O que ando a ler
Espero que estejam retemperados das festas e desde já vos desejo um excelente 2023, cheio de boas leituras. Hoje falo-vos de Um Cão no meio do Caminho, que é o terceiro livro que leio da escritora e jornalista Isabela Figueiredo, autora dos já muito afamados Caderno de Memórias Coloniais e A Gorda, este último igualmente um romance e já traduzido em várias línguas. No livro que ando a ler, o narrador é um homem peculiar que vive de noite e gosta de cães; teve, de resto, um cão muito especial chamado Cristo, que o acompanhou no final da infância, infância essa que terminou abruptamente com o divórcio dos pais e o trauma que daí adviria e o levaria a viver em casa de uma avó. Esta e outras histórias deste homem que apanha coisas do lixo (trabalhar nunca foi para ele) são-nos contadas como se fôssemos a vizinha do lado, porque, na verdade, é a essa vizinha adoentada que José Viriato narra uma certa parte da sua vida para justificar porque é hoje a pessoa que é (ela também retribui com alguns episódios da sua existência, um deles a abrir o romance) e, claro, porque continua a amar os cães mais do que as pessoas, e a solidão mais do que a companhia. Isabela Figueiredo disse numa entrevista que foi com este livro que finalmente acreditou em si como ficcionista. Eu já tinha acreditado nisso com A Gorda, mas não custa nada insistir.
Comecei a ler o João, com o seu "Mãe, Doce Mar". Só comecei a ler ontem à noite ainda vou nas páginas vintes, é cedo para dizer alguma coisa...
ResponderEliminarLi a "Gorda" da Isabela. Achei-o demasiado autobiográfico, mesmo sem conhecer a autora. Gostei que ela não tivesse medo das geografias da Margem Sul.
Bom dia e um Extraordinário Ano para todos!
ResponderEliminarNão encontrei assim tantos livros, mesmo na lista que tinha feito.
Salva-se o Extraordinário "Velhos lobos" de Carlos Campaniço! Acabei-o no avião.
Muito bom mesmo, um dos melhores livros que li em 2022. O Alentejo profundo, tradicional, genuíno, autêntico, na sua rudeza, que faz das gentes duras e resistentes, dissimuladas, que alimentam ódios por gerações no seu isolamento e rotinas. Conheci e conheço famílias e histórias daquelas. Carlos Campaniço nem precisou de ficcionar muito, sendo dali. Frequentei por muitos anos aquelas bandas da margem esquerda do Guadiana, por onde correm o Murtigão e o Ardila, conheci montes e herdades, gente, como aquelas.
É um livro muito bom! Sobretudo do ponto de vista humano e que revela bem a antropologia daqueles lugares e gentes. Comparo-o em tudo ao "Torto arado", com a devida distância geográfica, mas encaixam os dois no mesmo género e quem gostou daquele vai gostar deste! Aconselho vivamente.
Tenho para aí:
"Resistência - insubmissão e revolta no Império Português". Coordenação de Mafalda Soares da Cunha. Aconselho à nossa Extraordinária Cristina Torrão, pois as freiras não eram tão submissas quanto ela acredita, eheheh!
"Os Iluminati". Jim Marrs - MUITO mas mesmo muito bom e oportuno, este ensaio sobre a poderosa e oculta seita! A lerem!!!!
"As sete Marias que matavam franceses" - Domingos Amaral. Ainda não comecei mas fiquei interessado pela leitura cruzada que fiz.
"Angola - pequena agriculturas e desenvolvimento rural" - Coordenação do Prof. Rui Jorge.
Muito interessante, para quem como eu trabalha no sector, leitura conveniente.
Estou a aguardar, do meu amigo António Pinhatelli com ilustrações do seu irmão Zé, o livro, "Javalis, á espera e de outras maneiras".
Enfim, variedade não me falta!
Saudações de Ano Bom, cá desde o Bairro Ribatejano.
Ainda não consegui localizar "Mãe, doce mar". Mas está na lista... aliás é de um dos nossos!
ResponderEliminarGrande abraço e Bom Ano.
Não sou anónimo... sou o A.L.Pacheco, ora essa!
ResponderEliminarBolas outra vez... sou eu o tudo menos anónimo A.L.Pacheco.
ResponderEliminarComecei ontem a ler um livro muito bonito (no aspecto físico e estético - é mesmo bonito!) "MOCIDADE PORTUGUESA" do Prof. Jorge Calado. Apesar do título, pouco ou nenhuma referência é feita nele a essa organização à qual todos os jovens dos sete aos 14 anos estavam obrigados a pertencer durante o Estado Novo.
ResponderEliminarEste belo livro é o retrato de um estilo de vida esquecido. Não é uma biografia, nem um livro de memórias, muito menos um ensaio de pendor social, embora partilhe aspectos com todos estes géneros. Uma viagem no tempo, física e mental, ao longo de trinta anos, balizada por livros, bichos, filmes e óperas. Ainda vou no início mas do que li até agora já me deixou ansioso por ler o que aí virá nas próximas quinhentas páginas.
Acabei "A Ronda da Noite". É Agustina, está tudo dito. Colocar alguns personagens em função da interpretação que vai fazendo do célebre quadro, isso talvez desaprove. Mas é ficção, é literatura, isso é que vale.
ResponderEliminarBoas dicas!
ResponderEliminarLi os três livros da autora. Gostei de todos, que li de um fôlego.
ResponderEliminarBom ano e boas leituras. :)
Comprei-o hoje.
ResponderEliminarEspero gostar tanto como gostei de A Gorda.
Bom ano! Boas leituras!