Perdidos e não achados
Antes de férias, desejando a todos boas festas, contei que iria estar fora e que, entre outras coisas, contava ir visitar uma exposição. Apesar da chuva torrencial que correu lá para os lados onde estava, o Minho, cumpri a promessa que a mim mesma fiz e desloquei-me ao Porto para ver quadros da pintora portuense Aurélia de Sousa no Museu Soares dos Reis. Lera muitos encómios à mesma nos suplementos culturais portugueses e, não conhecendo a obra senão superficialmente, estava muito curiosa. E, sim, gostei; mas estava à espera de um número de quadros bem mais significativo e, sobretudo, não apreciei o desenho da exposição e ainda menos a opção de misturar quadros de outros pintores contemporâneos com os da artista, estando a informação da autoria apenas no folheto que nos entregavam, e não perto dos próprios quadros. Mas, sobre arte, fiquei ainda mais negativamente impressionada com a quantidade de obras pertencentes à colecção da Secretaria de Estado da Cultura de que há muito se ignora o paradeiro (são quase cem, meus amigos!) e cujo inquérito, solicitado, se não erro, pela ex-ministra Graça Fonseca em 2020, acaba de ser arquivado... Eu juro que não tenho nada em minha casa, mas quem se terá aboletado com o que não lhe pertencia?
Ora... se foi mandado arquivar pela "ex" da cultura, cuja principal e mais visível competência parecia ser a sua opção sexual e ser anti-taurina, que aliás foi acusada de envolvimento em negócios familiares com o ministério, talvez seja de imaginar que saiba onde foram parar e onde estará o tal acervo cujo paradeiro é "ignorado"... porque como bem se sabe e é cada vez mais evidente, a seriedade e o empenho na causa pública desta gente que nos governa são o que são e os abusos ou usar aquilo que é público como sendo particular e estando à sua disposição, está cada vez mais patente. E ainda falam de Angola...
ResponderEliminarTalvez tenham ido para algum museu particular, quem sabe?
Ministério/Secretaria da Estado da Cultura? Com os actuais governantes (sim, já vem de trás, de bastante atrás... ) e sobretudo os das Finanças? Acho que nem valia a pena nomear e manter, poupava-se ao erário público e aos nossos nervos!
Olhem, para dar boas notícias: Ontem numa visita à Bertrand do Colombo, encontrei e comprei afinal, o ansiado livro do J.P.Coelho - Mãe, doce mar. Aproveitei e comprei ainda outro de que andava à procura, aliás excelente, "Guerra colonial", de Aniceto Afonso e Carlos Matos Gomes. Finalmente e por impulso "Evereste 1922", a história da primeira tentativa de escalada.
Afinal são os livros que nos movem!
Depois darei notícias.
Saudações cá do Bairro Ribatejano.
O grave da questão, é a "perda do rasto" das obras, que até poderão estar "escondidas" em alguma arrecadação dos serviços do Estado (devem existir milhares...). Ou seja, a maioria até pode não ter sido desviada do gabinete de ministro para o escritório lá de casa.
ResponderEliminarInfelizmente continua a tratar-se o que é do Estado, com muita negligência. E na arte se não for um "Picasso" ou hoje, um "Paula Rego", pode ser mais comum do que parece, o quadro ser empurrado para qualquer "quarto escuro" (com a mudança de governo)...
Ou quando o mistério do desaparecimento do património público não é desvendado.
ResponderEliminarE nas nominadas aulas de cidadania não se promove a protecção dos bens colectivo-públicos.
E em certas cabeças prevalece a inversão do ónus da compreensão dos domínios público-privado.
Ou não será antes uma "mera" negligência relativa ao conhecimento do local factual de depósito de obras de arte que nem têm o privilégio de serem consideradas como tal ?
"... obras de arte que nem têm o privilégio de serem consideradas como tal".
ResponderEliminarSim... fora o valor monetário, nenhum outro valor lhes sendo afectado, e, muitas vezes nem o monetário por pura ignorância destes "peritos por decreto" que nada sabem sobre coisa nenhuma. Portanto "arte" arrisca-se a ser coisa despicienda e até desprezível para os espíritos cultivados naquilo que deveria ser desprezado!
Também, "anónimo".
ResponderEliminarLembrei-me quando estava a escrever o meu comentário da oferta de um quadro de um pintor amigo (que por acaso foi desenhado para mim...), que foi oferecido à Presidente da Câmara de Almada de então, durante um almoço comemorativo, a troco de uma verba simbólica, de apoio, a uma associação cultural a que pertencia.
Este amigo deixou-nos algum tempo depois e uma das homenagens que lhe fizemos foi uma exposição com as suas obras (emprestadas por amigos, porque ele vendia praticamente tudo o que pintava, as suas aguarelas tinham uma grande procura em Lisboa). Tentámos junto do Município o empréstimo desta obra e ninguém soube do seu paradeiro...
Negligência? Provavelmente, embora ele fosse uma bom aguarelista não era o Picasso...