A poesia que não enerva

Bem sei que são mais neste blogue os leitores de romance do que os de poesia, mas não desisto de publicitar a saída de de mais um número da revista Nervo, uma revista de poesia que não se verga às dificuldades e está aí viva e de boa saúde para revelar o talento poético de portugueses e estrangeiros. Neste seu n.º 19, lançado no passado dia 2 de Setembro e desta feita ilustrado pela pintora Sofia Areal, as novidades são muitas, desde logo um texto de Carlos Braga sobre o centenário do nascimento da grande poetisa Natália Correia, bem como um texto do poeta e romancista Frederico Pedreira sobre Dylan Thomas, incluindo poemas do autor galês traduzidos pelo seu punho. Mas há mais: textos de Carlos Luís Bessa, Rui S.Magalhães e Regina Guimarães, por exemplo, a par de poemas do brasileiro Iacyr Anderson Freitas ou da polaca Krystyna Dabrowska. Por isso, entre romances ou entre ensaios, atreva-se à poesia e comece, porque não?, pela Nervo, dirigida por Maria de Fátima Roldão.


Nervo 19 - perspectiva b.jpg


 


 


 

Comentários

  1. Precisamos de poesia, mesmo aqueles que não a lêem regularmente, como é o meu caso, que no entanto a sinto quando a vejo. E vejo muita acreditem.
    Não serei sensível à poesia urbana, por exemplo, mas ainda este Sábado de manhã, saindo para o mar na tranquila Baía do Santo António, num mar absolutamente liso de chão (diz-se na gíria marinheira "podre a óleo"), coberto por uma ligeira bruma que impede separar a olho a superfície da água do horizonte, estava aquela superfície estanhada pontilhada de negro por milhares de mergulhões ali poisados em sossego absoluto, logo correndo aos magotes por sobre aquele espelho que iam riscando para levantar vôo, depois acompanhando o barco no seu curso, quase os podendo tocar com a mão.
    Se não foi um momento de poesia, não sei o que seja, mas sinto-me um privilegiado por assistir a estas coisas.
    Lembro-me nestas ocasiões daquilo que disse Miguel Torga a um companheiro, quando ficou suspenso, de espingarda cruzada no peito, a ver uma perdiz levantar vôo e afastar-se em plena encosta duriense: "Estava-se-me aqui a desenhar um poema!".
    Sem dúvida!

    Saudações poéticas cá da Cidade Morena onde canta o matrindinde.

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  2. Há que varrer o terreiro e descobrir o passado, talvez começando pelo poeta do Neiva.
    Embora as meninges de quem lê sejam, normalmente, broncas e preguiçosas. Ou burras.
    Há que ter alguma esperança, ainda que infundada.

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  3. Sou leitor e recomendo. Dos portugueses aqui citados, gosto bastante do Rui S. Magalhães.

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