Aulas gravadas
Leio tanta coisa em tanto sítio que depois perco o norte e já não consigo recuperar as fontes. No entanto, a referência nem é muito importante para o caso. A história tinha que ver com alunos de todo o mundo, mas especialmente de países em que o sacrifício financeiro para tirarem um bom curso é maior, que puseram um processo a uma universidade americana porque, depois de terem pago um valor altíssimo para frequentarem aulas de professores bons e famosos, descobriram que o que a universidade lhes dava não eram aulas ao vivo com esses craques, mas meras gravações. Um escândalo, segundo eles, porque desta forma não podem de modo nenhum interagir com o professor, são meros receptores de conteúdos... e, para isso, tinham ficado nos seus países a assistir pelo computador. Têm razão, evidentemente, e espero que ganhem o processo que instauraram pois, com uma mera gravação, a universidade pode estar a ganhar todos os anos propinas de muitos alunos que vão ao engano. Isto suscitou-me, porém, uma outra questão: o meu irmão mais velho é formado em Direito e teve professores que, embora em aulas presenciais, nada mais faziam do que ler as suas sebentas, iguaizinhas há anos. A minha sobrinha mais velha, que tirou o mesmo curso, passou pelo mesmo e até me contou que havia à venda gravações dessas aulas em pens, porque eram todos os anos iguais. E que ninguém abria o bico para interpelar o professor, que tinha como objectivo apenas despejar a matéria da sua sebenta. Fará assim tanta diferença, em alguns casos, tratar-se de uma aula filmada e gravada? Talvez não. Mas é um abuso trocar uma pessoa por um filme.
Na ilha da Madeira, há já algumas décadas (30 anos), devido à escassez de professores, os alunos do primeiro ciclo recorriam a aulas transmitidas em videocassetes. Este programa era conhecido como Teleescola. Nos dias de hoje, os alunos que tiveram acesso a estas aulas em videocassetes demonstram competências tão ou mais desenvolvidas do que os seus colegas que tiveram a sorte de contar com professores presenciais. Esta situação suscita uma reflexão: considerando que muitos professores não conseguem atingir um patamar de excelência no ensino, será que a utilização de aulas gravadas ministradas pelos melhores professores do país não seria um método a considerar? (Escrito com recurso à Inteligência Artificial).
ResponderEliminarGato por lebre
ResponderEliminarNão sei porquê, o tema do post fez-me lembrar, por uma qualquer associação de ideias, este video:
https://www.youtube.com/watch?v=4mS5jXANB78
Uma vigarice, pura.
ResponderEliminarMas se formos ver bem, as Universidades enfermam dos mesmos defeitos da sociedade, sendo aliás o espelho dela e não um santuário do saber e de boas práticas.
Haverá excepções, mas devem ser cada vez menos quando olho aos professores que nelas proliferam. Os mercenários não estão só no grupo Wagner.
Saudações escritas, cá da Cidade Morena.
Um dos meus irmãos, vivendo em Lisboa, teve aulas pela Telescola no então Ciclo Preparatório. Mas estamos a falar de universidades, onde a interacção com os professores é necessária.
ResponderEliminarPor mera curiosidade: a venda da pen com as aulas terá sido em Coimbra??
ResponderEliminarLisboa, Faculdade de Direito (Clássica).
ResponderEliminarFaço minhas as palavras do ANTÓNIO LUIZ PACHECO lidas e enviadas cá da aldeia do Düssel.
ResponderEliminarPior... estamos a falar de propinas pagas, e caras, sendo nos EUA onde tudo é bem pago!
ResponderEliminarA telescola era gratuita, portanto não é comparável.
Como não é comparável assistir a um concerto na TV ou ao vivo...
Eheheh!
ResponderEliminarLembrei-me de que nos meus tempos de estudante, havia muitas aulas teóricas de cadeiras que não interessavam por aí além, a que práticamente não íamos e apenas estudávamos as sebentas. Caso de Introdução à Metodologia das Ciências Sociais, cujo professor aliás era chatíssimo se bem que sabedor do assunto - o Prof. Pantoja Nazareth. Em compensação e para nos pôr de bem com a sociologia, às aulas (igualmente teóricas) de Sociologia Rural da Drª Maria José Stock, ninguém faltava! Fundou-se mesmo a Tertúlia dos Admiradores da Professora de Sociologia Rural!
Já o Professor Mariano Feio, fazia circular uma folha de presenças mesmo nas aulas teóricas de Mesologia, e, a nota final acabava por ser influenciada pelo interesse demonstrado através da presença nas teóricas-não-obrigatórias...ora toma que é para saber!
Bons tempos e boas memórias...
Ok...não foi mas podia ter sido
ResponderEliminaraqui vai o link para essa notícia publicada no Público a 22 de agosto 2023
ResponderEliminarhttps://www.publico.pt/2023/08/22/p3/noticia/pagaram-milhares-propinas-aulas-online-desiludidos-levam-universidade-londres-tribunal-2060481
Pois eu tive no curso de filosofia uma professora que todos os dias nos lia páginas da sua sebenta. Por mero acaso, ainda no primeiro semestre comprei um livro de um conceituado autor na área e, espanto dos espantos, era integralmente o texto da sebenta, pontos e vírgulas.
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