Englanados

A pandemia baralhou-nos a vida, e várias vezes dou por mim a perguntar se uma coisa de que de repente me lembro foi antes ou depois dela; ou então que foi feito de um programa, uma loja, um bar, que antes da pandemia tinham público e de um momento para o outro foram esquecidos... Tenho ideia de que havia na televisão (na pública, parece-me) uma Gala anual dos Prémios da Sociedade Portuguesa de Autores (SPA) atribuídos a criadores de várias modalidades: cinema, televisão, música, teatro e por aí fora; mas um dia destes, espreitando o Facebook, dei-me conta de que um jornalista-editor se alegrava com o facto de um livro seu (A Biblioteca de Estaline) estar na primeira página de todos os suplementos culturais no mesmíssimo dia em que o respectivo tradutor (que também é escritor, Frederico Pedreira) tinha ganho o Prémio Autores (o da SPA) na Categoria de Poesia. Então e a gala na TV? Já não se faz? Fui ao site e descobri que nem se faz a festa de arromba, nem se avisam os editores e os premiados. É que David Machado e Ricardo Ladeira, os meus queridos autores, também tinham sido contemplados com o mesmo galardão na Categoria de Literatura Infanto-Juvenil com o belo, belíssimo, inteligente e de facto para todas as idades, O Meu Cavalo Indomável. Olha, festejámos nós! E não precisámos da gala nem da televisão para nada. Não perca o livro por nada deste mundo.


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Comentários

  1. A vida já não é o que era. E ponto. Mas o subtítulo "rimas desgovernadas para crianças animadas" é todo um estilo. E parabéns aos autores e à editora.

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  2. No reino da fantasia,
    Onde tudo pode acontecer,
    As crianças brincam e riem,
    Sem hora para se aborrecer.

    Uma girafa de calça comprida,
    Um elefante a voar,
    As rimas desnorteadas,
    Geram risadas sem cessar.

    Um coelho saltitante,
    Usa óculos escuros,
    Um sapo na bicicleta,
    Passeia pelos muros.

    Na banheira um crocodilo,
    Escova os dentes devagar,
    Um leão com chapéu de chuva,
    Dança à espera do luar.

    O macaco de gravata,
    Toca piano sem parar,
    Enquanto a zebra colorida,
    Tenta as notas adivinhar.

    Uma formiga gigante,
    Leva o gelado na mão,
    Avança pelo prado ofegante,
    E dá cambalhotas no chão.

    A vaca pintada às bolinhas,
    Desfila bem vaidosa,
    Dizendo que é princesa,
    Numa passarela caprichosa.

    Ratos a jogar às cartas,
    E doninhas a cantar,
    O ambiente é de festa,
    Ninguém quer descansar.

    E as crianças sorriem felizes,
    Com as rimas animadas,
    Desnorteadas e alegres,
    Destas aventuras encantadas.

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