O senhor dos poetas

Apesar de o meu curso na universidade ter sido de Francês-Inglês, fiz quase todas as disciplinas que eram comuns às licenciaturas em Línguas e Literaturas Modernas (Estudos Literários, Linguística, Teoria da Literatura...) no departamento de Estudos Anglo-Americanos, porque era aí que ensinavam alguns dos melhores professores que tive até hoje. Foi um deles quem me deu a conhecer a maioria dos poetas de língua inglesa de quem me tornei leitora, primeiro, e fã, depois; e, entre esses, está sem dúvida o meu poeta favorito: o irlandês William Buttler Yeats, homem despenteado e com qualquer coisa de louco quando olhado nas fotografias, mas também um irmão próximo nas coisas do amor quando lido com deleite e atenção. É sobre esta figura ímpar e atraente que se debruça o mais recente romance biográfico de Cristina Carvalho, escritora que tem cultivado bastante este género, mas se tem dedicado sobretudo a personalidades da Europa do Norte, como o cineasta Ingmar Bergman ou a escritora Selma Lagerlöf. Agora sei que também ela não resistiu (desde os 14 anos, confessa!) aos poemas belíssimos do irlandês que ganhou o Nobel da Literatura em 1923. Tomando a história de vida do poeta, a autora deste W. B. Yeats: Onde Vão Morrer os Poetas fala ora pela sua voz, ora pela de Yeats (sim, na primeira pessoa), dando-nos uma perspectiva desafiante e, a espaços, até desconhecida do autor. O livro é apresentado hoje às 18h00 na Cinemateca por Frederico Pedreira (não é da minha família, para que fique claro que isto não é um jeito que faço a alguém conhecido) e haverá leituras de poemas pelo actor André Gago.

Comentários

  1. António Luiz Pacheco26 de janeiro de 2023 às 02:15

    Tenho acompanhado o trabalho da Nossa Extraordinária Cristina Carvalho, pelo que estou ao corrente deste último lançamento a que não poderei assistir, sendo embora uma Extraordinária proposta, mas por óbvias razões de ausência.
    No entanto, e se me permitem, quem não o conheça não o tome por um poeta romântico, bem longe disso! Ele envolveu-se políticamente na causa nacionalista irlandesa e foi um místico (tal como o nosso Fernando Pessoa).
    Creio perceber bem, porque a Extraordinária Cristina Carvalho foi atraída para o poeta, mas não vou falar sobre isso. Aliás aguardo para ler este livro, quando aí for, lá para o Verão, porque também me atrai tanto o poeta em si quanto a sua obra.

    Ontem falava-se nos lares de terceira idade e agorinha mesmo deparei com esta frase de Yeats que diz muito sobre o tema da velhice:
    - Um homem velho é apenas uma ninharia,
    Trapos numa bengala à espera do final,
    Pois é... romântico, me parece que não tem assim tanto e quem julgue que vai apenas ler loas à Lua e a alguma Dulcineia, desengane-se, pois é poeta de conteúdos, se é que me entendem! Estarei errado?

    Saudações despenteadas cá da Cidade Morena (estou a precisar de cortar o cabelo)!

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  2. Da extraordinária Cristiana Carvalho nada sei.
    Aprecio muitíssimo a obra poética do irlandês despenteado.
    Saudações das margens do rio Reno.

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  3. Cristina Carvalho está a fazer um ótimo trabalho na vertente de que agora se ocupa, mas não estará a comprometer a ficção onde já mostrou grande qualidade?

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  4. Cristina Carvalho é alguém que temos visto crescer no mundo da escrita. Que seja uma tarde como a escritora merece. E a obra venda bastante.

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  5. A propósito dessa aproximação a Pessoa, sabia que ambos nasceram no mesmo dia, 13 de Junho?
    Yeats em 1865, Pessoa em 1888.
    Coincidências... ou não 🤔
    Da sua ligação à Irlanda, a Cristina Carvalho já falou aqui, se bem me lembro a propósito de John Banville.
    Maria

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  6. Teresa, vale muito a pena conhecer a extraordinária Cristina Carvalho, que herdou os genes de dois grandes escritores.
    Conhece de certeza o poeta António Gedeão, que escreveu A Pedra Filosofal, talvez o mais belo poema da segunda metade do século XX.
    Boas leituras!
    Maria

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