Crianças de todo o mundo

Já nem sei porquê, veio ter comigo uma informação curiosa que abaixo partilho, até porque vale muito a pena ver as ilustrações e os mapas. Trata-se de um artigo de um site independente sobre quais são actualmente os livros infanto-juvenis mais populares por país, incluindo alguns países de que já nem lembrávamos a existência. O modelo de investigação (pontuação no Goodreads, por exemplo) vale o que vale e dificilmente corresponderá à verdade em muitos dos países; mas o artigo para mim foi muitíssimo interessante porque, desde logo, mostra factos inescapáveis, sendo o primeiro de todos que, numa enorme mancha do continente africano, não há livros favoritos (ou seja, ou a população infantil maioritariamente não lê, ou não há maneira de recolher a informação, e o espaço é deixado em branco). Mas, se é mais ou menos pacífico reparar que Alice Vieira lidera o TOP em Portugal e o feiticeiro Harry Potter é líder no Reino Unido, é já bastante supreendente ver que, nos países da América Latina, os livros preferidos da garotada são todos muito diferentes, havendo títulos específicos para o Chile, a Argentina, a Costa Rica, a Colômbia, etc. Também engraçado é concluir que, apesar de certamente as escolas recomendarem muitos clássicos (Alice no País das Maravilhas ou alguns livros de Dickens, por exemplo), a pequenada prefere obras contemporâneas, o que pode ter que ver com a circunstância de os autores estarem vivos e se mostrarem nas escolas ou nas televisões e isso ter outro sabor. Por último, para não ser exaustiva (leiam o artigo), é incrível como as crianças de certos países lêem livros de 700 páginas, enquanto noutros não passam das 40... Em época de Natal, em que se oferecem livros às crianças, inspire-se aqui neste link:


https://thetoyzone.com/most-popular-kids-book-from-every-country


 

Comentários

  1. António Luiz Pacheco6 de dezembro de 2023 às 01:10

    Levantam sempre dúvidas, pois as tendências fazem-se... a indústria livreira não sendo diferente das demais. Portanto, como bem diz, vale o que vale...
    As crianças africanas lerem?
    Quais crianças africanas? As da pequena elite económica (que não existe outra) usam aparatos de entretenimento electrónico e não lêem pois os pais não o fazem. Os muitos milhares de outras crianças, brincam na rua com latas de Coca-cola, tomam conta dos mais pequenos ou estão sentadas na rua, às vezes em pequeno grupo a conversar e a brincar, ao mesmo tempo que vendem quissangua, gelado de múcua ou malulo a quem passa. Essas não usam electrónica pois quase nunca têm sequer energia disponível, quanto a livros ler o quê? É coisa que nem lhes passa pela cabeça, aliás a tradição africana é oral, convém lembrar antes de querer pensar à europeu, pelas cabeças de quem tem fortes tradições bem diferentes.
    Na Europa. Também acredito que as crianças prefiram ler disparates e sobre coisas que são o que conhecem. Uma criança actual sabe lá o que é um chapeleiro... quem pretenda escrever para crianças tem de perceber isso, não escrever coisas "altamente" que os adultos vão achar muito bem, mas sim parvoíces que atraiam os miúdos. Reparem que os garotos continuam a delirar com palhaços e palhaçadas, até nos desenhos animados.

    Saudações húmidas, enlameadas, alagadas e encharcadas cá desta estação das chuvas como há 7 anos não acontecia aqui na Cidade Morena. O pior são os caminhos...

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