Uma história real
No ano passado, como se devem lembrar os alfacinhas, a Feira do Livro de Lisboa decorreu em Agosto/Setembro e tivemos, num domingo, um acontecimento bastante inesperado... Estava o escritor Moita Flores a autografar os seus romances numa mesinha quando, de repente, teve um enfarte e caiu literalmente para o lado. Alguns minutos antes, eu tinha estado a acompanhar a cantora Luísa Sobral e a ilustradora Camila Beirão dos Reis, autoras de um livro que publiquei, e o cardiologista que operara Salvador Sobral passara para as cumprimentar e pedir um autógrafo. Foi uma sorte! O médico ainda se encontrava no recinto quando Moita Flores sucumbiu e foi quem fez a massagem cardíaca ao escritor. A reanimação demorou imenso tempo, e houve muita gente que pensou que perdíamos Moita Flores na Praça LeYa. Graças a Deus, o INEM trazia desfibrillhador e conseguiu trazê-lo de volta à vida. Internado, operado e recuperado, Moita Flores acabou a escrever um romance sobre o dia fatídico, no qual conta como o seu coração parou, como foi salvo por médicos compradores de livros e como pertence a uma ínfima percentagem de sobreviventes do tipo de ataque cardíaco que sofreu. Não isento de humor, o livro Um Enfarte no Alto do Parque é também uma chamada de atenção para que acompanhemos de perto os nossos problemas de saúde e possamos prevenir o pior. Entre as acções de promoção do livro, o autor quer matar o fantasma e... voltar à Feira do Livro.
Mas que história tão dramática mas bem real! Eu nunca ouvira falar dela talvez porque nessa altura estava fora do país ou porque o turbilhão de notícias as vai eliminando à medida que fabrica novas. Se houve alguma referência posterior também me terá escapado porque, como não leio Moita Flores, não teria dado atenção. Mas que é uma história arrepiante, é. Felizmente acabou bem.
ResponderEliminarSoube do acontecimento.
ResponderEliminarFui eleitor de Francisco Moita Flores (e votaria nele de novo para presidente da câmara de Santarém!) como sou seu leitor. Tem uma prosa fluida, agradável e que se lê muito bem porque é clara, não anda ás voltas e transmite claramente o que pretende.
É aliás uma pessoa muito interessante para ouvir e conversar, bem-humorado.
Ainda bem que se recompôs e voltou às lides.
Vai daqui da Cidade Morena um abraço para ele!
A propósito, lembro há muitos anos quando o saudoso Raul Solnado teve um enfarte na Venezuela, e comentava aos jornais que foi "um enfarte do Caracas"! As pessoas de bem com vida e com os outros, com eles mesmos, são assim.
Quanto ao tema da saúde, ora, eu digo sempre que morrer cheio de saúde é um desperdício, e lá diz o adágio: Morra marto, morra farto!
Saudações vivas e saudáveis cá da Cidade Morena.
“…escritor Moita Flores…” ? assim de repente não estou a ver quem é
ResponderEliminarMuito curioso de o ler!
ResponderEliminarLi na Visão, há uma ou duas semanas, a entrevista com o recuperado Moita Flores onde, entre outras coisas escritas, está a nova de "Um enfarte no alto do parque". É sempre grato ler o entrevistado Moita Flores. Um dos poucos homens ressuscitado. Esteve morto uns minutos, mas não viu túneis, luzes, nada. Só apagou. Teve várias sortes, e, por presença delas, reacendeu.
ResponderEliminar