Ainda as palavras
Ontem falei aqui do perigo de morte de certas palavras que as novas gerações já não usam e da importância de as passarmos, nem que seja como curiosidades, aos mais novos. Na verdade, esqueci-me de contar uma história que vinha a propósito. Um autor de romances que publiquei em tempos, Hugo Gonçalves, e também um grande cronista que escreveu no DN, contou no Facebook: «Fosso de gerações: hoje ligou-me uma rapariga muito simpática a saber como corria a renovação da minha assinatura digital de um jornal: "Teve oportunidade de usar a app e ver se está tudo bem?" Respondo eu: "Hoje só passei os olhos pelas gordas." Silêncio. Ela não fazia a mínima ideia do que eu queria dizer com aquilo.» A história não acabava aqui, tinha ainda uma nota de humor sobre o desaparecimento da palavra «gordo» dos livros de Roald Dahl, de que também já aqui falei; mas, para o caso, o que queria dizer é que me aconteceu exactamente o mesmo «fosso de gerações» com a expressão «ir ao baeta» quando uma ex-assistente minha, na geração dos vinte, tinha feito um novo corte de cabelo e eu lhe disse que fizera muito bem em «ir ao baeta». Lembro-me de, quando eu era pequena, «giro» soar esquisito na boca da minha avó (que dizia «jeitoso»), mas qualquer dia «giro» vai ser uma antiguidade...
Bom-dia, bom-dia!
ResponderEliminarEu não disse? Eu não disse?
Ora vêem os digníssimos Extraordinários, que é a nós, povo dos livros e leituras, escrevinhadores ou autores, a quem compete manter vivas as palavras????
É que senão qualquer dia só se escreve "PK"!!!
Na minha casa não é permitido... fazemos questão de falar com propriedade e cultivamos a nossa língua, até na vertente regionalista: por exemplo não dizemos agrafador, mas á boa moda do Graínho, dizemos "agrafadêira" !
Em tempos, em dia de festa e travessas com comeres espalhados pela casa, e uma gata-ladra que conseguia abrir a porta da casa de jantar, eu mandava assim ao meu filho ainda pequeno: Pedro, procede á localização, captura e encerramento do pequeno felino doméstico!
Se todos o fizermos, em rede, a língua mantém-se viva, e as palavras não morrem!
É até divertido... ainda há pouco a propósito de uma visita que estou a organizar para um banco de desenvolvimento a empresas de pesca a operar, usei uma expressão bem nossa e que tem um significado bem amplo: Temos chão para batatas! Compreendem o significado? Ora bem, usem-no então!
Votos de um fim de semana palavroso e profíquo em leituras, cá desde a Cidade Morena!
à
ResponderEliminar🧡
ResponderEliminarprofícuo
ResponderEliminarTemos chão para batatas e palavras que são como as cerejas, para não falar da que é boa como o milho. Mas aí já o censor está de dedo em riste por não ter dito que é bom como o milho.
ResponderEliminarDaqui a pouco estamos todos a ser corridos a toque de caixa
ResponderEliminarRegistado!
ResponderEliminarNo entanto o corrector não assinalou... curioso!
De qualquer modo o seu reparo foi, profícuo!
Í mãe da minh'alma, eu, quando leio certas coisas, até me dão agasturas!!!!
ResponderEliminarÓ Paxeco até fico almariado.
ResponderEliminare quando as "calinadas" surgem de quem deveria estar seguro do que diz,hein?Artigos de jornal, "media" e até escritores,vejam lá.Ainda hoje eu li que houve (ai verbo haver,verbo haver) um tremor de terra na Nova Zelandia cujo "hipocentro" se situou a mais de cento e sessenta quilometros de profundidade.Coitados dos cavalos:não escapou nenhum,claro.Mas voces já sabiam,"não já"?Se não sabiam "hádem"aprender com os profs que temos,que não vale a pena andar na escola
ResponderEliminarHá o hipocentro e o epicentro relativo a terramotos. Veja a diferença e depois critique.
ResponderEliminarA Sapo hoje destacou o passado das palavras que se perdem, o seu post e o passado das coisas, o meu post (As paragens do tempo). As palavras e expressões que se perdem, tornam a nossa linguagem mais pobre. Ainda me lembro da minha avó, quando alguém se fazia desentendido e lhe respondia ao lado, de ela retorquir; Diz-mo que já me lo disseste.
ResponderEliminarEpi: grego epí, sobre, em, por cima
ResponderEliminarHipo:grego húpo, debaixo