As mãos
Diz-se que os italianos não conseguem falar sem gesticular (por vezes até um pouco exageradamente) e que há pessoas que têm mãos que falam. É verdade, e tem graça olhar para elas, embora eu seja bastante contida nessas movimentações e isso nem esteja especialmente relacionado com contenção ou timidez, mais com tensão e stress. O que não sabia era que também há mãos que cantam, e isto pareceu-me mesmo bonito. Porque os deficientes auditivos comunicam através de Língua Gestual entre eles e com quem a domina, como os tradutores dos noticiários ou as pessoas que traduzem conferências, debates, palestras, congressos, etc., com as mãos; mas a verdade é que não havia tradutores de canções para quem as não pode ouvir, e acabo de ler que o projecto Mãos Que Cantam, em associação com o Museu do Fado, está a construir uma base de dados de fados em Língua Gestual Portuguesa. Ao que entendi, Ricardo Ribeiro e Aldina Duarte foram os primeiros artistas a cantar para estes tradutores, e na foto abaixo aparece a reprodução de uma destas traduções. Fiquei ainda mais impressionada com a maravilha quando descobri que o Papa, quando em Agosto esteve em Portugal, foi brindado por um coro de surdos, que cantam, claro, com as mãos.

Extraordinário!
ResponderEliminarEstas coisas, próprias dos humanos, não cessam de nos espantar!
Afinal nem tudo o que vem dos humanos é mau, fica-nos mesmo a certeza de que a humanidade é capaz de coisas assim tão belas e maravilhosas.
Celebremos!
Saudações escritas e gesticuladas cá da Cidade Morena.
Mas, que doçura! Falar com as mãos é de uma sensibilidade ímpar. A ferramenta da linguagem corporal, especificamente as mãos “cantantes” o propósito em transfigurar o silêncio e avançar nos sentidos, é tocante. Parabéns!
ResponderEliminarQuando se deu a unificação italiana cada região falava a sua língua, ou o seu dialeto, talvez seja mais correto dizer. Com a escolaridade obrigatória os italianos passaram a falar uma só língua. Mas tinham nisso muitas dificuldades pelo que recorriam às mãos para completar a comunicação e nunca abandonaram o hábito por completo. Explicaram-me assim o fenómeno.
ResponderEliminarÉ de facto extraordinário assistir à comunicação entre deficientes auditivos. Eles aprendem-na desde cedo e com uma facilidade incrível. E as suas mãozinhas pequeninas mexem-se com um vigor inusitado e muito eficiente, se conversam uns com os outros. O passo seguinte, nas escolas de ensino especial que não faço ideia se ainda existem, já lhes é mais difícil: conseguir falar, traduzir os gestos por palavras aprendendo através de múltiplos recursos, a vocalização de letras, sílabas e palavras. Não será transição fácil. Ignoro o modo de, dominando a linguagem gestual, alguém poder ensinar cantigas por gestos. Parece-me tema de interesse; será que esses tradutores de canções aprendem um método? É indecente e muito triste que existam pessoas sem a oportunidade de ouvir música.
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