Um Nobel da literatura mal conhecido

Li há muitos anos alguma poesia de Rabindranath Tagore, um Prémio Nobel da Literatura oriundo da Índia,  nascido em 1861. Não conhecia, porém, nada da sua prosa (lamento, mas é verdade), talvez também porque ela não abunde em tradução portuguesa e, quando visitamos as livrarias, somos sobretudo chamados por livros vertidos para a nossa língua e livros actuais. Tratando-se de um escritor importante, devemos, pois, agradecer que a E-Primatur (que tem vindo a recuperar alguns clássicos fora de circulação, e não só) tenha recentemente dado à estampa A Casa e o Mundo, publicado originalmente em 1916 e considerado então extremamente inovador pela forma como toma como centro da narrativa uma mulher, cujo marido (um marajá) a ama e ilustra para mal dos seus pecados, pois logo aparece um revolucionário algo interesseiro que a arranca do seu sossego palaciano. Mas é também um livro sobre a dificuldade de um país mudar, se libertar do opressor, se autonomizar, fazer as escolhas certas, ter, em suma, a sua identidade – com todos os erros crassos inerentes às tentativas de alcançar o progresso. Muitíssimo interessante em termos históricos e políticos, às vezes algo rocambolesco e gracioso nos seus volte-face, original na pluralidade de vozes, de vez em quando fez-me recordar, no tom, Hermann Hesse e os seus livros indianos. A Casa e o Mundo foi considerado um dos dez livros asiáticos mais importantes de sempre. A edição portuguesa tem uma capa belíssima.

Comentários

  1. Li há muitos anos e ainda o conservo, A CASA E O MUNDO. Vi também o filme. Ambos muito bons. Não sabia que foi considerado um dos dez livros asiáticos mais importantes de sempre. Deveria reler, mas ainda não descobri o segredo para conseguir ler todos os livros que estão em lista de espera, rapidamente. Suponho que vou ver a nova edição, por causa da capa e como gosto do objecto livro, talvez o compre. O marajá, se bem me recordo, é um exemplo de comportamento correcto, nada habitual ao tempo.

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  2. Curiosamente havia esse livro em casa dos meus pais! E li, claro!!

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  3. O filme, muito bom, já é considerado um clássico.
    Sempre quis ler o livro, e vai ser desta, pois as edições da E-Primatur são sempre excelentes.
    Boas leituras!📚

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  4. Também li esse livro quando era muito jovem. Manteve-se vivo em mim durante muitos anos mas, como outras coisas, foi-se apagando. Creio que merece bem que o releia. Experiências dessas já tive várias e de duas faces: uma triste desilusão no caso d'O Livro de San Michele, de Axel Munthe, um grande deslumbramento na releitura d'O Vermelho e o Preto, de Stendhal.

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  5. Está o recado dado! Comprem!!!

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  6. Li-o nos anos 60.Vou reler .Mas guardo na memória um dois seus pensamentos -# Se choras por ter perdido o brilho do Sol, lembra-te que as lágrimas não te deixarão ver a luz doutras estrelas..#

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