Os clássicos
Muito se tem discutido e dito sobre o que é um bom livro, e realmente não há respostas que sirvam a cem por cento para tudo, mas sabemos que, naturalmente, os livros que resistem ao tempo têm pelo menos alguma garantia de qualidade, sobretudo por conseguirem sobreviver a tantos outros que morrem ao seu lado (muitos dos quais em vida do autor). Tendemos a chamar «clássicos» aos mais imorredoiros, e o grande leitor e editor que é Francisco José Viegas prepara-se para dar um curso sobre alguns destes clássicos (romances e contos) que vão resistindo a todas as intempéries e desastres culturais e encontrando leitores contemporâneos. No mês que vem, com início a 26 de Junho, inicia-se o ciclo Clássicos, antes que seja tarde, que incluirá obras tão variadas como Madame Bovary, Orgulho e Preconceito, Mau Tempo no Canal, Cem Anos de Solidão, Os Maias, Memórias Póstumas de Brás Cubas ou mesmo as Ficções do grande Borges. São cinco sessões, cada uma tratando dois livros, e acontecem no El Corte Inglés, em Lisboa. Aviso com antecedência, porque estas actividades costumam esgotar logo e, portanto, se estão interessados, apressem-se com a inscrição. Sobre tudo isto, o melhor mesmo é consultar a página ambito-cultural.elcorteingles.pt. Está tudo lá.
Bom dia:)
ResponderEliminarAinda bem que a Rosário avisou, já me estava a esquecer desses cursos. E é bem verdade que esgotam num ai. Talvez até já vamos tarde.
Gosto dos clássicos, tenho por alguns notória reverência e não porque, em abstracto, resistam ao tempo; mas porque são ainda e sempre os que leio e releio com agrado. Continuam a agradar-me, não tenho explicação para isto. Sei apenas que não acontece com escritores actuais que leio com agrado mas não me apetece reler.
Bom tema para ser objecto de umas sessões, enfim não lhe chamaria "curso" pois me parece inapropriado, mas sem dúvida que dá um bom colóquio ou seminário, como lhe chamaria antes.
ResponderEliminar"Curso" é pomposo em demasia e ainda uma modernidade em que as pessoas precisam destas vaidades, no entanto são capazes de se ofender com a linguagem ou os termos usados pelos clássicos que lhes ofendem a sensibilidade exacerbada de flores de estufa!
A propósito, viram a declaração de Tom Hanks (que lançou o seu primeiro livro) sobre os livros "reescritos" para não ofender uma data de papalvos e tótós imbecilizados?
No dia 10 foi a efeméride da famosa queima de livros pelos nazis. Será que se está a perfilar uma nova queima de autores e de obras?
Temo que sim, e, curiosamente desta vez não vem dos nazis nem da extrema direita, mas de uma esquerda que se acha libertária e bem-pensante. Creio que também a esquerda foi chão que já deu uvas e talvez porque há demasiado tempo ao leme da cultura, está a começar a sofrer dos tiques que criticava!
Saudações cá da Cidade Morena, votos de sucesso e um especial abraço a Francisco José Viegas!
Afirmar que "os livros que resistem ao tempo têm pelo menos alguma garantia de qualidade" é, sem dúvida, uma sentença que parece irrefutável, baseada na lógica de que a sobrevivência é um testemunho de vigor e mérito.
ResponderEliminarContudo, com a devida vénia, permita-me introduzir uma modesta refutação ao referido argumento, particularmente no que concerne às obras que foram arrebatadas por forças que ultrapassam a temporalidade ou as preferências dos leitores. Sejam vítimas do acaso, da censura, de catástrofes ou de outras formas de perda, numa perspectiva histórica, a preservação ou erradicação de livros raramente é um processo imune a factores externos. Pode-se argumentar que alguns dos volumes que hoje designamos como clássicos sobreviveram não somente pela sua qualidade intrínseca, mas igualmente devido a circunstâncias fortuitas que os salvaguardaram da destruição. Em contrapartida, inúmeros trabalhos que poderiam ter sido igualmente meritórios encontram-se, lamentavelmente, perdidos para sempre.
A proposta do ilustre Francisco José Viegas de explorar os clássicos imorredouros é, sem sombra de dúvida, uma aventura intelectual entusiasmante. Todavia, seria igualmente relevante recordar aqueles trabalhos esquecidos, as "sombras literárias" que, por um ou outro motivo, foram apagados da nossa memória colectiva. Longe de os negligenciar, deveríamos honrá-los como testemunhos silenciosos da nossa cultura e história, tal como propõe Fernando Báez na sua "História Universal da Destruição dos Livros". Imaginemos, por exemplo, um curso onde nos debruçássemos sobre potenciais clássicos desaparecidos, obras cuja existência apenas conhecemos pelas menções feitas em outros livros.
A qualidade de um livro não deve ser avaliada unicamente pela sua capacidade de resistir ao tempo, mas também pelo seu valor intrínseco, que pode não ter sido reconhecido ou que pode ter sido esquecido por variadas razões. Assim, devemos ser cautelosos ao julgar os méritos de um livro apenas pela sua longevidade, pois esta nem sempre é um reflexo da sua qualidade - por vezes é somente uma mera consequência da sorte ou do infortúnio.
P.S. O El Corte Inglés já vai na segunda menção numa semana...?
Caro, tem toda a razão, há outros factores que levam à sobrevivência de um livro, mas não pretendi ser exaustiva. Quanto à menção ao ECI, eu própria reparei nisso, caramba, mas a verdade é que não escrevo sempre estes posts por ordem e às vezes não vou ver o que já tinha programado para sair em certo dia. Juro, porém, que ninguém me pagou para falar da empresa. Queria ainda dizer, para matar dois coelhos de uma cajadada (um seu e outro do ALP) que os termos «curso» e «imorredoiros» são meus, não do FJV, para que fique claro. Obrigada.
ResponderEliminarÓ Caro Serafim:
ResponderEliminar-que trabalhos esquecidos-quais-?
- que "sombras literárias"? a quem se refere?
Caro Pacheco, o primeiro livro do Tom Hanks foi lançado em 2017. Será que ele escreveu outro recentemente?
ResponderEliminarE já agora, o que disse ele sobre livros reescritos?
Boas leituras! 📚
Caro/a:
ResponderEliminarNão sei mais do que o que li: https://www.facebook.com/photo/?fbid=2207436719441753&set=gm.3600039446891659&idorvanity=1374612449434381
Dizia a notícia que ele acaba de lançar o seu primeiro livro, pelo que não sei dizer mais, eu nem sabia que ele tivesse escrito. É um grande actor, talvez dos melhores e mais completos de sempre, mas não sabia homem de letras!
Saudações cá da Cidade Morena
Obrigada!
ResponderEliminarSegui o link e já vi que ele lançou o primeiro romance. Será o segundo livro, dado que o primeiro (de 2017) era um livro de contos, ou short stories, como eles dizem.
Ganhou coragem e escreveu um romance.
Eu li o primeiro e não desgostei.
Quanto ao que ele disse, estou plenamente de acordo.
Saudações!