O que ando a ler
Ora sejam bem-vindos a este espaço dedicado aos livros neste novo ano de 2024, que vai ter mais um dia do que o anterior (todos os nascidos a 29 de Fevereiro podem finalmente festejar o aniversário). E, como sempre, falemos do que andamos a ler neste primeiro dia útil do mês. Por certo já aqui devo ter dito que uma das melhores surpresas que tive na minha vida de leitora foi um romance de estreia excepcional chamado A Solidão dos Números Primos, do italiano Paolo Giordano. Quanto a mim, nenhum dos livros seguintes do autor igualou o primeiro em qualidade, mas leio neste momento o mais recente, Tasmânia, que vem referenciado como um dos melhores livros do ano em Itália. Começa em Paris, em 2015, pouco depois dos atentados que vitimaram uma série de jovens que assistiam a um concerto, e, na parte em que vou, atravessa o ano de 2018 na cidade de Roma (mas já vi ao folhear que vai até 2021); somos levados pela mão de um narrador que gostaria de ser pai (mas Lorenza, a mulher, já tinha um filho do casamento anterior) e que, tendo estudado Física (como o autor), se dedica sobretudo ao jornalismo e a escrever um livro sobre um tema de que já ninguém quer ouvir falar (a bomba atómica). As personagens secundárias (um cientista especializado em nuvens, um colega de curso, uma activista climática, um padre que se apaixona por uma miúda), são todas muito bem desenhadas e bem actuais, exactamente como os temas que se vão cruzando e que não deixam de lado algumas injustiças causadas pelo politicamente correcto e pelas questões da paridade. Veremos onde é que isto vai dar. A tradução é de Vasco Gato.
Vivam os Extraordinários e este Extraordinário espaço!
ResponderEliminar2024 Vai ser um bom ano, tenho esse palpite, veremos e estimo que a todos seja extensivo.
Para já, nos melhores de 2023, que estive a ler ontem nas notícias, vejo com muito agrado os nossos Extraordinários Paulo Moreiras e o Itamar Franco. Um grande abraço para eles e que 2024 lhes seja fértil. Além de escritores parecem-me ser excelentes pessoas pelo que o meu contentamento é ainda maior! Também vejo entre os melhores, Nuno Palma e "As causas do atraso português", livro que achei imprescindível e comprei, ainda não li, só conheço da entrevista do autor, porém levo comigo e darei notícias!
Para já, do que li nestas duas parcas semanas em que por aí estive, entre uma ida rápida à Finlândia, um acesso de gota e uma gripalhada, mais rabanadas, perú e cabrito, azeite novo e azeitonas retalhadas:
- Aves do Ribatejo e Alentejo, de José Freitas. Belas fotos da nossa passarada!
- Viagem a Portugal, de José Saramago. Uma viagem rápida num dos livros de referência deste Escritor, que faz parte do espólio herdado com a casa da Serra de Portalegre da nossa prima Maria de Lurdes Holbeche Fino.
- Do meu velho amigo e comparsa de lides cinegéticas e escritas, António Afonso Inácio, "Da planície às altas montanhas - caçando de aproximação", uma belíssima viagem pelas montanhas da Europa, Ásia e EUA, descrita de forma despojada e simples, todavia colorida pela prosa sentida deste grande amante da Largueza das montanhas!
- "Serranos, campinos e bairrões", sobre o linguajar e costumes destes meus patrícios, pela pena de Francisco Santos Serra Frazão, com quem me identifico plenamente, outro Ribatejano que foi grande viajante e observador de costumes e gentes, também professor, escritor, jornalista, quadro da administração colonial. Da recolha dos seus inúmeros escritos, o seu neto Luis Duarte Melo, agrónomo e homem da escrita e do Ribatejo, organizou este interessantíssimo livro que é ainda um testemunho notável da história.
- Da jornalista Marta Martins Silva, um belíssimo trabalho de investigação e compilação dos testemunhos vividos na primeira pessoa, por quem sofreu na pele essa grande mentira da política portuguesa que a história não deixará manter e já se começa abertamente a desmentir: "Retornados - e a vida nunca mais foi a mesma". Um relato daquilo que foi a dita "descolonização exemplar" que destruiu vários países e muitas vidas, num crime escondido e disfarçado que hoje é já sabido como foi afinal, depois de guerras civis e do atraso ou retrocesso de países, pelas manobras políticas dos corruptos que o encabeçaram, orquestradas por forças estranhas mas interessadas nos territórios e recursos.
- Se dúvidas houvera, estou a ler outro livro do maior interesse e oportuno, de José Eduardo Agualusa - "Vidas e mortes de Abel Chivukuvuku". Nem de propósito! Completa perfeitamente o anterior. A vida de um notável independentista angolano, que não deixa dúvidas nem ao que foi a "província ultramarina de Angola", nem ao que foi o processo de "independência" com as manobras sujas de uma guerra civil destrutiva orquestrada por russos e cubanos, chineses, americanos, franceses, Sul-africanos. Vale a pena ler!
Dos que levo comigo, escolhi:
"Tasmânia" de Paolo Giordano.
"Ter e não ter" de H. Hemingway
" As causas do atraso português" de Nunp Palma - sendo que este vai durar!
Amanhã regresso a Luanda e dali à Cidade Morena, onde estarei na Quinta-feira.
Até lá, votos de um Bom Ano de 2024, para todos nós, cá desde o Bairro Ribatejano em dia de fazer a mala!
Passou mais um ano e ficamos mais velhos mas como se seguiu um Ano Novo ficamos mais novos. Um paradoxo que ocorre na leitura. Livros novos ou velhos que se leem ou releem são sempre rejuvenescedores. Foi o que me aconteceu com um livro de contos de Kathrine Mansfield escritos entre 1920 e 1922 sob o título de um deles, O Garden-Party.
ResponderEliminarFeliz Ano Novo para todos os Extraordinários.
Olá, Maria do Rosário Pedreira
ResponderEliminarSaíu o nº 73 do outono de 2023 que lhe envio para eventual "publicidade" no seu interessantíssimo blog.
Link. https://ec.europa.eu/translation/portuguese/magazine/pt_magazine_pt.htm
Saudações
Luis Filipe Sabino