Ouvir ou ler?
A revista Sábado trouxe recentemente um artigo sobre audiolivros, cuja pergunta de partida é se o futuro dos livros é ouvi-los. Louvo a existência de audiolivros por várias razões, sendo a mais importante o facto de constituir a forma mais fácil de fazer chegar a literatura a pessoas que não vêem ou que vêem demasiado mal para que a leitura as não canse. No entanto, conheço pessoas com boa vista que, trancadas durante horas em percursos diários esgotantes do subúrbio para a cidade, ouviram livros inteiros nessas viagens de pára-arranca; e tenho um amigo belga que fez um curso de espanhol elementar dentro do carro (a parte escrita ficava para depois do jantar). Os audiolivros hoje são bastante sofisticados e muitas vezes lidos por actores conhecidos (nos EUA, é comum) ou pelos próprios autores do texto (Rodrigo Guedes de Carvalho é a voz dos seus próprios audiolivros, por exemplo). Mesmo assim, acho que o cérebro de um leitor trabalha melhor e mais do que o do mero ouvinte de livros. É que a entoação com que as frases são lidas já dá indicações sobre estados de alma que, no texto escrito, estão ausentes e devem ser «fabricados» pelo cérebro do próprio leitor. Mas vale a pena fazer a experiência e, para isso, o artigo da Sábado, de que avanço a ligação abaixo, pode ajudar.
O futuro dos livros é ouvi-los? - Livros - SÁBADO (sabado.pt)
Interessante... porém, sou um adepto ferrenho do papel, da leitura-lida e sentida, daquela que os olhos absorvem e passam ao cérebro que vai processando toda a informação, mesmo visualizando e recriando aquilo que estou a ler, enquanto a memória guarda tudo.
ResponderEliminarCreio que é assim em geral, precisamos de ver para processar as funções cerebrais da inteligência.
Para quem seja cego?
Bom, na Natureza pura e dura, a que não dá presentes, a cegueira é inexistente pois quem dela sofra é rápidamente eliminado, porque faz parte dos sentidos absolutamente necessários para se manter a vida.
Entre os humanos, e é essa uma das grandes diferenças para com os animais por muito que se queira igualá-los a nós: a civilização a tecnologia, em sumo a humanidade, permite que o cego sobreviva e tenha acesso a muita coisa. O áudio-livro é uma delas. Ainda bem!
Mas, e para quem veja?
Bom, pelos vistos há quem consuma este produto. Quem sabe se passará a haver áudio-escritores, ou seja, em vez de escrever, o autor dita para uma forma de gravação como se ditasse para uma estenógrafa ou secretária. Acaba-se a edição... os prémios literários deixam de fazer sentido enquanto forma de promoção de vendas e o merchandising terá de ser alterado, portanto cuidado que pode ser um tiro no pé de quem tente poupar na fileira do livro que por muito que se não queira assumir foi transformado num mero produto comercial.
No meu caso não serve, oiço demasiado, mal preciso do contacto visual com quem fala, se apenas oiço perco muito tempo a tentar ouvir/perceber, tenho de voltar atrás em certas passagens, o que é cansativo e sobretudo limitativo, pelo que não sou nem serei adepto do áudio-livro. Os chamados "podcast" não têm em mim grande adesão.
Mas é uma limitação minha.
No entanto, repito, nada substituirá a leitura directa da fonte de eleição: o papel!
Saudações moucas e papeleiras, cá da Cidade Morena.
"oiço demasiado mal, preciso... "
ResponderEliminarVírgula mal colocada, perdoem-me.
Penso o mesmo.O que se le,fica;o que se ouve,vai-se.
ResponderEliminarEntão e como é que memorizamos canções, por exemplo?
ResponderEliminarSimples... não sei que idade tem, mas terá aprendido a tabuada repetindo-a numa certa toada: nanana-na (dois vez dois quatro). Havia a história do garoto que chamado ao quadro a dizer a tabuada, argumentava que se lembrava da música (nanana-na) mas esquecera a letra!
ResponderEliminarAs canções recordamos... é até simples.
Agora tente o Caro Anónimo memorizar um discurso de um político... quando muito recorda vagamente o sentido daquilo que foi dito, mas o "ipsis verbis" será difícil.
Muito bom poder ouvir um livro. Tive em abril um descolamento da retina e por isso descobri o mundo dos audio- livros e de tudo o que se pode ouvir , podcasts, por exemplo.
ResponderEliminarTeresa
A arte musical é então comparável à tabuada. Obrigada pelo esclarecimento.
ResponderEliminarQue é mais fácil decorar a letra de uma canção do que o discurso de um político, por acaso já eu sabia.