na Livraria Lello, no Porto. A sessão já tinha estado marcada em Dezembro, mas acabou por não se poder realizar por causa das gripes e do Natal, e por isso vai finalmente ocorrer no dia 24 de Fevereiro, pelas 21h00. Sei que ainda falta bastante tempo, mas, como a inscrição é obrigatória e a sala tem lugares contados, sugiro que marquem presença.
Será uma interessante sessão!
ResponderEliminarEsperemos que haja adesão, até porque em época que convida a isso.
Votos de sucesso e continuação de um bom trabalho para ambos os autores, cá desde a Cidade Morena.
Parabéns ao autor e ao ilustrador. E também aos portuenses.
ResponderEliminarOlha que sorte para os portuenses. Haverá repetição em Lisboa? Já não digo no Algarve...
ResponderEliminarÉ só para assinar. Pelo telemóvel o meu comentário apareceu anónimo. E não há necessidade...
ResponderEliminarESCRITOR: Meu caro, refletindo sobre as dimensões euclidianas aplicadas às narrativas, percebi que "Esta História" encarna uma verdadeira geometria literária, desafiando o plano cartesiano que delimita o gênero. Não seria fascinante ilustrar um enredo que se desenrola numa espiral de Fibonacci, ao invés da linearidade previsível de "Aquela História"?
ResponderEliminarILUSTRADOR: Intrigante, de fato. Mas confesso que minha alma estava embrenhada na trama de "Aquela História", imaginando cangaceiros a desbravar os limites do círculo de Gerschgorin. Como aplicaríamos, então, esses conceitos à sua proposta?
ESCRITOR: Imagine, se puder, um protagonista que não se limita a percorrer uma trajetória linear, mas que, como um vetor, redefine sua magnitude e direção ao sabor das influências culturais brasileiras. "Esta História" poderia ser um manifesto sobre a maleabilidade da identidade nacional, um ponto que se move livremente pelo espaço de nossas vastas tradições.
ILUSTRADOR: Ah, vejo onde quer chegar. Uma abordagem quase que fractal, onde cada subtrama reflete a estrutura do todo…
ESCRITOR: Ah, e o humor seria o teorema fundamental dessa nossa geometria literária, a propriedade invariante que permeia toda a trama. Como Machado de Assis usava a ironia para dissecar a sociedade carioca, nós utilizaremos o humor para explorar a absurdidade de nossa condição, num espaço onde as paralelas se encontram e o finito se confunde com o infinito.
ILUSTRADOR: Uma perspectiva fascinante! A literatura como uma hipérbole que se aproxima, mas nunca toca a realidade. E qual seria o papel dos personagens nesse universo?
ESCRITOR: Cada personagem seria um ponto nesse espaço não euclidiano, com suas próprias coordenadas de desejo e motivação, mas todos convergindo para o mesmo limite: a compreensão de nossa complexidade cultural. Imagine, por exemplo, um sábio retirante que, através do cálculo diferencial, descobre a fórmula para a felicidade.
ILUSTRADOR: Magnífico! Um personagem que transcende as dimensões do ser, navegando por entre os axiomas e postulados para alcançar a essência da existência. "Esta História" poderia ser o paradoxo de Zenão aplicado à busca pela identidade.
ESCRITOR: Exatamente! Assim como no paradoxo, onde nunca se alcança o destino final devido à divisão infinita da distância, a autoexploração da identidade pode parecer um processo sem fim. Há sempre mais camadas para descobrir, compreender e integrar à nossa percepção de nós mesmos. O "eu" autêntico pode parecer sempre um passo à frente, inatingível, porque com cada revelação ou entendimento, surgem novas perguntas e dúvidas sobre o verdadeiro "eu". E ao final, quem sabe, o leitor descobre que a verdadeira história deste “eu” não estava nas páginas, mas no espaço entre elas, na sombra projetada pelo texto no imaginário. "Esta História" não seria apenas lida, mas habitada.
ILUSTRADOR: Então, partamos para essa exploração geométrica da alma brasileira! Ilustrarei não apenas personagens e cenas, mas os vetores de força, as linhas de campo emocional, a topologia da paixão.
ESCRITOR: Perfeito! Com 'Esta História', não apenas escreveremos literatura; nós a reinventaremos. Nos tornaremos os Mandelbrots da narrativa, desbravando um novo espaço literário onde a infinitude da autoexploração, a mudança contínua, a busca pelo eu autêntico, a intersecção com o Outro, e o humor são fractais universais verdes e amarelos. Nesse universo, cada história é um fractal, refletindo a complexidade da experiência humana em suas múltiplas dimensões, onde a simplicidade e a complexidade coexistem, revelando padrões inesperados que desafiam nossa compreensão tradicional de espaço, forma e narrativa.
ILUSTRADOR: Que assim seja! A geometria da nossa criação transcenderá o papel, desafiando os leitores a encontrar o ponto onde o infinito se encontra com o íntimo, em um desenho onde escadas ascendam e desçam sem encontrar seu término. Nós seremos os criadores de um universo onde as fronteiras entre o
Uau!
ResponderEliminarJá tem nome para o nome do novo poço de petróleo?
Eheheh! Não resisti...