Censura de volta

Hoje, quando falo de censura aqui no blogue, refiro-me sobretudo a uma nova censura (e autocensura) que nos vem impondo há uns aninhos o politicamente correcto. Cada vez mais sinto que, de repente, todos passámos a medir as palavras sob o risco de ofendermos alguém, mesmo quando não temos nada contra a pessoa; e eu até já recebi uma reprimenda oficial por ter dito de uma pessoa não binária que era «uma senhora escritora», elogio que, como se percebe, foi completamente treslido por esta nova inteligentsia. Mas parece que a censura como antes a conhecíamos, a do tempo da ditadura, está também de volta, pelo menos no país vizinho, onde a Extrema Direita avança a passos largos e já está a impor a sua vontade. Artistas como Joan Manuel Serrat ou Pedro Almodóvar, bem como instituições de peso como a Sociedade Geral de Autores e Editores (SGAE), a União dos Músicos, a União dos Atores e Atrizes, e a Rede Espanhola de Teatros assinaram um manifesto em que exigem que a liberdade de expressão seja mantida, pois todos os dias estão a ser reportados casos de censura aos artistas. Foi, aliás, criada a Organização para a Liberdade Artística (OLA), que integra profissionais da cultura de todos os segmentos, para intervir, uma vez que têm vindo a ser «cancelados» filmes e peças de teatro (uma baseada em Orlando, de Virginia Woolf) em municípios onde o Vox impera, no que foi considerado simples «veto ideológico». Vamos ver até quando estamos livres disto.

Comentários

  1. Tudo depende do poder. O poder, uma vez instalado, é que estabelece o que não podemos ver, ler, dizer, pensar, desejar (quanto a estes dois é mais difícil atuar, mas consegue-se alguma coisa). O que sobrar é o nosso campo de liberdade.

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  2. António Luiz Pacheco17 de julho de 2023 às 06:01

    No que toca a censura, tenho tanto medo da direita como da esquerda! Nem mais nem menos, mas o mesmo!
    A direita censura em nome dos princípios conservadores, a esquerda censura em nome da liberdade, o que é bem mais espantoso! Lembro o famoso "proibido proibir" e em que é que se tornou? Direita e esquerda pretendem censurar e proibir-se entre si...
    No entanto, quem mais tenta censurar, hoje, são o lóbi gay e o lóbi animalista. Esses sim, são os grandes inimigos da liberdade individual e até já da liberdade colectiva, porque tentam impor a sua filosofia a todos os demais.
    Corro o risco de ser atacado pelo que acabei de dizer, mas só vai dar-me razão, portanto!

    Saudações couraçadas cá da Cidade Morena!

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  3. Boa tarde, é verdade sim, a censura está de volta e em grande, vai ao ponto de reescrever livros infantis, fazer cortes em livros obrigatórios na escola, enfim!..
    Também é verdade que os que acham que não têm liberdade nos impõem, ou querem impor, as suas opiniões, as coisas estão a ficar pretas...
    Eu tenho optado por não dar opinião, fico na minha, não será a coisa mais certa a fazer porque estou a cortar-me....isto acaba por ser um pau de dois bicos.
    beijinho, eugénia

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  4. Infelizmente, é uma realidade que cada vez mais pretende dominar as nossas vidas. A censura, quer seja de direita, quer seja de esquerda está a ganhar terreno. Contudo, o novo paradigma não pretende só calar a voz e o pensamento, pretende moldar a realidade, a História, as obras de autores que não agradam. Hoje, mais do que nunca é necessário lutar contra essa nova forma de pressão social e hipocrisia.

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  5. Realmente, a nova "censura" vai da direita à esquerda. Isso nota-se perfeitamente no facto de o politicamente correcto (seja lá o que isso for) ser, no seu início (anos 1980), um movimento ligado à esquerda. E é verdade que os maiores opositores do dito se cristalizaram na extrema-direita, com Trump como imagem de marca. No entanto, hoje em dia, muita gente de esquerda também abomina o famigerado "politicamente". E a autora do blogue acaba por o confirmar, ao dar um exemplo da nova censura através do Vox. No entanto, calculo que os membros do Vox sejam apreciadores de Trump, a imagem de marca do politicamente incorrecto!

    Já ninguém se entende. Não será melhor acabar com a expressão, que já nada diz, nem faz sentido? No fundo, só serve de etiqueta para denominar algo ou alguém que não nos agrada.

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  6. Realmente o lápis azul está de volta e eu já o senti quando aqui neste extraordinário blogue, para descrever e condenar um assalto que se verificou aqui há uns tempos, a um estabelecimento de um pobre paquistanês, em Sintra, e chamei preto a um preto e branco a um branco (os assaltantes)...e sabem quem prontamente usou o lápis azul e censurou o meu comentário (eliminando-o)...pois é, às vezes temos surpresas.

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  7. Há que ter cuidado, especial atenção, quando se usa a palavra «censura», e não abusar dela a torto e a direito. A situação que é descrita neste texto - e que foi também o tema de uma «reportagem» que eu vi recentemente na RTP, marcada não tanto por jornalismo isento e rigoroso mas sim mais por activismo ideológico - não representa uma proibição generalizada de determinadas obras e/ou opiniões, que, obviamente, podem continuar a ser expressas em outros espaços e meios (não estão banidas a nível nacional), mas sim opções por outras que são mais alinhadas com os pontos de vista dos que detêm a capacidade de programar as actividades dos espaços e meios sob a sua responsabilidade. «A Extrema Direita avança a passos largos e já está a impor a sua vontade»? Que «horror»! E a extrema-esquerda não anda a fazer precisamente isso há vários anos, tanto em Espanha como em Portugal?

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  8. Sim, abusa-se da palavra "censura". Muitos artistas gostam de se fazer de vítimas. Outros gostam de reclamar, seja pelo que for.

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