Lucy, volta sempre

Não perco um livro de Elizabeth Strout, cuja escrita me fascina sobretudo pela aparente simplicidade e coloquialidade. A sua obra é mesmo um «projecto literário», na medida em que certas personagens vão passando de livros para livros e até entrando nos livros que supostamente não lhes pertencem. Li até agora todos os romances dedicados a Lucy Barton, sempre tremendo que a autora a faça desaparecer num dia qualquer. Em Lucy à beira-mar, o que li mais recentemente na tradução de Tânia Ganho, tive bastante medo de que isso acontecesse quando a Lucy diz, logo num dos primeiros capítulos, que não sabia que não voltaria à sua casa de Nova Iorque (e, como estamos num ambiente pandémico, pensei o pior); felizmente, não foi desta e desejo sinceramente que a senhora Strout nos delicie mais vezes com esta Lucy, uma personagem que é mesmo de carne e osso, com uma normalidade tão original que até faz impressão como é que isto se consegue. Mas, pronto, sem querer contar demais, neste romance a sua vida dá uma reviravolta inesperada, que é uma seta para trás, e a história da cunhada recém-descoberta em Oh, William (outro livro fascinante) terá continuidade, um bálsamo para William, o homem que está a envelhecer muito depressa, e para nós, claro, que ainda vamos querer que Chrissy, uma das filhas do casal, tenha um bebé depois de tantos desgostos e tanta magreza. Leiam, leiam, nunca desilude esta escritora norte-americana. Se o próximo não for da Lucy, pode ser que seja da Olive Kitteridge. Veremos.

Comentários

  1. Nunca ouvira falar desta escritora. Confesso que não fiquei fã. Não adiro a histórias com continuidade razão pela qual não sigo nenhuma série de televisão.

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  2. Adorei ler o "Oh, William", que me levou a reler o My name is Lucy Barton.
    Este novo livro já está na minha lista para quando for à livraria.
    Boas leituras!📚

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  3. Tenho paixão por Elisabeth Strout, sou fã, e li os livros publicados em Portugal, excepto Lucy à beira-mar que, por acaso, já tive nas mãos e hoje me arrependo de não ter comprado. Não perde pela demora, virá na próxima incursão à capital ou, se tal me apeteça, mando-o vir, recebo-o em casa com os salamaleques devidos. É que a gente lê o que escreve e irmana-se, não há estranheza.

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  4. "O MEU NOME É LUCY BARTON" e "Oh, WILLIAM!" - foram os dois livros que já li desta autora e confesso que foi uma leitura agradável, capítulos pequenos (como eu gosto) e, em ambos, sente-se a solidão, quase a cada pagina. Todavia, não fiquei com o "vício" de ler todos os livros da autora que, sinceramente, não me deslumbrou.
    Se calhar leio se não calhar não leio.
    Por exemplo, embora possa não vir a propósito, li um livro do John Fante e não "descansei" enquanto não os li todos (isto acontece-me sempre que gosto muito de um autor).

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  5. Rosa Cláudia Gonçalves10 de maio de 2023 às 03:19

    Ainda não li nenhum, mas vou acho que vou começar com “Tudo é possível”, o título promete! ☺️

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  6. De um modo geral diz-se que esse é o livro menos empolgante da série Lucy Barton. Apesar de os livros serem independentes, conto lê-los pela ordem em que foram publicados: O meu nome é Lucy Barton, Tudo é possível, Oh, William e, por fim, Lucy à Beira-mar.

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  7. É realmente o menos empolgante... É melhor começar por «O Meu Nome...»

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