Muito bom... ou talvez não

O jornal Expresso publicou a notícia de que as vendas de livros tinham aumentado significativamente em 2022 por causa dos jovens, sim, aqueles de quem habitualmente dizemos que não lêem. Pelos vistos, o fenómeno chamado BookTok, que é basicamente composto por uma espécie de comunidade de influencers que incitam os seus milhares de seguidores à leitura de livros numa plataforma chamada TikTok, frequentada maioritariamente por gente nova, fez aumentar as vendas e até obrigar à reedição e publicação de uns quantos títulos. Assim às primeiras, são, claro, boas notícias, se pensarmos que as redes sociais (mesmo as dos adultos) raramente têm servido de estímulo à cultura, sendo acima de tudo espaços onde as pessoas opinam sobre tudo, com ou sem conhecimentos, e até destratam, odeiam, criticam e magoam os outros. Porém, quando, todos contentes, vamos espiolhar os livros promovidos pelos tais «BookTokistas», enfim, a qualidade geral não abunda. E, embora uma professora de Português afirme que o importante é que os jovens leiam, não importa o quê, desde que se identifiquem, já eu torço o nariz, pois tenho demasiada experiência para saber que quem se vicia em maus livros quase nunca consegue mudar para os bons... Por isso, serão evidentemente boas notícias em termos de receita para as editoras, mas espero sinceramente que, com esse aumento inesperado dos lucros, possamos continuar a fazer os livros que não passam pelo TikTok mas são realmente os que interessam para mudar mentalidades e contribuir para uma boa formação em todos os sentidos.

Comentários

  1. Olá, é a sua opinião e respeito, mas como partilhou publicamente e não consigo concordar preciso comentar.
    Gostava que me explica-se se faz favor, porque consideram romances e thrillers ou esses livros que os booktokers partilham, maus livros?
    O que é um bom livro para si ou uma boa leitura? Apenas clássicos?
    Porque é que um romance da Colleen Hoover por exemplo, é pior do que um romance como ''Os Maias'' onde a história se baseia num incesto (estou a citar uma obra que fui obrigada a ler no secundário)?

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  2. António Luiz Pacheco12 de abril de 2023 às 02:06

    Não resisto também a comentar, neste espaço aberto e livre, se me permite:
    - Concordo inteiramente consigo no que respeita á discutível classificação de "bom ou mau livro". A quem compete classificar? Aos editores? Porquê? Porque têm o negócio na mão e editam os que entendem? Desprezando o facto de que para mim, "Tarzan" de Edgar Rice Burroughs é um livro muito melhor do que "Jerusalem" de Gonçalo M. Tavares, o que escandalizará muita gente. Porém como não tenho pretensões a culto e coisas dessas, estou-me nas tintas: compro e leio o que quero e gosto! Portanto estamos de acordo.

    - Já em relação a "Os Maias", não concordo consigo, pois o que faz dele um bom livro não é certamente o tema central, o incesto, aliás que os protagonistas desconheciam, o que serve de atenuante, não se tratando de uma obra viciosa ou que se baseia nalguma tara ou desvio comportamental, apesar de os cruzados do políticamente correcto lhe apontarem o dedo, tal como os defensores do "ama quem quiseres" possam fazer dele um ícone! Na minha pouco humilde opinião, ambos estão errados.
    O que faz de "Os Maias" uma grande e celebrada obra, é a genialidade da escrita produzida pelo seu autor.
    Deus nos livre de os livros serem classificados pelo tema! Seria do mais limitador que se pode imaginar. Os livros são portas abertas para a grandiosidade do Universo da Criação em geral e isso depende sobretudo da forma como são escritos, jamais se ficam pelo tema!
    Claro que isto é a opinião de uma traça literária, que anda por aqui em volta do brilho das leituras e dos livros, até das Extraordinárias opiniões que se postam aqui.
    Uma traça que não tem outras pretensões excepto a de ler o que gosta e quer, e, de poder falar sobre isso.

    Saudações cá da Cidade Morena. Vamos falando.

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  3. António Luiz Pacheco12 de abril de 2023 às 02:23

    Vou discordar da Nossa Extraordinária Anfitriã.
    Não frequento senão o conhecido e popularucho Facebook. Certo que muita porcaria (é o termo) por lá se publica, como livre é a asneira e atrevida a ignorância, ainda serve para alguns soltarem a bílis acumulada ou fazerem a sua feira de vaidades.
    No entanto, é uma questão nossa e que nos compete apenas a nós que podemos gerir o espaço e fazer escolhas, partilhar o espaço com grupos de interesses que nos unam e atraiam. Tenho ali grupos de leitura e de partilha de livros, bem interessantes, onde se fala e até discute com elevação.
    Portanto contesto a sua opinião, com respeito óbvio, mas porque diferente é a minha experiência. Tenho pelo contrário a opinião de que pode ser muito útil na divulgação de livros e da nossa amada leitura.
    Não digo isto porque no facebook consigo falar sobre, publicitar, divulgar e até vender o meu romance (Não tem Domingo na Equimina), o que me é interdito nas livrarias, distribuidoras e editoras, mas porque pelo contrário e ao contrário do que defendem os que não querem partilhar o palco (como Miguel Sousa Tavares) tendo medo de perder o brilho que lhes dá a exclusividade do espaço de comentaristas.
    É que o Facebook, tal como estes blogs, permitem às traças ter também a sua vez e fazer ouvir a sua voz, o que acho muito bem e justo, desde que o tentem fazer com a elevação possível. Assim, tanto livro desprezado tem o seu espaço, vez e é divulgado.
    Não é sabido que grandes obras foram desprezadas e posteriormente aclamadas? No fundo democratiza-se aquilo que esteve sempre fechado no seio de uma elite.
    Volto a dizer que é a minha opinião e assumo a minha irrelevância como a ignorância e sim sou bastante atrevido, portanto aceito que discordem e até podem zurzir-me à vontade, desde que sirva para trocarmos idéias e impressões, pelo bem das nossas amadas leituras!

    Saudações tracejantes cá da Morena Cidade!

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  4. Cara Andreia, isso seria uma conversa para muitas horas... Vou tentar sintetizar: o que torna um livro «bom», literário, não é o assunto de que trata (Os Maias são muitíssimo mais do que a história de um incesto), mas a linguagem e a estrutura narrativa utilizadas. No geral, mesmo contando histórias que podem ser interessantes, muitos dos livros aconselhados no TikTok são muito pobres em termos linguísticos. É cedo para dizer, mas é também provável que os livros de Colleen Hoover daqui a cinquenta anos estejam completamente esquecidos, enquanto os de Eça continuam a ser lidos. A literatura tem de passar o teste do tempo. Obrigada por ter dado a sua opinião, que levo em conta para o futuro.

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  5. ''compro e leio o que quero e gosto!'' palavras suas e é exatamente isso que fazem os jovens atualmente! 😉 E caramba, estão a ler ao invés de estarem a fazer scroll infinito nas redes sociais! Palmas!

    Atenção que apenas usei um dos temas centrais dos Maias para situar o livro, não para o menosprezar ou algo do género.
    Mas pelo que entendo, refere-se à escrita dos tais livros que os booktokers promovem, portanto não considera que sejam boas escolhas porque a escrita não é boa.
    Era apenas isso que pretendia compreender.

    Para mim é diferente obviamente dos clássicos porque, vejamos, são escritos atualmente, o vocabulário muda, muita coisa muda, os temas, as personagens e não acho que isso faça deles piores ou melhores, aliás estou em querer que alguns, futuramente, até poderão entrar nessa categoria de obras primas. Não sei! Tudo muda muito rápido!
    Eu li Harry Potter em miúda e atualmente faz parte do plano nacional de leitura.

    ''Uma traça que não tem outras pretensões excepto a de ler o que gosta e quer, e, de poder falar sobre isso.''
    Estou mais uma vez citar o que escreveu porque, bem, o António faz isto aqui no seu blog mas é exatamente isto que os miúdos fazem lá no tik tok e instagram e nem todos leem apenas romance contemporâneo, se pesquisar com calma até encontra alguns que gostam de clássicos.

    Não quero com isto insistir no que são bons ou maus livros, até porque isso depende de quem os lê! Vemos todos o mundo de uma forma diferente!

    Quero apenas reforçar que fico triste porque finalmente vejo tanta gente a ler e outros tantos a julgar e rebaixar porque ''(...) enfim, a qualidade geral não abunda.'' e ''(...) quem se vicia em maus livros quase nunca consegue mudar para os bons...'' e isto parece-me só, e desculpe o termo, conversa de snob!

    Continuação de boas leituras!


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  6. Cara Maria já deixei mais ou menos o que penso no comentário ao Sr. António. E sim seria uma discussão para horas.
    Eu acho que apenas são escritas totalmente diferentes porque são de épocas diferentes, mas é o meu ponto de vista.
    Futuramente veremos quantos destes livros continuaram a ser lidos claro, para já eu fico muitíssimo contente por ter cada vez mais jovens a ler!

    Continuação de boas leituras. 😉

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  7. Quase nunca comento. Mas tenho de o fazer. Porque a questão é precisamente esta. A pergunta é sintomática (porque é um livro que inclui incesto deve ser lido) , a resposta clara e correcta - infelizmente, não será suficiente, os tempos que se aproximam são pobres. Chegámos a uma épica em que os restaurantes podem ser bons ou maus, mas os livros não.

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  8. Na verdade, a venda de livros cresceu, porque foram 2 anos em que as vendas de livros foram tão baixas, que o regresso ás escolas e universidades, levou a um novo ritmo nas vendas. E a Maria Pedreira deve ter notado isso. Desde os jovens, da escola primária, que quiseram novos livros, só tendo o "Uma Aventura", pois há muito poucos livros ali para a linha dos 8-12 anos. Ou são livros demasiado infantis (e tem surgido alguns excelentes autores e outros que vão na onda) ou são livros baseados em coisas de internet ou séries televisivas.
    Nos jovens adultos, a quantidade (LOUCA!!!!) de livros de auto-ajuda é tanta que um ordenado de 80000 euros mensais, não dava para ler 1% dos livros editados. Depois há alguns autores que já vão no 300 livro, em 8 anos, em que andam sempre à volta do mesmo.
    Só depois destes é que surgem aqueles livros de "influencers". Para quem vai a uma feira do livro, essas novas personalidades, passaram a publicar 5 livros anualmente (quando não é 1 por mês), o que aumenta o número de livros vendidos. E é aí que concordo consigo. Maioria (para aí 99,9%) são sobre coisas comuns e que fizeram aquela pessoa famosa e ter 100000 seguidores. Um cómico brasileiro escreveu 7 livros sobre "ar e vento", vendeu 30000 unidades, nas feiras do livro do Porto e Lisboa. Não são livros que durem muito, pois os temas são tão vulgares que ninguém se importa com eles, depois de ler o livro.
    É algo que temos visto cá, onde a repetição de temas, de autores que até tinham livros interessantes, passaram a querer vender mais e mais, acabaram por sair do interesse das pessoas que lhes deram a fama.
    Outra coisa, que demonstra a fraqueza actual, é a venda de livros em inglês, continuar a subir, já desde 2003. Há 20 anos que o número de livros ingleses (impressos por editoras não portuguesas nem traduzidos) continua a bater recordes. A internet ajudou mas, a qualidade também.

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  9. Há duas coisas ligeiramente diferentes, uma é a venda de livros, outra a leitura de livros.

    Mesmo quando não havia telemóveis e "smartphones", havia quem comprasse livros apenas para decorar as estantes.

    Recomendo a leitura do artigo desta semana do Poeta-Embaixador, Luís Filipe Castro Mendes, no "DN", bastante elucidativo sobre a leitura nestes tempos modernos.

    Do que não tenho dúvidas é de que se lê muito menos. Basta atravessar o rio de cacilheiro para ver que só muito raramente se vê alguém a ler ou livro ou até um jornal. A maioria das pessoas estão focadas no seu "smarthphone", muitas vezes também a ler resumos de notícias. Mas não é a mesma coisa...

    Tenho o vício de tirar fotografias de pessoas a lerem. Cada vez é mais difícil encontrá-los, nos bancos de jardim ou à beira-tejo...

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  10. António Luiz Pacheco12 de abril de 2023 às 04:55

    Caríssima e mui estimada - estimo toda a gente, mas em particular os esclarecidos, como parece ser o caso - Andreia:

    Não sou o dono deste blog, atenção! Ainda sou corrido daqui por apropriação indevida, eheheh!
    No resto, entendeu mal uma situação: eu não critico os jovens, longe disso, já o fui há muito tempo mas ainda me lembro bem e sobretudo de me quererem manipular ou desprezarem por o ser. Eles lêem o que querem, e, muito bem!
    Faço ainda notar que "má ou boa literatura", na verdade e em minha opinião, não existe! Disse-o no meu comentário que talvez não tinha sido claro.
    Cada um sabe e consome do que gosta, podendo haver quem se arrogue do direito de fazer a classificação, mas para mim é uma usurpação e ilegítima.

    Saudações cá da Cidade Morena

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  11. Nesse aspecto, tem toda a razão, Andreia.

    Os tempos são diferentes e também vão pedir livros diferentes.

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  12. «Outra coisa, que demonstra a fraqueza actual, é a venda de livros em inglês, continuar a subir, já desde 2003.»

    Uma das possíveis causas desse fenómeno - não a única, e talvez nem a principal - será a aplicação do AO90 a todos os autores estrangeiros, principalmente anglófonos, por parte da grande maioria das editoras portuguesas, que faz com que muitos leitores - e eu sou um deles - prefira ler na versão original em vez de numa em que tantas (quiçá centenas de) palavras estão mutiladas.

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  13. ""Má ou boa literatura ", na verdade e em minha opinião, não existe!" Depois deste comentário lapidar, depois deste disparate monumental, apetece... desistir ou talvez fazer silêncio!



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  14. Eu percebi António, mas achei que estava a fazer um comentário geral na publicação e afinal estava a responder ao seu! 😅

    De qualquer forma acho que consegui expressar o meu ponto de vista.

    Cumprimentos 📚

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  15. António Luiz Pacheco12 de abril de 2023 às 07:39

    Meu caro, não há aqui disparates monumentais como não há boa nem má literatura.
    O que há é pessoas que se acham superiores, o cúmulo do bom gosto ou detentores da cultura, para não dizer uma autoproclamada elite que se acha no direito de classificar uns e outros segundo a sua tendência pessoal.
    Aliás diz o adágio: gostos não se discutem.
    Pode haver literatura ligeira ou erudita, se quiser, uma para as pessoas comuns e a outra para os presumidos, mas não é boa nem má, apenas diferente e dirigida a leitores diferentes.
    Saudações lapidares cá da Cidade Morena.

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  16. Tem razão, tinha-me esquecido de que tudo é relativo, não há bom nem mau, melhor nem pior, é tudo uma questão de gosto, tudo igualmente válido e respeitável, enfim, tudo nivelado e irrepreensivelmente democrático.
    Saudações politicamente correctas.

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  17. Aos sete anos de idade, eu lia todos os livros que encontrava do Sidney Sheldon. Eram os únicos que existiam na minha casa, por causa dos meus tios, que eram adolescentes. Aos poucos, fui me tornando mais exigente e, agora, eu continuo lendo de tudo, mas só me contento mesmo com Herberto Helder, Sebald, Clarice Lispector, Fernando Pessoa, José Saramago e Maria do Rosário.

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  18. Esse aumento de livros em inglês apenas acompanha a demografia. Há cada vez mais estrangeiros a viverem em Portugal...

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  19. Dizíamos ser desejável a diversidade de leituras e a liberdade de publicar.
    Tenho ideia de o Vergílio Ferreira anotar no diário haver maior número de vendas da Rosa do Adro do que do Amor de Perdição. Talvez hoje os TiqueTaques variados sugiram as Rosas de agora.
    Quem ainda estudou História Universal lembrará a exumação dos clássicos greco-latinos durante o Renascimento após séculos de Idade Média.
    Por enquanto vamos vendo,ouvindo e lendo,não ignoramos.

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  20. Gostei da revelação de que não há boa ou má literatura. É pelo gosto que vamos. Hoje li o Rodrigues dos Santos, ontem li o Cervantes. Este mês li o Paulo Coelho, o mês passado li o Kafka. Sou bipolar, é fácil de ver.

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  21. Vou por aí também. Um dia dei por mim a questionar o que seria boa literatura. Um dez réis de gente com preocupações literárias.
    Harry Porter, uma maçada de leitura. Pensamento actual.
    O Bobo, um bom livro, a reler. Idem.
    E mais não digo, porque é assunto para muitas horas de conversa.

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  22. Olá, a todos,
    Decidi comentar porque posso falar com conhecimento de causa.
    Faço a curadoria de um clube de leitura online onde já lemos vários géneros (poesia, literatura de viagens, YA, distopias, clássicos mundiais, literatura erótica, escritores contemporâneos, escritores lusófonos) e percebo que é a oportunidade de conhecer vozes literárias diferentes que «forma» os leitores.
    Posso pegar num exemplo ainda mais particular: as minhas cabeleireiras. Começaram por ler Raul Minh'Alma, Nicholas Sparks.
    Passado alguns meses, pediram-me para lhes trazer autores diferentes. Já lerem Miguel Sousa Tavares, Arturo Perez Reverte, Elena Ferrante, o grande O Mestre e Margarita, de Mikhaíl Bulgákov e neste momento estão a ler Anna Karénina.
    A seguir, lerão Lídia Jorge e o seu novo «Misericórdia».
    A leitura cria o hábito de leitura e a curiosidade natural desperta a vontade de ler diferente. É preciso dar tempo ao tempo, criar oportunidades para que os leitores descubram o que gostam de ler.
    Por isso, fico verdadeiramente feliz quando fenómenos como os booktookers, bookstagrammers, os clubes de leitura online e tudo mais que possa surgir, faça as pessoas descobrirem a magia dos livros e da leitura.
    Saudações literárias,
    Analita

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  23. António Luiz Pacheco13 de abril de 2023 às 02:46

    Ainda bem que resolveu comentar!
    Muito bom o que nos diz aqui, gostei de a ler e da sua esclarecida intervenção.

    Saudações cá da Cidade Morena.

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  24. Na Idade Média também se produziu literatura de qualidade.

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  25. Os romances de cordel são importantíssimos para percebemos culturas e mentalidades. E, muitas vezes, inspiram a criação de clássicos.

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  26. Atendendo ao que é escrito nas chamadas redes sociais (incluindo comentários), à proliferação de "influeceres" alguns dos quais dificilmente conseguem alinhar duas frases com sentido, será de prever que o nível dos livros propostos sejam compatíveis pois de contrário não os conseguiriam ler.
    Relembrando uma notícia de há alguns meses, estudos sobre a inteligência humana revelam que pela primeira vez tem vindo a decrescer contrariando a tendência até início séc. XXI.
    E não é o facto de muita gente ler o mesmo livro que o classifica de bom
    Esse critério simplista colocaria o CM como o melhor jornal e o big brother e afins como o melhor programa
    No entanto considero positivo que se leia e de preferência que se faça um juízo crítico sobre o que acabou de ser lido. Se isso acontecer não importa que seja um mau livro porque o leitor irá ficando mais exigente. Se o juízo crítico não for aplicado então tudo o que vier à rede é peixe
    Quanto ao que é um bom ou mau livro digamos que há talvez dois critérios. Um porque gostamos ou não gostamos do livro. Outro o que tem a ver com critérios literários e académicos.
    Mas como eu sempre li tudo o que me aparecia, apenas posso dizer que dependendo da disposição, tanto posso ler o meu autor favorito (Jorge Luís Borges) como uma BD do Corto Maltese ou um Astérix.
    Mas se tivesse de responder à estafada pergunta do que levaria para uma ilha deserta, sem hesitação, Jorge Luís Borges

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  27. De facto é capaz de não haver boa ou má literatura. O que há é livros que de tão maus não são literatura
    Recordo agora um livro que me ofereceram e era mesmo uma coisa péssima apesar de o próprio Marcelo, no tempo em que era comentador de tv ter aconselhado. Livro que obviamente não leu
    Por exemplo a repetição quase na íntegra de um parágrafo escrito duas páginas antes. Ou a sombra do rio. Ou num túnel escuro em que nada se via, afinal viu alguém com um casaco e capuz pretos. Ou paredes pintadas de cal, quando a expressão utilizada no local em questão é caiadas.
    Tão mau que não é sequer literatura.
    Devo dizer que só o li até ao fim porque referia a terra onde nasci e a pretensa escritora lá tinha dado umas aulas

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  28. Não podia discordar mais. Quantos leitores da minha geração (eu incluída) não começaram a ler Harry Potter, Twilight, Hunger Games e hoje lêem Elena Ferrante, Vargas Llosa, Saramago e por aí fora...

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  29. Arnaldo Saraiva,professor que muito apreciei e ainda,publicou O Guardador de Retretes.

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  30. Regressando a um dos seu textos,não conhecendo sequer o "seu" autor,i.e,sem o ler,fosse ele um autor da nova "Rosa",que não acredito ser porque conheço a qualidade dos textos por si publicados e a implícita exigência na selecção de terceiros, eu defenderia sempre a liberdade de criação e de publicação seja de quem for.
    O meu testemunho solidário.
    jose

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  31. Porque li este texto e os comentários apenas ontem, e hoje veio ao meu encontro esta entrevista tão interessante e tão afim com as questões aqui discutidas, partilho-a. Aviso já que é longa. E pode roubar alguns minutos de leitura de livros. Mas isto que agora temos tão disponível (e gratuito) também podem ser leituras bem interessantes. A começar por este blogue, por exemplo. Muito do que é bom nesta vida não se compra nem se vende.
    https://24.sapo.pt/vida/artigos/hernan-diaz-se-fores-rico-podes-comprar-a-realidade-e-depois-podes-impo-la-sobre-os-outros

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  32. Esta questão surgiu na última sessão de “Quintas de Leitura” (as da Figueira da Foz), eu nem sabia que no TikTok (que só conheço de nome) aconselhavam livros, provavelmente também sou uma “alma velha”, como se auto-intitulou o jovem autor e editor, que se mostrou bastante céptico a este respeito. Céptica também sou, com toda a certeza, os livros de “mastiga e deita fora” podem alimentar o mercado editorial, mas não me parece que alimentem a alma de quem os lê, guardo uma réstia de esperança de que, pelo menos a algumas almas, abram o apetite.

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