Feira do Livro de Lisboa
Hoje começa a 93.ª edição da Feira do Livro de Lisboa, que vai decorrer até ao dia 11 de Junho, ocupando-me três fins-de-semana e um feriado em que tantos estarão na praia e no campo a gozar o lazer. Mas esta Feira é um must, como sabem, e este ano regressa com a maior oferta editorial de sempre, embora, infelizmente, com o mesmíssimo número de pavilhões (tudo mais apertadinho, em suma), porque, com a tal Jornada Mundial da Juventude programada para o início de Agosto a requerer organização antecipada, não foi possível ir além do que foi feito em 2022. Mas serão cerca de 140 participantes, mais de 980 chancelas (nem eu sabia que havia tantas) e 340 pavilhões, em lugar dos desejados 379 que para o ano de certeza que lá estarão. O importante, porém, é que podemos deliciar-nos com esta montra a perder de vista e ao ar livre, ver muitos dos nossos autores favoritos e pedirmos-lhes o autógrafo ou um dedinho de conversa, apanhar ar entre a beleza dos jacarandás (atchim!) e conhecer os leitores, essa raça cada vez mais rara num País onde 61% das pessoas não leram um único livro durante um ano inteiro. Eu e os Extraordinários somos as aberrações.
E também não será onde o Partenon livresco tem pelouro num curto mas precioso intervalo do Tempo ? Talvez...
ResponderEliminarO número de leitores vai descendo enquanto o número de livros publicados vai subindo, um paradoxo cujo desenvolvimento parece ser pouco saudável. Dentro deste fenómeno está a Feira do Livro que, sendo um evento organizado, pode ser um instrumento positivo. Só lá poderei ir durante os últimos dias mas ainda irei a tempo.
ResponderEliminarBoas compras para boas leituras, é o que desejo aos Extraordinários.
Infelizmente este ano, mais um, não posso ir.
ResponderEliminarÉ tanto mais pena pois também foi editado um romance meu que aliás vai estar na feira, porém assim calhou por razões de trabalho e familiares (vou em Junho, para ser avô pela primeira vez...).
Esta feira parece que terá o azar de ser bafejada por mau tempo, o que se afasta o público da praia pode não ser convidativo a ir à feira! Pior ainda e incompreensível é a anunciada limitação imposta pelo maldito futebol, que parece imperar sobre tudo o mais!
Das jornadas da juventude, pois creio que é descoordenação da organização da feira que poderia tê-la atrasado para depois daquele evento que parece ser da maior importância nacional, como aliás são sempre todos, numa demonstração inequívoca da megalomania portuguesa à procura de recuperar um império perdido! Pena é que em vez de oiro -como os descobrimentos- tragam sempre prejuízo a despeito das previsões económicas optimistas, porque o dinheiro alguém o embolsa e o prejuízo, esse é público.
Enfim, votos de uma Extraodinária feira do livro a quem tenha a dita de lá poder ir, dos que lá vão por razões profissionais, dos que vão porque gostam de leitura, dos que lá vão apenas passear ou comer farturas e possam ter a oportunidade de beneficiar do espírito e da ocasião para serem leitores por uma hora, que seja.
Até para a semana, então. Eu cá me fico pela Cidade Morena em festa pelos seus 406 anos, com feira, exposições, espectáculos, gastronomia, corridas e mais coisas umas que consumo e outras que não, mas sempre é animação.
Parabéns pelo novo romance. O que nos pode adiantar sobre ele, extraordinário António Luiz?
ResponderEliminarMuito obrigado, meu caro!
ResponderEliminarAgradeço também o seu interesse, e, pedindo desculpa à Nossa Extraordinária Anfitriã pelo abuso, remeto-o para este link de uma entrevista ao Correio do Ribatejo, onde encontrará a explicação e esclarecimento à sua questão.
https://correiodoribatejo.pt/angola-de-hoje-e-algo-que-ainda-nao-existe/
Um dia estimo que nos encontremos numa feira do livro, alguns dos Extraordinários que gostamos de interagir!
Grande abraço cá da Cidade Morena.
Não vou. Prefiro esperar pelos serviços da Biblioteca ou pedir emprestado. Já tenho livros que cheguem em casa. Além de que estão estupidamente caros.
ResponderEliminarParabéns, caro Pacheco, pelo seu novo (pode dizer-se que ainda o é, porque afinal só tem cinco meses) livro, com uma saudação especial de um ribatejano para outro!
ResponderEliminarEis que nos preparamos para explorar o mundo de uma criatura mítica, tão elusiva quanto um unicórnio em qualquer floresta, tão rara quanto uma página branca numa biblioteca: conheçam a “persona” extraordinária que apelidamos de "Não Leitor".
ResponderEliminarNa sua encarnação mais pitoresca, este ser etéreo assume a forma de um Bruno imaginário - um fantasma no reino literário, tão real quanto o Chapeleiro Louco no País das Maravilhas, mas um pouco mais tangível quando se trata de representar uma certa tendência no nosso Portugal. Lembrem-se, queridos leitores, que o nosso Bruno é um arquétipo, não um indivíduo de carne e osso. Ele é uma soma de características, um emblema de uma subcultura literária inversa.
Assim, como um personagem de um livro que ele nunca leria, este Bruno tem uma vida rica em detalhes: um empregado de mesa de 35 anos, com uma paixão por futebol e jogos de vídeo, habitante de Elvas, e com um talento especial para evitar qualquer actividade que envolva abrir um livro ou trabalhar muito.
Assim, preparem-se para mergulhar na persona deste ser inigualável, este exemplar imortal do Não Leitor, tal como descrevemos o nosso querido Bruno - não um homem, mas um conceito, uma ideia, uma faceta do panorama cultural de hoje.
Bem, feita a introdução, apresento-vos o nosso Bruno, o nobre escudeiro da nobre arte da não leitura. Aos 46 anos, já alcançou a sonhada perfeição do 9º ano de escolaridade inacabado e vive de tentar servir à mesa e de outros biscates em estabelecimentos de hotelaria. Elvas é o seu campo de batalha, onde vai arranjando empregos temporários em cafés ou restaurantes, quando a respectiva clientela aumenta.
É um adepto ardente de futebol, e os jogos de vídeo são a sua odisseia pessoal, com sagas muito mais cativantes do que qualquer coisa de Tolkien. As séries de televisão são os seus romances de época, embora, claro, sem todas aquelas palavras chatas. Ah, e a vida social? Um livro aberto, literalmente, porque ele passa as tardes na esplanada a vivenciá-la a cada mini que bebe, e não a ler sobre ela!
As suas motivações para não ler são tantas que poderiam encher um livro - que ele, é claro, nunca leria. Tempo é dinheiro, e quem quer desperdiçar dinheiro em algo tão efémero quanto uma página de um livro? O seu interesse na leitura é tão escasso quanto um jacarandá no Árctico. Quanto ao hábito, bem, ele prefere os hábitos que não requerem marcadores de livros e, de qualquer modo, não quer ser um monge. E encontrar livros de que ele possa gostar? É mais provável que ele encontre um unicórnio em Moura.
Ele considera todos os géneros literários como inimigos declarados, mas tem um ódio especial pela poesia, ficção científica e filosofia. Afinal, para quê imaginar outros mundos, quando o mundo gira tantas vezes à sua volta, principalmente quando está bêbedo? E para quê ponderar sobre a existência ou mergulhar na lírica quando se pode simplesmente assistir a um episódio de uma sitcom no conforto do sofá?
Bruno é um verdadeiro campeão da não leitura: ele não lê um único livro por ano, seja por prazer ou por obrigação. Para Bruno, uma linha é um poema, um parágrafo é um ensaio e uma página é um romance. Ele não tem livros em casa e não perambula por livrarias ou bibliotecas - porque ele, é claro, não tem pachorra para essas coisas.
Quanto a conhecer autores, bem, diz que o pai viu uma vez o Saramago na Azinhaga do Rui de Melo, perto do Aqueduto da Amoreira, e que, pensando bem nas coisas, quem é que precisa de escritores quando se tem influenciadores de redes sociais? Bruno considera a leitura uma actividade aborrecida e inútil - a menos que esteja a ler o menu do bar depois de um longo dia a evitar a literatura.
Um dia, em Monforte, uma jornalista de um suplemento literário pediu a Bruno um comentário sobre a falta de leitura em Portugal. As respostas de Bruno foram tão lapidares que nunca chegaram a ser publicadas.
ResponderEliminarExcerto da entrevista (gravação pessoal da jornalista):
Jornalista (J): Bruno, o que pensas sobre o facto de 61,2% dos portugueses não terem lido um único livro durante um ano?
Bruno (B): Ó pá, é um bocado como ganhar na lotaria sem ter comprado o bilhete, não é? Pertencer à maioria é um mimo. Não há nada como saber que a maioria das pessoas são como tu, é confortante.
J: Ficas satisfeito por pertenceres a essa percentagem?
B: Claro que sim! Sempre me disseram que o importante era fazer parte do rebanho. Olha, somos como o trigo ao vento, sabes? Quem se importa com as espigas que caem no caminho?
J: E o que dizes dos 4% que lêem mais de 10 livros por ano?
B: Esses gajos lêem muito e pensam demais em cenas que não interessam para nada. Vivem à custa da mama do governo senão não teriam tempo para ler tanta história da carochinha. E depois são os mesmos que andam para aí a semear histórias anti-patrióticas e anti-cristãs e a dar cabo da vida a quem trabalha. Eu cá quando ouço falar em minorias cheira-me logo a esturro.
J: Estás a comparar a minoria leitora com minorias sociais?
B: Olha, nunca vi um cigano com um livro, por isso, deve ser a única coisa que temos em comum. Não estou a dizer que a leitura é má, só que não é para todos. É como a açorda de bacalhau, nem todos gostam. Mas vocês jornalistas e outros intelectualóides é que estão sempre com o credo das minorias na boca e a tentar trazer para cá mais estrangeiros e a dar direitos a quem não faz um tostão furado pela nossa terra. Olha, e cuidado, para não me fazeres passar por maluco na tua revista. Eu sei como vocês, jornalistas, gostam de inventar coisas.
J: Achas que os jornalistas, como eu, são parciais?
B: Ó pá, eu sou um homem normal, sou casado com a minha mulher, gosto de uma boa bifana e de um jogo da bola. A minha avó sempre dizia, "quem diz o que quer, ouve o que não quer". Não faço ideia se vocês são todos parciais, ou não gostam de leis marciais, o que sei é que andam sempre a apaparicar coitadinhos e a dar tempo de antena a malta que anda enfiada com os olhos nos livros, sem quererem saber da malta que se esfalfa a trabalhar e não quer andar aos papéis, e que é a maioria, como tu própria disseste! Vocês não querem saber do mexilhão! A mim nunca ninguém me pergunta nada!
D. Odete, tem por acaso preconceito contra o Alentejo em geral ou é só mesmo Elvas? Escusava de ser tão exacta, porquê atribuir-lhe lugar específico no espaço português. O não leitor é quase um deus, está em todo o lado. Pois não é?
ResponderEliminarOra bolas, é mesmo preconceito. Então este Bruno não é de Monforte?!
ResponderEliminar"Sempre tive ânsia de viver, de experimentar as surpresas maravilhosas que a vida encerra, uma grande alegria de viver. Às vezes, a luminosidade de certas tardes em Lisboa, uma árvore em flor, como esses belos jacarandás do Parque Eduardo VII, um quadro, uma pessoa que observo e que, por qualquer razão, me desperta a atenção, bastam-me"
ResponderEliminarAVILLEZ, Maria João. Soares, ditadura e revolução. Lisboa: Público, 1996.
Cedo percebi que a verdadeira prosperidade não se avalia meramente em moedas e notas. O tesouro que amontoei reside nas terras desconhecidas que desvendei, nos fascinantes protagonistas que encontrei, e nas narrativas envolventes que experienciei - todas elas através do poder mágico dos livros. Nunca senti a necessidade de extensas jornadas físicas para alimentar o meu espírito intrépido, uma vez que sempre dispus da infinitude dos cosmos literários ao alcance dos meus olhos.
Em Lisboa, a minha casa no mundo, descobri encanto na luz do entardecer ao percorrer ruas embelezadas com Jacarandas, Podocarpus, Chorisias, Ficus, Tipuanas Tipu, e outras tantas árvores que Brotero conseguiu aclimatar a esta metrópole. O legado deste notável botânico, que trouxe para Portugal estas maravilhosas espécies, proporcionou-me um vínculo tangível com as suas remotas pátrias. Mesmo sem a capacidade para uma viagem real, conseguia transportar-me para outras latitudes, conseguia sentir-me no Brasil através da magnificência dos jacarandás, e com a ânsia de descobrir mais, fui mergulhando mais, e mais, no universo dos livros.
Nas pequenas barraquinhas da feira de livros do Parque Eduardo VII, frequentemente descobri passaportes para jornadas incríveis. Os livros ali adquiridos tornaram-se as minhas caravelas, permitindo-me navegar por oceanos de vocábulos para terras exóticas e ignotas. A cada mudança de página, descobria personagens arrebatadoras e explorava costumes antigos, permitindo-me degustar o novo e o inesperado. Apesar da minha escassa situação financeira, consegui viajar longa e intensamente através destes livros, enriquecendo a minha existência com vivências e saberes que a divícia não poderia adquirir.
Desta forma, mesmo num mundo confinado, encontrei liberdade ilimitada na imensidão das palavras, provando que um homem pode chegar a qualquer lugar, sem nunca deixar o seu. A leitura bastou-me.
Cara Bea:
ResponderEliminarBruno, a personagem que temos aqui, é um arquétipo, um compósito criado a partir de dados e estatísticas. Não é uma pessoa de carne e osso. É apenas, uma simplificação, uma caricatura.
Encontramos “Brunos” e “Brunas” destes em Portugal de lés-a-lés, com excepção, talvez, das Berlengas. São serventes de pedreiro, empregadas de balcão, otorrinolaringologistas, sindicalistas, capitalistas, costureiros, governantes, professores, arrumadores de carros, trauliteiros, etc.
Este arquétipo do "Bruno" foi moldado cruzando os dados do estudo "Leitura de livros em Portugal e na Europa. Tendências recentes numa perspetiva comparada"* com os resultados das eleições legislativas de 2022.
O artigo da Análise Social sobre a leitura de livros em Portugal revelou, entre outras coisas, que em 2016 o Alentejo foi a região com a menor percentagem de pessoas a responder "Sim" à pergunta "Nos últimos 12 meses leu algum livro como atividade de lazer?".
Os resultados das eleições legislativas de 2022 mostram que as áreas em que este “Bruno” vive e por onde circula, como Elvas, Monforte e Moura, foram onde teve melhores resultados um dos partidos que fez parte da coligação Basta! em 2019 (e que ambiciona criar a coligação Pára! a qualquer momento).
Mas claro que não se deve fazer suposições e extrapolar a partir deste perfil. Enquanto as estatísticas podem mostrar-nos tendências e padrões, elas não podem capturar a complexidade e diversidade dos indivíduos. “Bruno” é apenas uma paródia, um esquisso, não uma descrição completa de uma pessoa real, dos habitantes de uma região, de uma profissão, de uma filiação partidária, de uma classe, ou de qualquer outra categoria social.
Notas adicionais:
Adoro o Alentejo e os alentejanos! Tal como qualquer outra região, é um lugar de muita diversidade e riqueza, cheio de pessoas que desafiam quaisquer estereótipos ou generalizações.
Já fui empregado de mesa e tenho muito respeito por quem muitas vezes tem de estar de plantão, enquanto uma qualquer ave rara passa uma tarde inteira, com desdém e uma chávena de chá na mesa, a ler La Prisonnière de Marcel Proust.
*LOPES, Miguel Ângelo; NEVES, José Soares; ÁVILA, Patrícia. Leitura de livros em Portugal e na Europa. Tendências recentes numa perspetiva comparada. Análise Social, Lisboa, v. 56, n. 241, p. 642-666, 2021.
Bolas! Não precisava dar-se a tanto trabalho, D. Odete que já foi homem ou ainda será. Mesmo desconhecendo que era criação estatística, dava para ver, a qualquer pessoa, que era um estereótipo. E acontece que sou pessoa. Estava apenas a "entrar" consigo, digamos que em troça amigável; os alentejanos estão habituados ao humor sobre eles e eles mesmos o vão construindo - como decerto sabe. Respondeu-me - e bem - com a personagem estatística. E aprendi alguma coisa. Fico-lhe grata pela atenção.
ResponderEliminarTenha uma sexta no pleno de si e bom fim de semana
D. Odete: deixe-me dizer também eu aprendi alguma coisa com a sua estatística!
ResponderEliminarÉ bom vir aqui diáriamente.
Eu, quando comecei a ler sobre o seu "Bruno", imaginei-o na Caparica, veja lá... afinal fui parar a Elvas ou Monforte, com Moura à vista... não se percebe bem.
Mas já que referiu a palavra proibida sobre um citado grupo que nunca foi visto com um livro na mão, deixe-me esclarecer uma coisa daquelas que a estatística omite e até nem considera: o tal partido que foi muito votado nessas paragens, tem a ver com a forte concentração de pessoas do outro grupo citado, mas que é proibido dizer-se o nome... é que a vizinhança terá influído no sentido do voto, penso que não preciso de lhe dizer porquê! Quem parece dominar a informação estatística, há de a ter igualmente sobre conflitos sociais.
Olhe que, sinceramente, gostei de a ler, parece-me ser forte candidata a escrever um romance satírico! Experimente por favor, para nosso gozo. Peço-lho encarecidamente.
Conhece as Memórias de Manel Loendrêro, do meu grande amigo e "caleiro" (natural de Moura) Luis de Santa-Maria? Aconselho vivamente a sua leitura e também à Extraodinária Bea, pois é um retrato puro do nosso Alentejo no seu melhor e maior sentido de humor.
Saudações cá da Cidade Morena.
Grande abraço, Extraordinário Octávio!
ResponderEliminarMuito bom!
ResponderEliminarCara Bea,
ResponderEliminarA falta que umas aspas fazem! Queria ter colocado aspas no ganha-pão deste Bruno bibliofóbico (“empregado de mesa”) para significar, de uma forma figurativa, todos os trabalhos considerados muitas vezes menores e que não têm o devido reconhecimento.
Obrigada por ter “entrado” comigo. O humor afectuoso e a capacidade de nos rirmos de nós próprios são das maiores virtudes humanas!
Desejo-lhe um fim-de-semana repleto de alegria, sorrisos e, quem sabe, um bom livro para ler sob a sombra de um belo sobreiro alentejano.
Os sobreiros alentejanos têm fraca sombra, são muito esgrouviados e de folha curta. Mas gosto-os de coração.
ResponderEliminarCaro António,
ResponderEliminarMuito obrigada pelas sugestões de leitura! Todavia, parece que as Memórias do seu amigo Manel se esgotaram, e não estou familiarizada com as obras da Extraordinária Bea.
Também aprendi consigo! Nunca tinha ouvido falar de Luís de Santa-Maria, não sabia que a Bea era autora de livros, e que a designação popular de Mourense era “caleiro” (por causa dos fornos de cal?). Obrigada!
Parece existir uma correlação entre a votação em amanhãs-sem-RSI-e-sem-estrangeiros e a maior proporção de ciganos face ao total da população residente num concelho, mas isso não significa que haja uma relação directa ou causal entre esses fenómenos. Esses resultados eleitorais podem reflectir sentimentos de insatisfação, ressentimento ou hostilidade de alguns eleitores em relação aos ciganos. Mas podem estar mais relacionados com o despovoamento, a idade média avançada dos eleitores, os baixos rendimentos, o abandono a que está votado muito do interior, etc.
Este tipo de análises é sempre muito complexo, porque envolve factos e percepções (muitas vezes erradas). Mas, para lá de todas as camadas ideológicas e desenganos, as explicações últimas radicam muitas vezes no velhinho “em casa onde não há pão alentejano em profusão…”
Vou meditar sobre a sua estimulante proposta para que me dedique à criação de uma obra literária de cariz sarcástico, assentando a minha reflexão na premissa de que não se trata de uma requisição jocosa e irónica!
Obrigada!
Interessante, mais uma vez o que diz quanto á análise dos dados.
ResponderEliminar"Caleiros" vem dos fornos de cal, precisamente!
O Luis Santa-Maria é um professor no Instituto Universitário de Beja, natural de Moura, meu velho amigo, que escreveu durante uns anos as crónicas do Manel Loendrêro no jornal local, depois editou um livro com elas! São uma delícia, e retratam bem a vida aldeã no Alentejo profundo, temperadas com aquele humor natural que conhecemos. Além do citado Manel, tem os seus inseparáveis o compadre Zéi Alicrau, o Cara-de-Cinoira e o Abel Tengerina!
De todo estou a ser irónico, parece-me ter percebido em si o humor e a verve para aquilo que lhe sugeri!
Saudações humoradas cá da Cidade Morena.