O rei dos pícaros

O autor do belo e hilariante A Demanda de Dom Fuas Bragatela está de volta com mais um romance pícaro e, claro, a não perder! Chama-se A Vida Airada de Dom Perdigote e conta que , por ocasião do baptizado do filho varão, Felipe III de Espanha, II de Portugal, promove festejos imperdíveis em Valladolid, sede da Corte e capital do império. E, se para aquele umbigo do mundo – onde desaguam todos os vícios, velhacarias e vilanias – concorrem nobres e ladrões, damas e rameiras, será mais do que certo que, depois de um périplo por Badajoz, Sevilha, Trujillo ou Toledo, siga também para lá Tanganho Perdigão Fogaça, conhecido por Dom Perdigote, a fim de cumprir o seu destino. Mas nem tudo se apresenta de feição a este espadachim nascido no ano em que morre Camões; claro que, entre as muitas peripécias vividas, encontra o amor da sua vida e conhece o pintor El Greco, o escritor Quevedo e até o autor do Quixote; porém, será envolvido na tentativa de assassinar um dramaturgo que integra a embaixada inglesa (não vos ocorre nenhum nome?), enviada para ratificar a paz entre as duas nações. Quem o irá salvar? Nós, os leitores? Porque este livro, tal como o seu antecessor, está aí para ser lido a partir de amanhã. Não o perca por nada deste mundo.


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Comentários

  1. O que eu me diverti com o D. Fuas Bragatela! Será que este atinge um patamar semelhante?

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  2. Não perco não, por nada deste Mundo!
    Sei lá há quanto tempo estou á espera. Atéquenfim, irra, apre, caramba, estava a ver que nunca mais. Vou pedir à minha mulher que me lo traga em Abril, quando vier.
    O Paulo Moreiras é um caso raro no nosso panorama literário, de atitude e disposição, sendo dos raros autores portugueses que me apetecem ler.
    Podia mesmo ter cruzado o capitão Alatriste com o Tanganho Perdigão Fogaça, aposto que iam dar-se bem. Ahahah! Até os imagino a beber uns canjirões de vinho, juntos, numa daquelas tabernas escuras e conspirativas.
    Votos de sucesso e um abraço benguelense para o Paulo Moreiras.
    Quanto aos Extraordinários: leiam! Aposto que vale a pena, sendo um caso raro na nossa escrita actual, tanto pelos temas quanto pela forma peculiar e viva, de escrever.
    Num panorama actual, cinzento, de uma escrita de moribundos ensimesmados e que escrevem para si mesmos (ou assim parece) esta narrativa pícara mas vivaça como vinho novo, alegra-nos e faz viver, com disposição.
    Saudações entusiastas cá da Cidade Morena.

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  3. Para além de "A demanda de D. Fuas Bragatela", adorei "O ouro dos corcundas" e "Os dias de Saturno". Não perdia este Perdigote por nada!

    Rui Miguel Almeida

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  4. Estou muito curioso pelo teu novo livro. Imagino que aproveitaste conhecimento da longa reportagem que Tomé Pinheiro da Veiga fez em "Fastiginia" dessas festividades em Valladolid.

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  5. Romance pícaro escrito agora não se consegue ler: foi esgotado há três séculos por autores geniais.

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