Uma história ucraniana

Como se pode ser «belo» — «o rosto, a alma, a roupa, os pensamentos», como diz Tchekov — num país onde reina a repressão e só quem se submete a um regime restritivo consegue sobreviver? E como poderá esta experiência ser superada quando quem a sofreu não fala dela, nem mesmo depois de emigrar para o Ocidente, nem mesmo com a própria filha? Em meados dos anos noventa, Lena e Tatiana abandonaram a Ucrânia – uma grávida, outra com a filha pequena – e foram viver para a Alemanha, onde tiveram de começar do zero. Mas Nina e Edi, as raparigas que há muito deixaram de se interessar pelas suas origens, não deixam de perguntar-se o que verão as mães, com o seu «olhar soviético», quando espreitam pelas cortinas das casas onde hoje vivem. Porém, quando as quatro se juntam para a festa do 50.º aniversário de Lena, serão forçadas a admitir que, afinal, partilham uma história comum. Seguindo o percurso de quatro vidas e os vínculos sempre frágeis entre mães e filhas, Sasha Marianna Salzmann, a autora deste No Ser Humano Tudo Tem de Ser Belo, que venceu o Prémio Hermann Hesse em 2022 e foi finalista do Prémio do Livro Alemão, relata-nos uma época de mudanças radicais na Ucrânia com grande empatia e realismo. A não perder nos tempos que correm.


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Comentários

  1. Prémio daqui e prémio dali... já se sabe que encafifo solenemente com premiações tanto quanto com o "leve dois pague um". Alguém dizia ontem que a literatura é comércio. É que é capaz de ter razão... mas, afinal não é tudo comércio? É a economia, estúpido. Dizia o outro, e não é mesmo? Por muito que nos desagrade ou não o queiramos aceitar?
    Enfim, adiante, pois passe o oportunismo ucranianista actual, diria que, sendo embora as ucranianas até muito bonitas ainda que demasiado alvas, eu preferindo as morenas assumo, tenho do povo ucraniano muito boa impressão.
    Acontece que lidei muito com ucranianos. Em Santarém e arredores havia uma forte comunidade de ucranianos e moldavos. Gente ordeira e trabalhadora, que vieram em massa tratar das suas vidas, melhorá-las, depois da abertura do paraíso terrestre onde estavam encerrados por muros visíveis e invisíveis, tornando-se a Ucrânia depois num país livre, porém fascista a ponto de ter de ser invadido pela Rússia libertadora, segundo a nossa sempre preclara e libertária esquerda-não-esclarecida, mas que julga que é.
    Gosto dos ucranianos! Apesar das ucranianas serem demasiado brancas para o meu gosto como já referi, tive trabalhadores ucranianos e até ucranianos a prestar serviços, com competência e dinamismo. Gente boa. Na selecção de pesca submarina da Ucrânia fiz bons amigos como o Andrii Lagutin ou o Oleg Lyadenko, que ainda somos no facebook e vou seguindo a sua participação no conflito.
    Boa gente, resumindo. Instalaram-se e integraram-se bem lá por Santarém, havia missa no seu ritual e duas páginas centrais no Correio do Ribatejo em ucraniano.
    Portanto, apesar de não conhecer autores e nem a literatura do país, esta proposta pode ser interessante e reveladora, como aliás sucede amiúde neste blog, onde temos oportunidade de alargar horizontes. Também será interessante saber um pouco mais do pensar deles, ucranianos, através das palavras das personagens.
    Ao "olho soviético" chamávamos "olho de Moscovo", nos tempos da guerra fria.

    Saudações cá da Cidade (felizmente) Morena.

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