Final do ano no México

A Feira do Livro de Guadalajara é uma das mais importantes feiras internacionais do mundo. Ao contrário da de Frankfurt, que é provavelmente a mais famosa, não se reduz à venda de direitos e ao negócio, tendo também uma componente artística. Geralmente, são notáveis as sessões de abertura (assisti a uma conversa com Vargas Llosa e Herta Müller que foi inesquecível!) e depois há sempre um país convidado do qual vêm numerosos autores falar de literatura. Mas este ano as coisas vão ser ligeiramente diferentes e o lema vai ser «Construir Uma União de Culturas», pelo que, só dos 27 países da União Europeia seguirão para Guadalajara mais de setenta escritores e serão incluídos igualmente no grupo da UE os escritores ucranianos. Também editores destes 27 países estarão presentes para criarem laços e pontes com as editoras da América Latina. José Luís Peixoto, Lídia Jorge, Yara Monteiro e Joana Estrela serão alguns dos portugueses que poderemos encontrar no México por alturas da feira, ao lado, por exemplo, de Javier Cercas, Colm Toibin, Andrei Kurkhov ou a originalíssima escritora alemã Judith Schalansky (leiam O Pescoço da Girafa). Haverá, segundo um comunicado dos organizadores da feira, debates, teatro, cinema, música, exposições e gastronomia.

Comentários

  1. António Luiz Pacheco6 de julho de 2023 às 01:10

    A transversalidade destes festivais literários, de qualquer dimensão, será não só o espelho da largueza da nossa amada literatura, como também aquilo que atrai as pessoas.
    Continuo a acreditar que a leitura/livros não só não estão moribundos como fazem correr, mas estão até de boa saúde!

    Saudações saudáveis cá da Cidade Morena!

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  2. Por coincidência este momento apanhou-me a ler "Os Detetives Selvagens", de Roberto Bolaño. Confesso que não sei se os inúmeros poetas que desfilam naquela obra monumental são reais, se são ficcionais, se uns são reais e outros não. Aceitando que pelo menos o ambiente corresponde à realidade poética da época, imagino a excitação e a felicidade que teriam aqueles poetas há meio século se participassem num certame deste nível realizado no México.

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