Pais, novelas e romance
Já há muitos anos que ouço dizer que, na América Latina, o escritor mais vezes indicado ao Nobel é o argentino César Aira. Roberto Bolaño, por exemplo, disse que, quando se começava a ler Aira, nunca mais se conseguia parar. Confesso que nunca tinha lido este autor; tenho a certeza de que haverá livros dele lá por casa (na biblioteca conjugal), provavelmente na língua original, mas há sempre tantos livros que se nos impõem que um ou outro autor acaba ficando para trás. Felizmente, a Cavalo de Ferro publicou recentemente duas pequenas novelas de César Aira e, caso pudessem passar despercebidas, vestiu-as com uma capa amarela berrante, o que foi bom, pois serviu para me chamar a atenção. (E este é um dos livros que a leitora desta blogue que encontrei um dia à porta da FNAC também comprou.) Li a primeira, chamada A Tília (a seguinte é Aniversário), que é sobretudo uma memória de infância do autor com os pais num bairro pobre da província de Buenos Aires. Porém, apesar de bonita e fluida, como as referências ao peronismo são constantes e eu sempre tive imensa dificuldade em perceber o que era exactamente o peronismo (tão depressa de esquerda como de direita, tão depressa de preocupação social como de violência política), digamos que não foi a obra ideal para começar. Para uma história sobre um pai muito especial (como é o de César Aira nesta novela) prefiro de longe o romance de Hector Abad Faciolince, Somos o Esquecimento Que Seremos, editado inicialmente pela Quetzal e reeditado há pouco pela Alfaguara. Vou agora ler Aniversário para tirar teimas.
É fato, a excelência a memória de outrora a campanha “dos hermanos” se lhe fica entalada tal espinha de peixe. Um Nobel que nunca chega liga-se a economia que em nada se ajeite; por contraponto a esperança inclina-se. Enquanto isso o leitor virtuoso (…nunca mais se consegue parar…) encontra refúgio. Há elementos tão saborosos quanto a realidade possa ser contundente. Aguardamos mais “fôlego” a inclusiva literatura del plata.
ResponderEliminarSobre as ditaduras argentinas, o que li de mais fascinante foi "Purgatório", de Tomás Eloy Martínez. Esta obra descobri-a numa feira de fundos de edição, onde se encontram muitas pérolas abandonadas. Não conhecia o autor, e continuo a não o conhecer fora deste livro. É dos poucos livros que um destes dias relerei.
ResponderEliminarDe Cesar Aira, li há uns anos um livro dele muito bom, que comprei num El Corte Inglés: "Un episodio en la vida del pintor viajero".
ResponderEliminarSei que ele escreveu dezenas de livros, porém só conheço este.
Os meus autores preferidos são assumidamente os americanos, Norte, centro e Sul-americanos. Os chamados latino-americanos sobretudo.
Quanto ao Peronismo, foi um regime algo polémico, hoje suponho que ignorado pela maioria das pessoas com menos de 50 anos, porém diria que catapultou a Argentina para a modernidade e sobretudo foi um movimento com forte influência na cultura e nas mulheres. Aconselho a quem se interesse pelo desenvolvimento das grandes linhas das filosofias políticas que leia sobre o tema. Enfim, é uma opinião, mas creio que bastante consensual.
Saudações latino-africanas cá da Cidade Morena.
Hector Abad Faciolince, "Somos o Esquecimento Que Seremos" - um dos melhores livros que li até hoje!
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