O que ando a ler
Acabei ontem a leitura de uma obra bastante breve, com cerca de cem páginas, de um livro de uma autora que comecei a ler, percebo agora, tarde demais. Trata-se de Silvina Ocampo e do seu pequeno e único romance A Promessa (ela é sobretudo contista), que foi começado muitos anos antes da publicação e que foi sendo burilado aos longo dos anos e terminado pouco antes da morte da escritora. É um romance que Bruno Vieira Amaral apreciaria, julgo eu, por ter também uma lista de personagens que podem não se cruzar com mais nenhuma na narrativa, sem que isso afaste o leitor da compreensão do enredo, tal como acontece em As Primeiras Coisas. Mas a graça aqui está em que a evocação destas personagens pela narradora se faz como uma espécie de pedido de socorro, pois ela caiu de um navio acidentalmente e, enquanto nada ou boia no oceano, promete que escreverá sobre todas as pessoas que conheceu se um dia se safar daquela situação; e é assim que começa a rememorar, por exemplo, Irene, Gabriela (ou Gabriel, como lhe chama a mãe), o macho Leandro, por quem todas se apaixonam, as senhoras da sapataria, o Gusano e muitas outras figuras, com ou sem importância na vida da pobre náufraga. Vale muito a pena ler esta senhora, que esteve muitos anos na sombra do marido, Adolfo Bioy Casares, outro escritor argentino de mão cheia que, quando ia de férias, levava a vaca de cujo leite gostava...
Acabei de ler "Retrato Inacabado (memórias)", da actriz Carmen Dolores.
ResponderEliminarGostei muito de ler, pela sua simplicidade, lucidez e verdade...
(Por acaso ainda não cai na tentação de fazer o que o Bruno Viera Amaral fez - e pelos vistos a senhora Silvina também -, sem ter uma história de fundo para contar, conto a história de uma mão cheia de pessoas e depois "colo". Tem de ser é uma fita boa, não pode ser do chinês da esquina. Apesar de premiado, o livro "As Primeiras Coisas" só é romance porque hoje tudo pode ser o que nós e os nossos amigos quisermos....)
"O Caminho da Cidade", de Natalia Ginzburg, uma visão não romanesca da vida das pessoas no momento em que a cidade atrai e absorve o campo à sua volta.
ResponderEliminarEntão caia na tentação de escrever um romance a sério em vez de andar há anos nos blogues a falar de "amigos" e de grandes grupos editoriais.
ResponderEliminarVoltei a Miguel Torga e aos seus eternos Diários (estou a ler os Vols. XV e XVI)
ResponderEliminar-Deixar saudades. É o último legado que não traz complicações aos herdeiros.
-Raramente o que se vê tem o fascínio do que se imagina.
-o civilizado alimenta-se; o selvagem enfarta-se.
Parece que a carapuça acertou em cheio, pena vir disfarçado (a) de anónimo...
ResponderEliminarE está equivocado (a), já escrevi um "romance a sério" em 1992. E normalmente não falo nem me preocupo muito com os "donos do mundo editorial". :)
E eu confirmo! E li-o com muito gosto e prazer e gostei!
ResponderEliminarReleio a prosa de Eugénio de Andrade e, por semanas, devo andar com "Todas as cartas" de Clarice Lispector, uma mulher tão frágil e roída de saudade como não a imaginava.
ResponderEliminarVou ler.
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