Curiosidade e orgulho
Tenho para mim que a curiosidade é um dos verdadeiros motores do conhecimento. Não falo, claro, de espreitar pela fechadura do vizinho, mas sim de querer saber, de perguntar, de não ficar satisfeito com pouco e ir mais além. Uma das coisas que dizia sempre às minhas turmas quando era professora era justamente isso, que não havia razões para se ter vergonha de fazer perguntas porque ter a resposta é a única maneira de ficar esclarecido e chegar mais longe. Por vezes, também me inquiriam sobre algumas coisas a que não sabia responder (isto geralmente nas aulas de Francês, com nomes difíceis) e eu acabava por dizer aos alunos que não sabia e que por isso iríamos ter de aprender todos juntos a resposta. Não me lembro de ter inventado uma palavra por orgulho, para tapar um buraco ou fingir que sabia, e nunca senti que me caíam os parentes na lama por causa disso. Agora, porém, descubro que essa coisa chamada ChatGPT (sim, esse instrumento da Inteligência Artificial que anda toda a gente a consultar e utilizar) é orgulhoso e, quando não pesca nada sobre determinada matéria, recusa-se a admiti-lo e, em vez de fazer como eu, inventa simplesmente uma resposta em tom convincente, quicá tentando vencer pela retórica a ignorância de quem a interpela. O que vale é que há quem a apanhe na curva, como prova o relato abaixo de um programa de rádio de Nuno Markl, que inventou três provérbios malucos e foi perguntar ao ChatGPT o que queriam dizer e qual era a sua origem. Vale a pena ouvir para verem como estamos mesmo tramados.
https://youtu.be/650G3cu4fJ0?si=3JhMKjRmoEZnrqmT
Os humoristas a fazerem humor com o ChatGPT. Não acredito que responda assim. Talvez também eu pudesse fazer a verificação mas estas "modernices" (e outras, como estar no Facebook, por exemplo) não me motivam.
ResponderEliminarHum... acho que a inteligência da maioria dos humoristas actuais é muito para o "artificial", genéricamente falando. O citado, quanto a mim, piada muito pouca e inteligência pela mesma bitola.
ResponderEliminarContinuamos a ter autores com humor e inteligência, mas não estão nas rádios.
Lamento ser desagradável, mas se há coisas que eu detesto são os que se acham muito engraçados, enfim excepção feita ao bem-apanhado Fozzi Bear (oh! I'am so funny! Yeah!).
Tenho muitos exemplos de tentar usar ferramentas para obter informações e perceber que não são fiáveis, não podem ser pelas mais variadas razões. Felizmente que possuo meios para filtrar aquilo em que posso ou não fiar-me. Mas muita gente não tem esses crivos e é induzida em erro, por vezes com grande estrondo.
A quem precise de o fazer, aconselho que cruze informação e mesmo confirme junto de alguém que conheça o assunto, ou arrisca-se a ser enganado. Portanto nada me espanta aquilo que é hoje dito, e sim, se o permitirmos estaremos tramados, mas enquanto houver um livro e um leitor, há esperança!
Saudações tramadas, cá da Cidade Morena.
Como em quase todos os casos, existe o lado bom e mau da coisa.
ResponderEliminarÉ pena que o ser humano atualmente tem a tendência de explorar o erro e o cómico dos assuntos.
Neste caso, existe um exemplo antagónico que utiliza o Chat-GPT para a discussão de assuntos mais interessantes e sérios. É nestes contextos onde a Inteligência Artificial (IA) comporta-se melhor. Se calhar é uma questão de motivação, a IA não deve estar muito motivada para a discussão de provérbios e de comédia. Deve estar mais motivada para a discussão da matemática, da filosofia e da física. Para quem tiver curiosidade pode assistir ao programa de rádio da antena 2 “Perguntei ao Robot” que explora estas capacidades da AI: https://www.rtp.pt/play/p11720/e738850/perguntei-ao-robot