Ler com os dedos

No passado dia 4, o poeta Manuel Alegre lançou em Coimbra a sua Obra Poética completa em braille, assinalando, de resto, o Dia Mundial do Braille e, ao mesmo tempo, festejando o Centenário da Biblioteca Municipal, cujo programa comemorativo levará até à cidade dos estudantes muitos outros escritores nos próximos meses (José Luís Peixoto, Valter Hugo Mãe, José Fanha e Richard Zimler, entre outros). Até aí, tudo bem. O que me pareceu contudo surpreendente foi, no mesmo dia, a notícia dada pelo presidente da Associação dos Cegos e Amblíopes de Portugal (ACAPO) de que vai ser possível ler em braille nos telemóveis e de que, numa escala de 1 a 5, os desenvolvimentos actuais permitem dizer que já nos encontramos no ponto 3! Parece que a escrita está mais adiantada, sendo possível usar os ecrãs dos telemóveis para escrever todas as representações dos pontos Braille, como se se tratasse de uma máquina, mas a leitura, mais atrasada, há-de compor-se, esperando-se que num futuro não muito longínquo se inventem telemóveis em cujos ecrãs se sinta o relevo dos pontos com os dedos. A má notícia destas jornadas realizadas pelo Instituto Nacional de Reabilitação é que ainda só 0,1% dos livros publicados mundialmente existe em braille.


 

Comentários

  1. Há olhos cuja imensidão são só por si uma visão.
    São olhos de dedos,
    Tacto dos sentidos;
    São olhos de ouvidos,
    Audição de cristais saídos.
    São chuva de estrelas de um outro olhar do mundo;
    São força motriz de um farol profundo.

    AM

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  2. António Luiz Pacheco11 de janeiro de 2023 às 05:21

    Aplaudo!!!!!

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