Ninfomania

Tinha lido tudo de Leïla Slimani, excepto No Jardim do Ogre, em que peguei nas férias que tive há duas semanas. É a estreia de uma grande autora de ficção e já um livro extremamente maduro, a que alguém chamou, de resto, a «Madame Bovary do século XXI» e que prenunciava já o sucesso de vendas e crítica da autora, que venceu com o livro seguinte (Canção Doce) o Prémio Goncourt. Este No Jardim do Ogre conta-nos a história de uma jovem mulher, Adèle, que tem tudo para ser feliz: um marido que a adora, um filho, uma boa casa, um emprego, a possibilidade de ir viver para um lugar tranquilo e longe do stress de Paris; mas infelizmente nada a satisfaz e o seu desejo sexual é tão premente que por vezes nem ela consegue explicar a si mesma os riscos que corre sendo uma mulher informada e por que razão os corre, se afinal logo a seguir vive no pânico de engravidar de um estranho, de ser apanhada, de que alguém a siga e descubra tudo. É assim desde criança, segundo a mãe, que não é flor que se cheire e, como saberemos, terá alguma responsabilidade neste comportamento impulsivo de Adèle. As descrições podem ser sórdidas, aviso, mas apesar da obsessão com o sexo, este não deixa de ser também um livro sobre o perdão e amor.  Vale a pena ler.

Comentários

  1. António Luiz Pacheco10 de julho de 2023 às 02:20

    Não sou puritano, longe disso, mas a literatura erótica ou que use e abuse de sexo explícito, não faz mesmo nada o meu género, nunca fez, nem em adolescente.
    Já que estamos num blog de livros, refiro que no final do liceu fiz parte de um clube de leitura onde se trocavam livros, entre os quais alguns proibidos dentro do género que percebi logo não gostar: "Diário de uma criada de quarto", "Confissões de um burguês", fiquei por aí. Mais tarde li o incontornável Henry Miller e não gostei ainda. O mesmo com "Os sonhos morrem primeiro", e, muito depois, como curiosidade li os dois títulos de um português que não recordo agora o nome, mas o título era "Um homem da noite" ou algo do género, aliás ofereci-os a uma namorada que tive entre casamentos e gostava da noite, identificando-se com o tema e o assunto...
    Há romances em que a descrição das cenas de sexo se justificam de tal modo que fazem parte intrínseca, tal como as de violência ou outras. Há autores que o fazem com mais ou menos crueza, maestria, até de modo a que sem o recurso a elas a acção fica prejudicada, parece que ficaria incompleto. Consigo portanto perceber isso.

    Saudações cá da Cidade Morena, aliás muito pouco puritana!

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  2. Devíamos, era homenagear o saudoso Vilhena, um craque na brejeirice, no sexo, na infidelidade conjugal e no adultério feminino, cheios de acrobacias capazes de fazer humedecer, até pingar, a "perereca", como diz o brasileiro da leitora mais puritana.

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  3. António Luiz Pacheco10 de julho de 2023 às 06:52

    Tenho de concordar... José Vilhena (que morava em Santo Amaro de Oeiras e era cliente da Miraponte, no tempo de eu ser aluno do liceu de Oeiras) foi uma figura, pícara? Estarei a dizer bem?
    Dentro do género brejeiro foi de facto exímio, o que a nós portugueses sempre agradou muito, nem tanto o explícito mas mais do que isso o sugerido. Pode até ser um género menor, mas não é nem desprezível nem ofensivo, sendo no entanto diferente da pornografia, que também tem a sua participação, nada despicienda, na literatura e nas artes.
    Isto hoje dava pano para mangas, penso eu...

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  4. OH! Se dava!
    Obrigado e terminado.

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  5. Felicito o amigo ALP.Conseguiu resumir e encontrar as palavras certas para definir o genero.Parabens!

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  6. Não me atraem os meandros dos abcessos de gente dita normal. Mas é verdade que a escritora é boa, tem qualidade. A "Canção doce" torna-se livro inesquecível. E há muito quem goste do género.

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  7. Curioso... Eu era frequentadora do Miraponte, com o meu grupo de amigos da Secundária, quando frequentei o liceu de Oeiras. Fazíamos umas belas tertúlias onde, para além das jolas, também se falava de música, cinema e livros. entre tantas outras coisas. Susana

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  8. António Luiz Pacheco11 de julho de 2023 às 05:52

    Extraordinária Susana, andei no LNO entre 1966 e 1974.
    Teremos sido contemporâneos?
    Saudações cá da Cidade Morena.

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  9. Acho que não, caro António. Sou de 71. Andei mais tarde. Mas é interessante perceber que a história do Miraponte perdurou. Boas leituras e bom final de semana.

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