Grandes bibliotecários

Todas as pessoas que adoram livros ficam sideradas quando passam ao pé de caixotes de lixo na rua e vêem pilhas de livros que alguém deitou fora como se fossem meras caixas de papel ou cartão. Pior ainda é quando se fala de guilhotinar livros das editoras porque o stock é enorme e as vendas foram fracas... É verdade que os custos de armazenagem são altíssimos, mas oferecer livros a instituições implica o pagamento do IVA correspondente, pelo que a dada altura a única solução é mesmo cortar aos bocados (ai!). Mas isto não se passa apenas em Portugal, e li no mural de uma bibliotecária portuguesa a história de um grupo de colegas suas estrangeiras que se arrepiaram quando souberam que cerca de 2000 livros que não tinham sido requisitados uma única vez ao longo do último ano na sua biblioteca iriam ser... destruídos. Chocadas com aquele procedimento, resolveram então tentar evitar a calamidade e inventaram uns quantos leitores-fantasmas, criando cartões de leitura falsos nos quais eram registadas as requisições de muitos desses livros condenados à guilhotina. Pelos vistos, salvaram uma data de volumes, que continuam lá para quem os queira ler um dia. Contrariedades que desenvolvem o engenho.

Comentários

  1. Em vez de os deitarem fora ,podem sempre entregar no Banco alimentar. A campanha Papel por alimentos,transforma anualmente papel em toneladas de alimentos.Já que têm que ser destruídos ainda podem ser úteis.

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  2. É o mercado, é o mercado a funcionar...

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  3. Já por mais de uma vez falei neste assunto,que me parece importante.
    Gostava de saber onde posso doar livros na zona do Porto.
    Embora seja preferivel trocar papel por alimentos,acho que de qq maneira é sempre melhor que alguém possa aproveitar para ler.
    Fico à espera de sugestões.

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  4. Há dias, ao ler uma notícia sobre o decréscimo de leitores das bibliotecas públicas, pensei em levantar um livro por mês, mesmo que acabasse por não o ler. Quase com o mesmo objectivo destes bibliotecários.

    O mais curioso, é que durante a pandemia li dezenas de livros requisitados na Biblioteca de Almada. E tudo começou com a curiosidade em ler o livro de poemas de Joaquim Manuel Magalhães, esgotado, ao descobrir que ele tentou "apagar" uma boa parte da sua poesia (acho que foi uma atitude mais panfletária que outra coisa...), e quis ler "A Luz de um Toldo Vermelho", uma das tais vítimas do poeta. E depois li dezenas de livros de poesia e um ou outro romance...

    A desculpa dos editores terem de pagar o IVA é uma falsa questão. Em vez de retalharem livros, podiam simplesmente anunciar que os iriam deitar para o lixo e convidar para este "cerimonial" todos os amantes de livros...

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  5. Já me calharam uma ou outra quantidade de livros, por falecimento dos seus proprietários, que os descendentes me oferecem!
    É uma das soluções para quem tenha livros e morra... ou para os herdeiros que não os queiram, se formos s ver há sempre quem queira.
    Já foi aqui falado.
    No entanto parece haver outras soluções.
    Quanto ao caso das bibliotecas e das editoras, haverá também soluções, a grande questão que se põe é o custo das mesmas. O que não tenha valor financeiro é éliminado, uma lei da economia e da gestão que é implacável, por muito que nos custe mas é a dura realidade... "é a economia estúpido", dizia o outro.

    Abençoadas Bibliotecárias, é o que digo...

    Saudações livrescas cá da Cidade Morena!

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  6. Já resgatei alguns do lixo, da antiga colecção Mil Folhas do jornal Público; quando quero desfazer-me de uns certos para arranjar espaço para outros, vou doá-los todos os anos, pelo Verão, à biblioteca municipal da minha terra na Beira Alta; tenho felizmente, livros espalhados por três espaços: Lisboa, Ribatejo e Beira Alta; mas não tenho acomodação para mais, torna-se-me difícil adquirir livros novos; na última Feira do Livro só comprei 2 ou 3!

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  7. doa-os ao chaminé da mota18 de setembro de 2023 às 06:46

    ficam os dois a ganhar

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  8. Portugal é um verdadeiro 'Fahrenheit 451'.

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