Ler é poder

Fico muito feliz quando alguém se entusiasma de tal modo pela leitura que resolve pôr toda a gente a ler. Sílvia Ribeiro, com um mestrado recente em Mediação da Leitura, deseja que no seu concelho as empresas tenham minibibliotecas e emprestem livros aos funcionários, quer porque alguns deles têm ordenados baixos e não os podem comprar com a frequência com que gostariam, quer porque se calhar alguns dos trabalhadores precisam de ser convocados para o acto de ler por chefes ou colegas. Seria bom que houvesse mais pessoas a pensar assim e a pôr a mão na massa. Segundo as palavras da autora do Ler é poder, «criei este projeto com o objetivo de aproximar as pessoas do livro e da leitura, no sentido de passarem a incluí-la (ou a tê-la mais presente) na sua rotina diária, tentando, contribuir (ainda que de forma muito limitada) para aumentar os (embaraçosos!) índices de leitura em Portugal.» A ideia é incluir pelo menos dez a quinze empresas de Ourém, algumas das quais já foram contactadas e têm mais de 70 empregados. Mas, para isso, são precisos livros, claro. Eu já vou dar alguns dos meus, bem entendido, mas quero sobretudo divulgar o projecto, que me parece realmente meritório, para que outras pessoas se juntem e libertem de livros que não voltarão a ler nem lhes fazem falta. Se quiserem saber mais detalhes sobre este bonito projecto, o link do Instagram está abaixo. E tentem o mesmo nos vossos concelhos!


https://www.instagram.com/projetolerepoder2024/

Comentários

  1. António Luiz Pacheco25 de janeiro de 2024 às 02:51

    Todas as iniciativas que busquem levar as pessoas a ler, são louváveis.
    Dito isto, em jeito de lapalissada políticamente correcta, e, por aqui me deveria quedar ficando tranquilo pois apoiei a iniciativa ora divulgada, vou discorrer um bocadinho para quem tenha tempo e paciência de me ler.

    A grande questão é, nos dias de hoje, onde ou quando é que as pessoas têm tempo e condições para ler?
    O trabalho e a deslocação consomem demasiado tempo. Ler na viagem diária nem sempre é possível em transportes apinhados e com ruído ou distracções.
    O tempo que fica tem de ser repartido com muitas outras actividades diárias e essenciais, até para o sono que tanta falta faz.
    A vida moderna, que se presume ser de conforto e facilidade, na verdade não é e cada vez menos... já os livros são caros, apesar de muito difundidos, não sendo fácil na actualidade ter tempo ou apetência para ler, além de que a concorrência por parte de outros meios é grande, esmagadora até.
    Portanto, os trabalhadores têm cada vez menos qualidade de vida, assuma-se.
    Também pergunto se alguma vez, nalgum regime, a leitura foi bem-vista ou promovida?
    Salvo a leitura com objectivos propagandísticos e alienantes? O Islão promove a leitura do Corão, como entre os protestantes a Bíblia, mas será bom exemplo?
    Ficam as minhas dúvidas, de leitor e amante dos livros, que sempre fez um esforço nesse sentido.

    Saudações cá da Cidade Morena.

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  2. Tem de verdade aquilo que o António Luiz Pacheco pensa e partilhou... claro que sim, também tem... é mais cómodo encostar num sofá e apenas gastar-se energia a manusear um comando tv. Porém, não desculpa tudo: mesmo num transporte público existem vezes em que as pessoas se conseguem sentar... e sentados, pode-se trocar o dedilhar num écran diminuto pelo folhear de um livro. Estes podem não ser muito acessíveis, mas também o custo de uma operadora que nos garante "tv por cabo" sai bem cara. Apenas 4 ou 5 dias fumados permitem-nos a aquisição de uma obra de 300 páginas que nos fornece leitura para um mês. Aquilo que muito desejamos é muitas das vezes conseguido, ainda que com algum esforço e maquia... logo, o que está em causa não é o bode espiatório do tempo mas sim da falta de vontade, ausência de apetência, desconhecimento do prazer. Não acredito no amor à primeira vista por um cigarro, por uma bebida alcoólica... a maior parte do que gostamos foi-nos ensinado, passado por alguém, exigiu iniciação e até dedicação. Com a maior parte dos devoradores de livros talvez se tenha passado dessa forma. Há que mostrar que o local existe, que é lindo, nos garantirá arrebatamento.

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  3. Não acredito minimamente nesta iniciativa (nem nas parecidas).

    É que ler dá trabalho!

    É preciso vontade é preciso sentir o prazer de ler (como alguém hoje já comentou).

    Os livros são caros? E os telemóveis? Mas nem é preciso gastar dinheiro em livros, bastar requisitar o livro numa qualquer Biblioteca Municipal, que, felizmente, as há em quase todas ss zonas do nosso país.

    Basta entrar num autocarro a qualquer hora e toda aquela gente está ao telemóvel e raramente, muito raramente, vejo uma pessoa a ler.
    Há pessoal que até quando está a comer não o larga.
    Portanto, só a vontade e o prazer terá alguma força para as pessoas lerem.

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  4. independentemente da relaçao com os livros, a iniciativa (neste caso sobre livros ) é claramente meritoria.
    È sempre meritorio quando alguem tenta graciosamente "alimentar" os demais.

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  5. "Se o Rei Carlos morrer primeiro, o que acontece a Camilla?"
    Esta é a dolorosa questão que alguém colocou por aqui, pelas redes sociais.
    Pensei até me doer a ideia sobre o que irá acontecer à Camilla. Mas tenho a certeza absoluta de que sei a resposta certa: a Camilla fica viúva.
    Que se lixe a Ucrânia, a Faixa de Gaza, Israel, os petroleiros à entrada do mar vermelho, o governo do continente demitido, o governo dos Açoes que foi ao ar, mais o governo da Madeira que vai pelo mesmo caminho. O que importa é saber do destino da Camilla,
    E eu acrescentaria: e o destino a dar ao Estoril que comeu o benfica de cebolada.

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