Ceci n'est pas une pipe
Existe um engraçado paradoxo que se estuda em matemática (paradoxo de Epiménides, se não me engano), no qual um homem diz: «Todos os cretenses são mentirosos.» O problema é que é ele próprio um cretense, pelo que as suas palavras têm de ser uma mentira... É também incrível como a expressão «Ceci n'est pas une pipe» escrita numa pintura de René Magritte debaixo justamente de um lindo cachimbo («pipe» em francês) se tornou famosa, na negação do próprio objecto representado. E é dentro desta mesmíssima linha que o escritor David Machado, com livros excelentes para crianças de todas as idades, publica agora em grande formato um livro que já foi muito pequenino e teve uma distribuição reduzida quando saiu pela primeira vez. Chama-se Parece Um Pássaro e é a história de um menino que, indo pela rua, vê pousar na sua cabeça um pássaro que não desanda apesar das tentativas. Ora, quando o rapazinho chega à escola e lhe perguntam o que tem na cabeça, incluindo a professora, ele responde que é um chapéu, o que dá origem a consequências muito engraçadas, tais como pedirem-lhe que, durante a aula, o chapéu fique quieto e calado. De resto, o livro foi traduzido em francês com o título Ceci n'est pas un chapeau, o que também faz algum sentido, sobretudo por o francês ser a língua do pintor belga René Magritte. Um livro mesmo delicioso.

Essa história do pássaro, parece bem esgalhada! Deve ser divertida para a cachopada.
ResponderEliminarA talhe de foice, eu diria que os escritores são no fundo grandes mentirosos - no bom sentido. Porque ficcionam, contam histórias inventadas, moldadadas ou adaptadas, é a sua realidade ou de acordo com a sua imaginação.
Estarei errado?
Eu mesmo faço parte de uma grande e celebrada confraria de mentirosos: os caçadores, de quem digo até que quem não é para "mintir" não é para caçar! Porque caçador que se preze, tem de ter histórias para contar, histórias mais ou menos verdadeiras e mais ou menos compostas, no fundo é como "pintar" um quadro, embelezando-o.
No entanto isto também cria um dilema, pois quando assumo que sou "mintiroso", estou a ser verdadeiro, ora ao dizer a verdade deixo de ser "mintiroso". Em que é que ficamos?
Ó cruel dúvida! Ser ou não ser, eis a questão, já dizia o outro.
Votos verdadeiros de um Extraordinário fim de semana, são os meus votos cá da Cidade Morena, onde há grandes e excelentes mentirosos, muito engraçados!
Rene Magritte era belga!
ResponderEliminarVou refazer o texto. Essa é mesmo imperdoável, obrigada.
ResponderEliminarOra... porque não disse que era uma mentira????
ResponderEliminarJá que estamos no tema... eheheh!