Livrar-se de livros

Pesco o assunto por causa de um post de Nelson Ferreira dos Santos no Facebook. Aqui há tempos, diante da impossibilidade de meter nem que fosse mais um livro em casa sem o perigo de o chão abater, tivemos de nos livrar de muitos muitos muitos livros... Custa bastante (e já tenho saudades de alguns), mas, se queremos continuar a comprar e ter coisas novas, o melhor é prescindir de algumas das velhas. Lá em casa, por exemplo, tínhamos o mesmo título em edições diferentes, uma do Manel, outra minha, compradas em épocas diferentes, em línguas diferentes, de editoras diferentes. Tentámos que esse tipo de «exageros» fosse ponderado. Por outro lado, havia coisas que sabíamos não voltar a ler, coisas datadas, ultrapassadas, ou que não representaram absolutamente nada na nossa história como leitores. Guardávamos também livros da escola por razões que não se prendiam com os próprios livros, mas com a saudade da infância; e, além de alguns livros da primária e da Cartilha Maternal de João de Deus, acabou por ir tudo fora. No fim, nem foi tão mau como pensávamos (apesar do que eu disse acima sobre as saudades). Em todo o caso, para os mais hesitantes, há especialistas em «não acumular» que nos ajudam muito com os seus conselhos em matérias que têm que ver com a real necessidade de um livro, o gosto de reler, o valor estimativo, a pessoa que ofereceu, o pertencer a uma colecção, a facilidade em comprar de novo se for preciso, enfim... muitas razões para querermos ou não ficar com um livro quando sentimos que acumulámos demasiados. O artigo é mesmo interessante, pelo que vos deixo o link para que a decisão possa ser tomada em consciência se a ocasião se apresentar.


https://www.millersbookreview.com/p/keep-or-toss-my-personal-criteria?utm_source=post-email-title&publication_id=564548&post_id=140220428&utm_campaign=email-post-title&isFreemail=true&r=24a20e&utm_medium=email&fbclid=IwAR3fWTUcxG7W-7SHAPiWUieoGOxCIWowL7IyQ-tVPf9-2lU4otnZX5ITBJg

Comentários

  1. António Luiz Pacheco29 de janeiro de 2024 às 01:34

    Não haja dúvida de que vivemos na era da ultra-informação, portanto da facilidade no aconselhamento, em que até já há peritos em dar banho a gatos que no-lo ensinam no youtube, sendo também tema de escrita de livros.
    Há mesmo quem aconselhe sobre como vir a ser escritor de sucesso e tudo! E muitos prémios literários para ganhar, nesse sentido, imagine-se, o que não cessa de me espantar.
    Estamos de vento em popa e nem precisaremos, qualquer dia, de ter a mínima preocupação ou necessidade de pensar nas coisas, há quem pense tudo por nós e até se fala em Inteligência Artificial. Logo para quê aprender a tabuada? Ou o abecedário, sendo que em breve só ditaremos a um aparato qualquer o que pretendemos, tipo: - "Carta de jovem (conceito assexual) que estuda fora, para sacar valores (pode ser bitcoins...) à entidade paternal (pai e mãe deixam de fazer sentido). E pronto sai logo a coisa que é enviada aos respectivos dadores. Esperem só!

    Mas os peritos, os consultores fazem falta e eu tenho de defender a minha dama, é claro, ou não ganho a vida! Aqui ne empresa, por exemplo, com a actual necessidade de ir e vir à vizinha província do Namibe, cidade de Moçâmedes, em que pela estrada via Lubango são mais 200 e tal Km do que pela costa, esta por caminhos e picadas esquecidas de Deus e da junta de estradas, criei um road-book (para os mais novos perceberem o que é) para uso interno na empresa, com as distâncias e os tempos entre cada etapa nestes 397 Km para um mínimo de 5 horas. Os pontos de referência são os desvios para as pescarias/praias, algum estaleiro de obra da estrada, rios que se atravessam a vau ou por pontes... coisa muito útil para quem não conhece o caminho. O meu amigo Marito Ribeiro "Kakongo", organizador de passeios off the road (participam muitos estrangeiros) já me o copiou e começou a fazer semelhantes para outros troços. A coisa vai e eu cumpro o meu desígnio!

    Portanto já temos também aconselhamento de especialistas, sobre a gestão da nossa biblioteca. Boa!
    Não estou a troçar, notem, apenas a concluir aquela dura realidade, a qual no entanto é útil.
    Os ajuntadores de livros e material de leitura, que somos muitos, precisamos deveras deste aconselhamento que nos dá boas pistas e conselhos interessantes.
    Começamos assim, bem, a semana! Aliás o Inverno é uma estação propícia a fazer serões e fins de semana caseiros, dedicados a escolher e organizar os nossos bem-amados livros, não será assim?

    Saudações e votos de uma Extraordinária semana, cá desde a Cidade Morena.

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  2. Quem gosta de livros não necessita que lhe dêem mais, precisa é de saber a quem dar alguns dos seus.

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  3. Livro e livrar.
    Eu livro, tu livras, ele livra, nós livramos, vós livrais e eles livram.
    É mais fácil livrarmo-nos de livros que não são nossos ou de livros que não comprámos, quando algo é de borla (excluo ofertas afectivas, incluo ofertas de editoras, por exemplo) perde valor.
    Qual a razão para nós livrarmos de livros que são ou foram importantes para nós?
    Por uma questão de peso ou falta de espaço?
    Livrar-me-ia com maior facilidade da máquina de lavar roupa, passaria a frequentar uma lavandaria pública e aproveitaria o tempo de espera, enquanto a roupa se volteava, para ler.

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  4. Errata:
    "(...) para nos livrarmos de livros"

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  5. Albertino Nunes Ferreira29 de janeiro de 2024 às 05:46

    Eu tenho esse problema de não poder ter mais livros (e tenho-os espalhados por três espaços: dois na província e um em Lisboa); o excesso divido-o por duas bibliotecas, uma na minha terra e outra na Universidade Sénior que frequento; não os deito no lixo; já resgatei alguns do lixo como Império do Gore Vidal, Lolita de Nabokov e O Vermelho e o Negro do Sthendal.Para adquirir um novo tenho de ser muito selectivo. Nas feiras do Livro só posso comprar um ou dois!

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  6. Na minha infância os livros já era muito bons. Constam da minha base do conhecimento. Os meus filhos aprenderam pela Cartilha de João de Deus e foi muito útil.

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  7. relativamente ao problema, o exemplo é interessante.
    No fundo sao modos de vida e dinamicas.
    Certo é que tambem fui "dando" os meus filhos e agora nao posso "comprar" mais nenhum ...

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