De volta com Ginzburg

Bom dia. Cá estou de volta à nossa sala de leitura, embora, em rigor, não esteja completamente recuperada:  tenho uma costura do tamanho de quinze agrafos coberta por umas fitas que fazem comichão, e ainda tenho algumas dores mas tenho esperança de que, com o tempo, me desapareça o incómodo (afinal, foi esse o objectivo da cirurgia). Mas regresso ao blogue com gosto, mesmo sabendo que rouba tempo e que tenho trabalho atrasado, prometendo algumas histórias e sugestões de livros, como a que vos faço hoje, de conhecerem uma autora que comecei por estudar no Instituto Italiano nos anos oitenta (Natalia Ginzburg) e que está a ser publicada agora em Portugal quase exaustivamente com belas capas, ainda por cima. Eu comecei pelo maravilhoso Léxico Familiar (o mais conhecido livro de Ginzburg, creio), mas podem também espreitar As Pequenas Virtudes, Foi assim ou até o menos interessante (pelo menos para mim) Todos os Nossos Ontens, este com prefácio de Sally Rooney, a conhecida autora de, entre outros, Gente Normal. A obra de Natalia Ginzburg é feita, regra geral, de livros que são romances-documentos-ensaios-memórias-crónicas da vida em Itália durante o nazismo (tudo junto), já que a autora é judia (o seu nome de solteira é, aliás, Levi), viveu o drama do fascismo italiano na pele e esteve presa com o marido, que acabou por ser morto em 1944. Uma autora de mão cheia que importa não esquecer. Amanhã há mais.

Comentários

  1. António Luiz Pacheco30 de outubro de 2023 às 04:59

    Bem-vinda, e, boa recuperação é o que se deseja!

    Não conheço a autora que trás aqui hoje, no entanto Ginzburg/Ginzberg é também um apelido de origem judaica. Porém conheço de nome alguma obra sua e a referência antifascista.
    Notem que de momento ser-se judeu não é confortável, se é que alguma vez o foi. A esquerda odeia os judeus, a direita odeia os judeus, o Vaticano e os católicos odeiam os judeus, o Islão e os muçulmanos odeiam os judeus. Enfim, os judeus são odiados em geral!

    Haverá quem a não leia por ser judia? É capaz de haver. Resta saber se, a escolha de hoje é acertada e políticamente correcta.
    Cá por mim, quero lá saber. Configura-se-me uma escrita interessante e com conteúdo.
    Gosto sempre de saber de autores que não conheço e nem nunca li.

    Saudações e recuperações cá da Cidade Morena, shalom, shalom!

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  2. Vou ver se a encontro (à escritora).
    E oxalá a Rosário continue a melhorar. Uma costura do tamanho de quinze agrafos não é brincadeira nenhuma. Cuidado com isso. Que a recuperação lhe traga o que espera. Se a dor que sentia (ou outros sintomas anómalos) já a abandonou, tudo o resto vai passando. Mas não voltamos a ser os de antes da anomalia. Tudo na vida do corpo tem um preço que não é apenas económico. Alguma coisa fica, mas pode ser só a costura:)

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  3. Teresa Palmira Hoffbauer30 de outubro de 2023 às 16:00

    Natalia Ginzburg foi uma das poucas escritoras italianas que também tiveram grande sucesso no estrangeiro. Provavelmente devido à sua narrativa reservada e simples.

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  4. Li as Pequenas Virtudes e gostei bastante. Irei tentar o Léxico Familiar.
    Boas melhoras para a Rosário.
    Teresa Biu

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  5. Isabel Maria de Sousa Barbosa2 de novembro de 2023 às 07:46

    As melhoras ,Maria do Rosário.
    Fiquei curiosa e vou tentar procurar um dos livros.
    Abraço.
    Isabel Barbosa

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