Contra o veneno
Faz agora vinte anos que conheci Fernando Ribeiro, dos Moonspell. Eu era então editora de José Luís Peixoto, um grande fã da banda que fora interpelado pelo vocalista para elaborar um pequeno livro de contos baseado no álbum The Antidote. O escritor havia sido recentemente galardoado com o Prémio Literário José Saramago, estava mesmo nas bocas do mundo (o lançamento do seu livro Uma Casa na Escuridão tinha tido Eduardo Prado Coelho como apresentador e casa cheia num grande auditório); e a colectânea de contos era, segundo me recordo, escura e gótica mas incrivelmente bonita e com a característica cadência musical do autor. Lembro-me de que, no lançamento do álbum, tive de levar uns tampões para os ouvidos (o Coliseu estava ao rubro, mas não era o meu tipo de música, confesso...); porém, antes disso, foi mesmo muito bom trabalhar com o Fernando Ribeiro que, além de se ter mostrado um grande leitor, era também alguém surpreendentemente com os pés na terra e de uma organização irrepreensível. Agora, comemorando o vigésimo aniversário de Antídoto, o livro volta às livrarias numa edição de luxo, com fotografias de Maria Peixoto Martins, capa dura e sobrecapa. E, não há muito tempo, pude partilhar uma mesa com Fernando Ribeiro numa escola e confirmar que continua a ser uma pessoa muito especial e também um excelente comunicador.
Li os dois livros e tenho alguns CDs da banda Moonspell. Gosto da música e do livro de contos, mas o livro Uma Casa na Escuridão de José Luís Peixoto surpreendeu-me muito pela positiva, um dos melhores livros de escritores portugueses que li recentemente. Tal como a Musica dos Moonspell, é um livro escuro e gótico.
ResponderEliminarA Maria do Rosário sabe que o Fernando Ribeiro também é um autor editado pela Leya?
ResponderEliminarhttps://1001mundos.blogs.sapo.pt/7312.html
E poeta também.
ResponderEliminarhttps://www.bing.com/videos/riverview/relatedvideo?
ResponderEliminarq=Moonspell&mid=0BDC592D59A130BD5BBB0BDC592D59A130BD5BBB
Para quem não conheça e queira saber de que música se fala.
É boa, por sinal... pode não ser a minha onda, já não, mas os Moonspell são bons e fazem boa música dentro do género.
Muitos artistas são polivalentes, transversais. Os músicos fácilmente são poetas e até filósofos, dentro daquilo que é o seu Mundo e a sua fantasia. Muitas vezes são gente culta, julgo que os bons, os artistas-mesmo, têm de o ser. Por isso nos tocam a despeito da sua diferença, atitudes ou aparência.
Não são própriamente "sábios" naquilo que pensam e divulgam, mesmo que indo ao encontro da nossa sensibilidade artística. Pelo que nem por isso os sigo nas suas derivações ideológicas.
Aqueles que são, sábios, são os que menos andam pelos média a propalar pensamentos muitas vezes absurdas e opiniões tontas. Mantêm uma certa reserva, comunicam dentro do seu círculo e publicam, textos e canções, fazendo aquilo que é o seu desígnio: encantar-nos com a sua arte, e, não perturbar-nos com os seus fantasmas ou a sua insegurança. Podem parecer loucos, mas sabem preservar-se e gerir a sua imagem sendo discretos apesar de darem nas vistas pelo seu visual excêntrico.
Os outros, os tontos, ainda que com alguma arte, tentam sobressair não por ela mas pelas suas afirmações polémicas, num anseio de se evidenciarem que normalmente só põe a nú a imaturidade, irrealismo, falta de saber e muitas vezes uma boa dose de imbecilidade.
Confesso que aprecio os Moonspell, são artistas, não são sábios... logo posso apreciar a sua música quando esteja para aí virado, não me obriga a mais nada do que a apreciá-la.
Saudações musicais, fatigadas, e, votos de um Extraordinário fim de semana!
Embora a minha onda seja a música clássica, estou sempre pronta para descobertas culturais. Gostei de ouvir os Moonspell. Embora a prosa de José Luís Peixoto (li a poesia) nunca me tenha despertado o interesse, vou tentar com Uma Casa na Escuridão.
ResponderEliminarFim de semana em beleza para todos os „extraordinários“ 🌻
Viva.
ResponderEliminarSó uma nota: também sou apreciador de música clássica, nasci e cresci numa casa de melómanos, meu avô tocava violoncelo, minha mãe foi violonista, havia por lá sempre músicos amadores ou outros como o Maestro Luiz Silveira (razão de eu ser o primeiro e único Luiz na família), os seus filhos João Luiz e a Georgina, o Maestro José Bello Marques.
Hoje oiço sobretudo blues e jazz, porém ainda sou grande apreciador do chamado rock sinfónico ou rock progressivo, que oiço amiúde.
De um modo geral, tirando rap, gosto de toda a música... olhe vim a descobrir cá, o semba, música angolana de que gosto muitíssimo!
Votos de um Extraordinário fim de semana, procure os Moody Blues (Question) e creio que vai gostar... ou o Rick Wakeman, ou Mike Oldfield. Creio que é bastante mais nova do que eu, pelo que talvez não conheça.