O que ando a ler

Ultimamente, não sou especialmente atraída pelos livros franceses, sobretudo desde a banhada que apanhei nas férias do Verão com aquela mastragança da Breve Vida das Plantas (já nem sei se o título era exactamente esse); mas, não me lembro onde, alguém aconselhava vivamente O Nosso Irmão, um pequenino romance de Clara Dupont-Monod (chefe de redacção da Marianne, uma revista que tem nome de publicação para entreter flausinas, mas não é nada disso) e acabei por comprar, quiçá um pouco influenciada pela ressonância do título O Meu Irmão, de Afonso Reis Cabral (Prémio LeYa 2014) e por ser igualmente sobre a temática da deficiência. Fiz bem em começar a lê-lo, porque vou a mais de meio e, embora a prosa seja às vezes borrifada com algumas imagens estranhas, a verdade é que se trata de um livro muito bonito (e contado pelas pedras, vejam lá), sobre a relação de três irmãos ("o mais velho", "a mais nova" e "o último") com o irmão nascido com uma deficiência profunda e sem grandes perspectivas de sobreviver aos primeiros anos de vida. O romance, que venceu os prémios Femina, Goncourt des Lycéens e Landerneau, é especialmente interessante pela forma como na mesma família são tão diferentes os modos de cada um reagir ao incómodo e à diferença da criança que não vê, não fala e não anda. Com cenas absolutamente comoventes a espaços, vale muito a pena (às vezes é preciso desatar o nó no peito e respirar fundo, como na vida).

Comentários

  1. Estou a terminar "A Queda de Paris", de Ilia Ehrenburg. No início parecia-me uma crónica da debacle francesa perante a Alemanha mas breve reconheci tratar-se de um bom romance histórico e político. O autor, às personagens que representam figuras reais, acrescentou outras, inventadas, e a todas revestiu de caráter e sentimento que nos permitem acompanhar o drama que é simultaneamente individual e coletivo.

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  2. Os dois últimos livros que li foram de teatro, "Uma Sereia Chamada Ermelinda" de Alexandre Castanheira (baseada no "Cais do Ginjal" de Romeu Correia); e "O Passageiro do Expresso" de José Rodrigues Miguéis.

    Leio pouco teatro, mas é quase sempre uma leitura fácil, menos exigente para o leitor. E também deixa sempre quase espaço para quem as queira encenar, dê um toque pessoal...

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  3. "UM HOMEM CHAMADO OTTO" - um livro enternecedor - uma história de solidão e tristeza.
    Já tinha visto o filme de que também gostei muito.
    Vou a meio e é um bom livro que vale a pena!

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  4. A reler Joia de Família da Agustina: um romance extraordinário.

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  5. Estou a ler o primeiro volume d'"Os irmãos Karamazov" de Dostoievski.
    Mas fiz uma pausa para uma pérola: "Há cabelos que sorriem" do jovem Diogo Antunes.
    Esse livro, "O meu irmão" cavou-me um fascínio na alma e ao mesmo tempo socou-me com força. Adorei.

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  6. António Luiz Pacheco1 de março de 2023 às 07:13

    Ando a ler, deliciado, antevendo que me degustar a seguir o (livro) do Paulo Moreiras, "Gilvaz o homem das cicatrizes" , do nosso Extraordinário José Cipriano Catarino - por acaso e já que há tendência para referir premiações, finalista do Prémio Leya, como vim a descobrir por acaso.
    É um livro que me sabe a camiliano, do que muito gosto, numa escrita bem portuguesa e tónica ruralista, mas do nosso ruralismo avoengo de bigode e lenço na cabeça, não do ruralismo modernista tatuado e com piercings. Em vez dos lugares-comuns e chavões habituais do ruralismo travestido, é pelo contrário sustentado numa prosa vigorosa e crúa, do nosso vernáculo campesino que o autor cultiva, aliás conhece bem por ser o seu meio de nascimento, criação e onde se desenvolveu como professor. Junte-se-lhe uma cuidada investigação e descrição de épocas da nossa história que desmentem o mito criado e instituído no Estado Novo de sermos de brandos costumes, o que não somos, nunca fomos, e a prova foram aqueles tempos da guerra civil e os tempos subsequentes, justamente até ao Estado Novo. Sai por isso uma obra de literatura portuguesa, asseada e que dá gosto ler, a mim que já pouco leio portugueses como venho repetindo, pois lhes falta "nervo".
    Para quem se interesse pela época e pelos acontecimentos, pelas ricas personagens daí nascidas, pois fica o apontamento deste romance histórico, muito à Camilo.
    Para quem prefira ler coisas fofinhas, que estão mais na moda, pois ponham de lado.
    Há de facto escritores (os tais desalinhados...) que merecem ser lidos, se bem que seja difícil vê-los publicados, mas... enfim, é pena e vale a pena!

    Saudações desalinhadas cá da Cidade Morena.

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  7. Deu-me vontade de ler esse livro de Clara Dupont. Pena que não o temos ainda aqui no Brasil. Um livro que me fez chorar foi "A extraordinária jornada de Edward Tulane, de Kate DiCamillo, um livro infantil. Não esperava tanto do pequenino.

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  8. Maria Do Rosário Pedreira1 de março de 2023 às 09:09

    Rita, penso que existe publicado pela Dublinense.

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  9. Recordo-me que já li há muito tempo, mas gostei, excelente livro, bem escrito!

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  10. Ando a ler Longe da Multidão de Thomaz Hardy; gosto deste novelista inglês do séc. XIX. Dele já li Tess dos Durbervilles, Judas, O Obscuro e O Mayor de Casterbrige.

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  11. Comecei a ler “Der Trafikant” de Robert Seethaler.
    Já tinha visto o filme 🎥 com o actor suíço Bruno Ganz (1941 — 2019) no papel de Sigmund Freud.

    Saudações das margens do rio Reno

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  12. Li esse livro e gostei muito. Quando saiu o pão de açúcar, comprei e li. Não sei se já leu, fica a dica aqui a todos os que não leram.
    Pão de açúcar fala do caso gisberta, que foi morta por um grupo de rapazes que estavam institucionalizados, na cidade do Porto, narrado por um dos rapazes que se forma indireta (digo eu) esteve ligado à morte de gisberta. Adorei o livro, mas fiquei com um sentimento de tristeza e revolta.

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