O que ando a ler

Leio com prazer mais um romance russo de uma escritora de quem já aqui dei fé quando me estreei na leitura da sua obra com Sonechka (que era mesmo mesmo literatura russa desde a primeira linha). Ludmila Ulitskaya esteve recentemente em Portugal, no festival Utopia, em Braga, onde deu uma entrevista à jornalista Isabel Lucas em russo (a única língua em que fala) sobre Mentiras de Mulher, o seu mais novo livro traduzido em português e publicado pela Cavalo de Ferro. Este romance é menos obviamente russo, mais internacional, até mais leve, e fala de uma mulher deixada pelo marido, Génia, que passa algumas temporadas com os filhos em casas de veraneio aqui e ali, encontrando invariavelmente em cada uma delas mulheres que a escolhem como confidente, e até uma adolescente que conta histórias incríveis aos seus dois rapazes enquanto brincam dentro de casa por causa do mau tempo. Mas, se estas histórias parecem evidentemente mentiras, resultam muitas vezes verdadeiras, enquanto os desabafos trágicos de algumas confidentes de Génia, e que a fazem chorar e mesmo perder o sono, frequentemente não passam afinal de mentiras em busca de atenção e carinho. Vou ainda a meio, vamos lá ver o que retira a pobre Génia de tudo isso...

Comentários

  1. Bom dia,
    Já tinha lido esse livro, encontrei recentemente na Feira do Livro, num dos caixotes promocionais da Relógio D'água, a muito bom preço.
    Gostei muito e fiquei interessada em ler mais obras desta autora.

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  2. Cláudia da Silva Tomazi4 de dezembro de 2023 às 04:14

    Gostei deste termo “evidentemente mentira” . Ontem me percebi em frente o poço e a aventura do pêndulo. Talvez, alguns livros por uma ou outra circunstância (desconheço) possam nos argumentar vivamente o requinte, a vertigem. Coincidentemente, estou à ler E. A. Poe.

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  3. António Luiz Pacheco4 de dezembro de 2023 às 05:40

    "A arte de driblar destinos" - Celso Costa
    Não sendo o melhor que li este ano, e para lá da leyaca premiação que não comento por não ter lido as outras obras concorrentes, tenho a dizer que é muito bom!!!!
    Lá está, confirma-se a minha já assumida preferência pela literatura latino-americana, pois gosto bastante dos temas, para além de escreverem muito bem, apesar do acordês e essas menos-valias que portanto fazem destas obras, coisa asseada!
    Tenho ainda a dizer, que, a forma como o romance está organizado, como se cada capítulo fosse um conto, resulta muito bem.
    Belo livro, sim senhor!

    Saudações enlameadas cá da Cidade Morena.

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  4. De vez em quando regresso a Aquilino mas agora trata -se de uma tradução, a conceituada tradução d' A Retirada dos Dez Mil, de Xenofonte.

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