Autografar
Contaram-me há muitos anos (o pior é que já não me lembro quem) que Miguel Torga não fazia dedicatórias nem autografava livros para ninguém e que um dia abriu uma excepção para Mário Soares, mas depois de não conseguir fugir de o fazer...Também me contaram (e desta vez sei quem foi mas não posso dizer) que Saramago, que recebia dezenas de ofertas de livros em todo o lado aonde ia, incluindo festivais no estrangeiro, deixava muitos deles no quarto de hotel quando se vinha embora, tendo, porém, o cuidado de arrancar a página em que o autor tinha escrito a sua dedicatória ao nosso Nobel. Gente sábia... É que, segundo sei, autografar pode ser um perigo: às vezes, encontram-se livros autografados inesperadamente nos sítios menos próprios, e conheço três histórias sobre esta realidade. A primeira é a de uma autora que, convidada a representar Portugal numa feira internacional, verificou que alguns dos seus livros expostos no pavilhão oficial estavam autografados para jornalistas e outras pessoas, chegando à conclusão de que a editora não os chegara a enviar e usara esses exemplares para oferecer à Direcção-Geral do Livro, que era quem tinha o expositor na feira. Por outro lado, sei de um autor que, à procura de um livro seu esgotado há muito, correu os alfarrabistas todos e encontrou um exemplar autografado e dedicado a um amigo muito próximo (que o vendera juntamente com outros livros numa altura de grande necessidade), o que valeu uma zanga entre ambos para a vida. E, por último, Nelson Ferreira Silva, que é sempre uma fonte de boas histórias, comprou recentemente num alfarrabista um exemplar da Crónica dos Bons Malandros, de Mário Zambujal, cujo frontispício dizia que fora oferecido por Paulo Moura e pertencia a Pedro Abrunhosa. Parece que se tratava mesmo do jornalista e do músico. E esta?
Mas às vezes também se encontram surpresas agradáveis. Coleciono livros de autores Nobel editados em Portugal e comprei no ano passado a um alfarrabista o livro "A Capital do Mundo e outras histórias" de Ernest Hemingway, editado pela Minerva na coleção Miniatura, com um autógrafo do autor que diz: "With a Kiss for Rita - Ernest Hemingway - 14/3/55".
ResponderEliminarGosto de livros autografados. Gosto de pensar que o escritor teve o "meu" exemplar nas suas mãos e lhe dedicou um momento de particular atenção. São, portanto, livros especiais que me acompanharão até ao final da vida.
ResponderEliminarSobre o Torga, comprei há um par de anos um exemplar de "Odes", numa livraria de livros raros, online. Quando o livro chegou tive a enorme surpresa de verificar que era a 1ª edição, numerada e rubricada pelo autor.
Que me lembre só tenho um livro Autografado por Urbano Tavares Rodrigues, "As Aves da Madrugada", numa Feira do Livro realizada ainda nos nos 60 na Avenida da Liberdade.
ResponderEliminarTambém tenho uma história engraçada por causa dos autógrafos. Aliás, até tenho várias. Por ora segue esta:
ResponderEliminarUm dia, por intermédio de um amigo, visitei o Luiz Pacheco no lar onde então se encontrava no Príncipe Real. Conversas para aqui, maledicências para acolá, na altura das despedidas ele virou-se para mim e quis oferecer-me um livro autografado. De uma pilha de livros tirou um livro, abriu e escreveu uma dedicatória. Fiquei todo contente. Quando me passou o livro para a mão reparei que o livro não era dele, mas sim do Mário Zambujal. E ele, no seu tom:
— Levas esse porque não tenho aqui nenhum dos meus.
Paulo Moreiras
Tenho um livro autografado do Erskine Caldwell (O Pregador).
ResponderEliminar-Creio que ele o autografou quando creio ter estado em Lisboa-. Foi-me emprestado por um grande amigo que depositava toda a confiança em mim, porque sei que não emprestava livros a ninguém só que, até hoje, ainda não lho devolvi..., lá está "livro emprestado é livro dado". Este meu amigo (poeta) tem uma biblioteca impressionantes e centenas de livros com dedicatórias e de autores relevantes (portugueses e não só).
Tenho também um livro autografado pelo poeta José Gomes Ferreira (numa Feira do Livro em Lisboa, onde o comprei, em Junho de 1975),
Tenho mais alguns mas de autores não tão relevantes relevantes.
Anónimo não, Seve
ResponderEliminarTenho poucos livros autografados e gosto de todos. Estimo-os com muito zelo. São autores nacionais que prezo, ou não me daria ao trabalho. Apenas apenas um é estrangeiro. Já contei várias vezes as peripécias de um ou outro autógrafo, em grande parte originadas na minha falta de conhecimento e diplomacia sobre os ditos. São histórias que ficam. E é isto.
ResponderEliminarNum dado momento, eles pegaram na caneta e escreveram umas banalidades num livro que me pertence. Que em mim valem, têm a sua letra. O manuscrito tem valor muito particular.
nao sei como dizer, mas este post surpreende, que diverte, talvez seja excessivo (diverte).
ResponderEliminarAcho que tras a autora para dentro de outro publico.
Pois, essas histórias acontecem; sei que facilitei a vida a um amigo ou familiar próximo ao fazer a lápis (adoro escrever a lápis) as dedicatórias da única tradução literária que fiz, não procurei saber qual deles se desfez do livro!
ResponderEliminarGosto de exemplares autografados, sobretudo quando admiro muito os autores, mas as dedicatórias dos amigos que me oferecem livros, seus ou de outrem, são o que mais prezo.