Ler no café
No tempo em que se estudava nos cafés de caderno aberto a tomar apontamentos, assim que chegava perto do meio-dia, os empregados vinham enxotar-nos, dizendo que não podíamos ficar ali mais tempo só com um café e um copo de água, pois estavam a chegar os clientes para o almoço. Depois, pelo menos na zona onde eu morava, esses cafés desapareceram, dando lugar a agências bancárias, e o hábito perdeu-se. Mas eis que em Braga alguém interessado em alargar a todos os hábitos de leitura se lembrou de fazer regressar os livros aos cafés... Trata-se de uma empresa de construção, a DST, que patrocina há já mais de vinte e cinco anos um importante prémio literário, cuja mais recente vencedora foi a escritora Teolinda Gersão. Na sua teimosia de promover a cultura e a literatura portuguesa, resolveu então oferecer aos cafés de Braga livros dos vencedores do Prémio DST ao longo dos anos, assim aproximando o público mais jovem (que agora vai para o café olhar para o telemóvel) dos livros. Cada café terá uma escolha alargada de títulos (Mário Cláudio, Manuel Alegre, Lídia Jorge, Nuno Júdice, Maria Ondina Braga e muitos mais) para que quem por lá passe não possa dar a desculpa de já ter lido aquele romance ou não apreciar o autor por aí além. Empresas ao serviço da cultura. Muito bem.
Peço muita desculpa, não é a juventude que vai para o café olhar para o referido artefacto de comunicação móvel digital multifuncional: - É TODA a gente! Bebés, crianças, jovens, adultos, idosos! TODA a gente, o hábito aliás nefasto nalguns casos, é transversal a todas as faixas etárias da nossa sociedade, e aliás, o uso é generalizado em qualquer lugar ou situação.
ResponderEliminarTentar transformar esse hábito em ler livros, é louvável e ousado, não sei é se conhecerá sucesso, mas sem tentar não se chega a nenhum resultado.
Sempre assisti a gente que lia, estudava, tomava notas ou escrevia, na mesa do café.
Nunca tive esse hábito, tenho alguma dificuldade em ler ou escrever num ambiente movimentado e ruidoso pelo que sempre o fiz em casa ou ambiente reservado, ainda que ouvindo música, o que me faz boa companhia na escrita, menos na leitura atenta.
Nem no comboio consigo ler... o máximo é o avião, em vôo nocturno e portanto sossegado sem passageiros a ir e vir, tripulação, conversas, ruídos de miudagem.
Já tentei na praia e também não é o sítio ideal... esplanadas ainda menos, etc.
Em compensação adoro ler deitado na cama, quando sózinho.
Sou mesmo um leitor de concha! Tenho de estar entocado e poder concentrar-me sem distracções.
Saudações e votos de leituras, cá desde a Cidade Morena.
Louvo a DST; parabéns pela iniciativa!
ResponderEliminarTodavia, penso que se em mil frequentadores do espaço conseguir "ganhar um novo leitor" já será um êxito.
Quem, de certeza, se regalaria com esse espaço seriam os frequentadores deste excelente blogue (parabéns MRP pelo esforço, pelo carinho e pelo gosto dos livros, eu estou-lhe grato por me proporcionar todos os dias este maravilhoso espaço dos livros).
O grande Paxeco disse tudo, o pessoal dos 0 aos 100 quer é o telemóvel é ver o panorama de qualquer café, de qualquer esplanada, independentemente da idade.
Eu leio em qualquer sítio desde que tenha algo para ler leio nem que seja em cima de um seixo.
Um bom dia para todos é boas leituras.
Vou agora bebe um café a uma esplanada com.o meu amigo "O LIVRO DO DESASSOSSEGO".
Isso ainda é possível fazer, agora reavivar uma tertúlia das antigas, se calhar não.
ResponderEliminarLer nos cafés e em sítios desassossegados? Depende dos livros, o "Livro do Desassossego" é sem dúvida um daqueles que se pode ler em todo o lado.
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