Um século de vida e história
Está a sair para as livrarias o novo romance de Paulo M. Morais, que foi uma vez mais finalista do Prémio LeYa. Chama-se A Boneca Despida e a sua protagonista, Julieta, seria talvez uma pessoa vulgar, não fosse o facto de ter vivido mais de cem anos. Cresceu sem mãe e longe do pai, junto de uma avó violenta que a escravizou. Não a deixaram prosseguir os estudos. Não lhe ensinaram os factos da vida. Casou sem paixão, teve filhos que amou e por quem sofreu de insondáveis maneiras. Acabou num lar, sozinha, como tantas outras. Do seu nascimento na ilha do Faial à pequena infância passada em Macau; dos tempos num colégio interno em Hong Kong ao regresso definitivo a Lisboa; da obediência à avó à sujeição ao papel de esposa e mãe; a história fascinante de Julieta (e a da sua boneca de bisque) é também a da mulher portuguesa ao longo dos anos cinzentos da ditadura, sempre contando os centavos, abdicando dos sonhos em favor da família, calando dúvidas e frustrações e passando por cima de sucessivos desgostos. Este é um registo absolutamente notável da história da vida privada de um país que, no lapso de um século, participou em guerras e conflitos, viu partir a sua gente, instalou-se nos subúrbios, virou do avesso regimes políticos, se tornou europeu, esqueceu os seus velhos, conheceu momentos de luz e sombra. E Julieta, claro, assistiu a tudo.

Este resumo (excelente) cativou-me; assim seja o livro, que desconheço completamente, tal como desconhecia o autor -Paulo Morais só conheço aquele que finge malhar nos corruptos, mas, ao que parece, se acoita a eles...
ResponderEliminarO Severino não se lembra, mas o Paulo M. Morais anda aqui no HE há muitos anos.
ResponderEliminarFaça uma pesquisa no blog e talvez até encontre alguns comentários seus
Dou-lhe uma pista: é o marido da também escritora Isabel Rio Novo.
Gostei muito desta sinopse e fiquei com vontade de ler A Boneca Despida. Na capa do livro descobri um pequeno ferro de engomar igual a um que foi da minha avó e a minha mãe guardava com muito carinho.
Pena não terem posto a boneca...
Boas leituras! 📚
Cito e divulgo:
ResponderEliminar"Paulo M. Morais nasceu em fevereiro de 1972. Cresceu nos arredores de Lisboa entre futebóis de rua, livros de aventuras e matinés de filmes clássicos. Licenciou-se em Comunicação Social e cumpriu um sonho de juventude ao fazer crítica de cinema."
Agora que estamos apresentados, ao Severino também e em particular, vai daqui um grande abraço ao autor, com votos do maior sucesso neste livro que parece interessante pelo tema. Bela idéia teve!
Várias perguntas me surgem, mas conto encontrar respostas na sua leitura.
Só espero que não apareça aí alguma luminária a desprezar o romance por a personagem ser uma mulher e o autor homem casado á antiga (com uma mulher, portanto), o que o incapacitaria para tal. Na actual conjuntura de uma certa imbecilidade bem-pensante mas pouco esclarecida é de temer que haja quem assim lo ache. Achadores há mais que chapéus.
Saudações cá desde a Cidade Morena.
Obrigado pela vossa amabilidade.
ResponderEliminarSempre a considerá-lo, caro amigo!
ResponderEliminarSe calhar até poderá ser injusta esta referência a este Paulo Morais mas "quando a esmola é muita o pobre desconfia".
ResponderEliminar...a minha referência no meu comentário, obviamente
ResponderEliminarQuando disse que não conhecia este autor, eu fui confirmar se ele era quem eu pensava, e era.
ResponderEliminarÀs vezes conhecemos um autor que não publica há muito tempo e não nos lembramos...
E já há muitos anos que o Seve anda por aqui, tal como eu, embora eu agora muito raramente comente.
De qualquer modo, agradou-me a sinopse deste livro e procurei-o ontem na Bertrand, mas ainda não tinha chegado.
Boas leituras! 📚